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Menopausa e Saúde Sexual: O Fim do Silêncio e a Busca por Tratamento Eficaz

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A transição para a menopausa frequentemente traz consigo uma série de transformações hormonais e físicas que podem impactar significativamente a qualidade de vida das mulheres, inclusive no aspecto sexual. Queixas comuns como secura vaginal, dor durante as relações íntimas e a diminuição do desejo sexual são, muitas vezes, encaradas como consequências naturais do envelhecimento ou até mesmo ignoradas nas consultas médicas. No entanto, especialistas alertam que essas dificuldades não devem ser vistas como inevitáveis; são condições tratáveis que merecem atenção e cuidado contínuo para garantir o bem-estar feminino.

Desmistificando as Queixas Sexuais Pós-Menopausa

É um equívoco comum conceber as alterações na vida sexual após a menopausa como um ponto final. A ginecologista Jussimara Souza Steglich, membro da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), enfatiza que a sexualidade não se encerra com a idade. Pelo contrário, ela pode ficar 'obscurecida' por fatores específicos que, uma vez identificados e tratados, permitem à mulher redescobrir e viver plenamente sua sexualidade em qualquer fase da vida.

Sintomas como a atrofia vaginal, que se manifesta com secura e desconforto, ou a dispareunia (dor durante o intercurso sexual), são queixas frequentes que afetam a intimidade e o bem-estar, mas raramente são abordadas abertamente. A perda do libido, ou a diminuição da vontade de ter relações, também é uma preocupação real para muitas mulheres. A abordagem médica deve ir além da presunção de que pacientes em idade mais avançada não têm vida sexual ativa, reconhecendo a saúde sexual como uma componente essencial do bem-estar global.

O Diálogo Necessário: Médicos, Pacientes e a Quebra do Tabu

A dificuldade em abordar a saúde sexual na menopausa muitas vezes reside em uma barreira de comunicação. De um lado, o constrangimento e a vergonha que muitas mulheres sentem ao falar sobre sexo; do outro, a falha de alguns profissionais em incluir essa pauta nas consultas de rotina. Dr. Jussimara critica a postura de profissionais que deduzem que uma paciente em idade mais avançada não tem interesse em sexo, o que leva à omissão de perguntas cruciais e à ignorância de queixas válidas.

Superar esses obstáculos exige uma mudança de perspectiva e um esforço conjunto. É fundamental que as mulheres se sintam encorajadas a verbalizar suas preocupações, compreendendo que o sexo é um aspecto natural da vida e que seu médico é o profissional adequado para discutir o tema. Paralelamente, os ginecologistas devem adotar uma postura proativa, introduzindo o assunto e criando um ambiente seguro e acolhedor para que suas pacientes possam expressar livremente suas necessidades e anseios sexuais, sem julgamentos.

Estratégias de Tratamento: Uma Abordagem Integral

As soluções para as queixas sexuais na menopausa não se limitam a uma única intervenção, mas sim a uma combinação de fatores que visam restaurar o bem-estar da mulher. A especialista da Febrasgo destaca a importância de uma abordagem 'combo' que engloba aspectos físicos e mentais para otimizar os resultados.

Isso inclui a adoção de uma mentalidade positiva em relação à própria sexualidade, aliada a hábitos de vida saudáveis como a prática regular de atividade física e uma alimentação balanceada. Além desses pilares, a terapia hormonal, quando indicada e supervisionada por um médico, pode desempenhar um papel crucial na restauração do equilíbrio hormonal e no alívio de muitos sintomas, como a secura vaginal e a baixa libido, melhorando significativamente a qualidade das relações íntimas.

Sinais de Alerta: Queixas Sexuais e Doenças Subjacentes

É crucial ressaltar que algumas queixas sexuais, especialmente a dor persistente durante o intercurso, podem ser indicativas de condições médicas mais sérias que vão além das alterações hormonais da menopausa. Dr. Jussimara adverte que a dispareunia profunda, por exemplo, pode ser um sintoma de doenças como endometriose, aderências pélvicas ou doença inflamatória pélvica, que exigem diagnóstico e tratamento específicos, não relacionados diretamente à menopausa.

A dor crônica nas relações sexuais frequentemente leva a um reflexo de contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, agravando o desconforto e criando um ciclo vicioso. Nesses casos, a atuação multidisciplinar é essencial, envolvendo não apenas o ginecologista, mas também fisioterapeutas pélvicos e outros especialistas, para abordar tanto a causa da dor quanto as tensões musculares associadas, garantindo um tratamento mais eficaz e completo.

A Longevidade Feminina e o Imperativo da Saúde Sexual no Brasil

No Brasil, a pauta da longevidade feminina não pode ser dissociada da discussão sobre menopausa e sexualidade, dado o grande número de mulheres nessa fase da vida. Estima-se que cerca de 30 milhões de brasileiras estejam atravessando a menopausa, e dados nacionais revelam que impressionantes 82% delas experimentam sintomas que impactam negativamente sua qualidade de vida, incluindo o aspecto sexual.

Este cenário reforça a urgência de desestigmatizar o tema e promover uma maior conscientização sobre a importância da saúde sexual em todas as idades. Ao reconhecer e tratar as queixas sexuais da menopausa, não apenas se melhora a vida íntima das mulheres, mas se contribui para uma longevidade com muito mais bem-estar, autonomia e dignidade, permitindo que elas vivam plenamente cada fase.

Em suma, as queixas sexuais que surgem durante a menopausa não são um destino inevitável, mas sim desafios superáveis com o conhecimento e a abordagem adequados. A mensagem central é clara: a saúde sexual é um direito e uma necessidade ao longo de toda a vida. Quebrar o silêncio, buscar informações e dialogar abertamente com os profissionais de saúde são os primeiros passos cruciais para que milhões de mulheres possam continuar a desfrutar de uma vida sexual plena e satisfatória, independentemente da idade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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