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Variante K do influenza no Brasil: especialistas pedem calma e vigilância

© Marcello Casal JrAgência Brasil

A identificação no Brasil de um novo tipo do vírus influenza A (H3N2), popularmente conhecido como “variante K do influenza”, não é, neste momento, motivo para preocupação generalizada. Especialistas em imunizações avaliam que a circulação de diferentes variantes do influenza faz parte da dinâmica natural do vírus e, atualmente, não existem elementos suficientes para prever um impacto maior na próxima temporada de gripe. Qualquer estimativa sobre a gravidade, duração ou intensidade da futura temporada seria prematura. A vigilância, contudo, permanece reforçada, especialmente após o registro de um caso importado no estado do Pará, um indicativo da necessidade de monitoramento constante e preparação para cenários futuros.

Detecção do vírus K no Brasil: panorama atual e reações

A recente identificação da variante K do influenza A (H3N2) no Brasil foi um marco importante para a vigilância epidemiológica do país. O Ministério da Saúde, em seu informe mais recente sobre a situação epidemiológica nacional, destacou pela primeira vez o registro deste caso em solo brasileiro, no estado do Pará. Esta detecção, embora esperada pela comunidade científica, acende um alerta para a manutenção e o aprimoramento das estratégias de saúde pública.

Um caso importado sob vigilância

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) forneceu detalhes adicionais sobre o caso. A amostra que continha a nova variante foi coletada em Belém (PA), no dia 26 de novembro, e passou por uma análise inicial no Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen-PA). Após a confirmação da presença do influenza A (H3N2), o material foi encaminhado ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), onde foi submetido a um sequenciamento genético detalhado.

O paciente em questão é uma mulher adulta, de nacionalidade estrangeira, proveniente das ilhas Fiji. Dada a sua origem, o caso foi classificado como importado. Até o presente momento, não há qualquer evidência que sugira transmissão local da variante no Brasil, o que é um fator tranquilizador. A caracterização como caso importado significa que a infecção ocorreu fora do território nacional, e a detecção é fruto da eficácia dos sistemas de vigilância brasileiros em identificar e monitorar a entrada de novas cepas virais. Para um especialista em imunizações, a detecção de novas variantes é uma ocorrência esperada, reforçando que “todo ano temos novidade do influenza”.

O cenário global e a dinâmica do influenza

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia emitido uma nota informativa destacando um rápido aumento na circulação da variante K do Influenza A no Hemisfério Norte, com incidência notável na Europa, América do Norte e Leste Asiático. A atividade da influenza na Europa, em particular, teve um início mais precoce do que o habitual, com a variante K sendo responsável por quase metade das infecções reportadas entre maio e novembro do ano anterior.

Apesar do aumento na circulação global, não foi registrada até o momento nenhuma alteração significativa na gravidade clínica dos casos, seja em termos de hospitalizações, admissões em unidades de terapia intensiva ou óbitos. Este dado é crucial para a avaliação do risco, indicando que, embora mais prevalente, a variante K não se mostrou mais virulenta que outras cepas circulantes.

Mutação viral e a importância da vacinação anual

A natureza do vírus influenza é caracterizada por sua capacidade de sofrer mutações constantes e causar epidemias anuais. Essa característica exige que as vacinas sejam atualizadas periodicamente. Um especialista ressalta que “isso é tudo muito teórico ainda”, referindo-se à dificuldade de prever qual variante será predominante na próxima temporada, já que a temporada no Hemisfério Norte está apenas começando. A composição da vacina é revisada anualmente para incorporar as cepas que, de acordo com as previsões científicas, terão maior circulação na temporada seguinte.

Mesmo diante de uma eventual distância genética entre a cepa viral predominante e a composição da vacina, a proteção oferecida por esta última persiste, especialmente contra as formas mais graves da doença. “Há sempre alguma perspectiva ou expectativa de proteção, especialmente contra desfechos mais graves de hospitalização e morte”, explica um chefe de laboratório de virologia. Esta é a razão pela qual a vacinação anual é amplamente recomendada, configurando-se como a principal ferramenta de prevenção contra a influenza e suas complicações.

Medidas de prevenção e a força da ciência

Diante da constante evolução dos vírus respiratórios, a vacinação permanece como a principal estratégia para mitigar o impacto da influenza. A composição da vacina recomendada pela Organização Mundial da Saúde foi atualizada em setembro, incorporando cepas mais próximas das que estão atualmente em circulação, incluindo o subclado K. Essa atualização garante que a proteção oferecida seja a mais eficaz possível contra as variantes em destaque.

Vigilância contínua e as recomendações para a população

Além da vacinação, outras medidas preventivas são fundamentais e devem ser incorporadas ao cotidiano da população. A higienização frequente das mãos, seja com água e sabão ou álcool em gel, é uma barreira eficaz contra a disseminação de vírus. É crucial evitar o contato próximo com pessoas que apresentem sintomas respiratórios e, em caso de manifestação de tosse ou espirro, cobrir a boca e o nariz com a parte interna do cotovelo ou um lenço descartável. O uso de máscaras em ambientes fechados ou aglomerados também pode ser recomendado, especialmente para indivíduos com sintomas ou em grupos de risco. Em caso de febre ou outros sintomas respiratórios persistentes, a busca por atendimento médico é indispensável.

Para os serviços de saúde, a orientação principal é manter um fortalecimento contínuo da vigilância epidemiológica, laboratorial e genômica. Isso inclui a coleta e análise de amostras, o sequenciamento genético para identificar novas variantes e o compartilhamento de dados para embasar as decisões em saúde pública. A colaboração entre instituições de pesquisa e órgãos governamentais é vital para monitorar a evolução do vírus e ajustar as estratégias de prevenção e controle de forma dinâmica e eficaz.

Perspectivas e a contínua prontidão contra o influenza

A detecção da variante K do influenza A (H3N2) no Brasil, embora não seja um motivo imediato para pânico, serve como um lembrete da natureza mutável dos vírus respiratórios e da necessidade de vigilância constante. A ciência e a saúde pública estão em alerta, monitorando a evolução global e local da cepa. A vacinação anual, aliada a hábitos de higiene e à busca por atendimento médico quando necessário, continua sendo a principal linha de defesa da população. A capacidade de identificar precocemente novas variantes e adaptar as estratégias de saúde demonstra a resiliência e a prontidão do sistema de saúde para enfrentar os desafios impostos pela influenza, garantindo a proteção da saúde coletiva.

FAQ

1. O que é a variante K do vírus influenza A (H3N2)?
É um novo tipo do vírus influenza A (H3N2) que foi identificado e está em circulação, especialmente no Hemisfério Norte. Sua detecção faz parte da dinâmica natural do vírus da gripe, que sofre mutações frequentemente.

2. A detecção da variante K no Brasil significa um risco imediato de epidemia grave?
Não. Segundo especialistas, ainda é cedo para alarmes. O caso detectado no Brasil foi classificado como importado, e até o momento não há evidências de transmissão local. Globalmente, não foram registradas mudanças significativas na gravidade clínica da doença associada a essa variante.

3. A vacina da gripe atual ou a próxima protege contra a variante K?
Sim. A composição da vacina contra a influenza é atualizada anualmente pela Organização Mundial da Saúde para incluir as cepas mais prováveis de circular. A vacina recomendada para a próxima temporada, atualizada em setembro, já contempla cepas próximas aos clados atualmente em circulação, incluindo o subclado K, oferecendo proteção.

Mantenha-se informado e proteja sua saúde. Consulte um profissional de saúde para mais informações sobre a vacinação contra a gripe e outras medidas preventivas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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