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Motorista de BMW de 78 Anos é Condenada a Pagar R$ 2 Milhões por Acidente Fatal no Paraná

G1

Em uma decisão judicial de grande repercussão, Maria do Carmo Carneiro, de 78 anos, foi condenada a indenizar os pais de Anthony Pietro, adolescente de 14 anos que faleceu em um grave acidente de trânsito. O sinistro, ocorrido na rodovia PR-558, em Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná, envolveu o veículo BMW dirigido pela idosa e o carro onde a vítima estava com seu pai. A sentença civil, publicada recentemente, estabeleceu um pagamento superior a R$ 2 milhões, reconhecendo a culpa da motorista pela tragédia.

Detalhes da Condenação Civil e Valores Fixados

A condenação foi proferida pelo juiz Marco Antonio dos Santos, da Vara Cível de Peabiru. Na decisão, Maria do Carmo foi sentenciada a pagar R$ 2 milhões a título de danos morais, valor que será dividido igualmente entre o pai e a mãe de Anthony. Adicionalmente, a Justiça determinou o ressarcimento de R$ 31.257,76 por danos materiais, cobrindo despesas hospitalares e custos relacionados ao funeral do adolescente. Contudo, o magistrado negou pedidos de pensão vitalícia, pagamento de tratamentos psicológicos e psiquiátricos, e outras indenizações futuras, fundamentando que não foi comprovada a dependência financeira da família em relação ao jovem.

Os Fatores Decisivos por Trás da Sentença

A decisão judicial foi amplamente embasada em laudos periciais e em um parecer técnico contratado pela família de Anthony, documentos que foram decisivos para o reconhecimento da culpa da motorista. Ambos os levantamentos apontaram que o veículo BMW invadiu a pista contrária a uma velocidade alarmante de 137 km/h, muito acima do limite permitido de 80 km/h para a via, além de ter realizado ultrapassagens proibidas. A condutora também enfrentou acusações de estar sob influência de álcool, reforçadas por relatos de enfermeiros e do pai da vítima sobre seu “comportamento ríspido e fora da realidade” e odor etílico, culminando na recusa em realizar o teste do bafômetro após intervenção de um médico da família no hospital. Adicionalmente, as investigações policiais revelaram que Maria do Carmo dirigia com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa, devido à reincidência e ao acúmulo de infrações de trânsito graves e gravíssimas, incluindo excesso de velocidade e direção perigosa. A tentativa da defesa de atribuir o acidente a uma suposta ofuscação da visão pelo sol foi rechaçada pelo juiz, que identificou erros técnicos no parecer apresentado e contradições com os depoimentos das testemunhas.

Repercussões e Desdobramentos Jurídicos

Apesar da sentença na esfera cível, o processo criminal referente ao acidente segue em andamento. Maria do Carmo foi indiciada pelos crimes de homicídio doloso (com dolo eventual), lesão corporal culposa agravada, condução sob influência de álcool e por dirigir com a CNH suspensa, tendo sido determinada sua submissão a júri popular. No entanto, a defesa da motorista recorreu da decisão, aguardando um novo parecer. O advogado de Maria do Carmo optou por não se manifestar sobre a condenação. Já Wellington Ferreira Kachicosk, representante legal da família de Anthony, indicou que a sentença será minuciosamente analisada, havendo a possibilidade de oposição de embargos de declaração para sanar eventuais lacunas ou obscuridades. Ele também mencionou tratativas em curso para uma possível composição consensual entre as partes, o que recomenda cautela em manifestações públicas aprofundadas no momento.

A Tragédia que Ceifou um Futuro Promissor

O acidente que tirou a vida de Anthony Pietro ocorreu em 24 de novembro de 2023. O adolescente estava no carro com seu pai, Luiz Thiago Rosa, retornando para Araruna após Anthony realizar uma prova para ingressar no ensino técnico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Campo Mourão. Segundo o relato do pai, a BMW de luxo vinha em alta velocidade e em zigue-zague pela pista, impossibilitando qualquer tentativa de desvio. O impacto da colisão foi tão violento que o motor do veículo de luxo foi arrancado, e o automóvel incendiou-se às margens da rodovia. A família descreve Anthony como um adolescente tranquilo, com grande aptidão para a música – tocava violão, guitarra e bateria – e com sonhos acadêmicos. “Ele morreu com o gabarito na mão. Antes, ele falou ‘pai, eu acho que passei’. Ele só queria estudar”, lamentou o pai, ressaltando o futuro promissor que foi interrompido abruptamente.

A condenação civil e os desdobramentos na esfera criminal refletem a gravidade das infrações cometidas e a perda irreparável para a família de Anthony. Enquanto a justiça busca responsabilização, a comunidade acompanha os próximos passos desse caso, que se tornou um lembrete doloroso das consequências do desrespeito às leis de trânsito.

Fonte: https://g1.globo.com

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