Um grupo de turistas paranaenses, acompanhado de outros brasileiros e viajantes internacionais, finalmente conseguiu deixar Dubai neste sábado (7), encerrando uma prolongada odisseia de angústia e incerteza. A viagem de lazer, que deveria culminar no retorno ao Brasil, transformou-se em uma espera forçada a bordo de um transatlântico, devido à escalada de tensões e bombardeios que assolaram o Oriente Médio e provocaram o fechamento de espaços aéreos cruciais na região.
O início do calvário ocorreu em um sábado, 28 de fevereiro, quando os passageiros foram abruptamente instruídos a retornar ao navio, em meio à eclosão de um conflito que alterou drasticamente a segurança aérea e terrestre. O voo de volta ao Brasil, originalmente programado para 1º de março, foi adiado por semanas, causando apreensão e preocupação entre os viajantes e seus familiares, que acompanhavam a situação à distância.
A Virada Inesperada: De Passeio a Espera em Alto Mar
A jornada dos paranaenses, a maioria proveniente das cidades de Londrina e Assaí, teve início em 19 de fevereiro, com um roteiro que incluía escalas em importantes centros do Oriente Médio, como Doha, no Catar, e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A chegada a Dubai se deu em 27 de fevereiro, uma sexta-feira, e a expectativa era desfrutar das atrações da metrópole antes de seguir viagem. Contudo, o cenário mudou radicalmente no dia seguinte.
Durante um passeio pela cidade, os turistas receberam ordens urgentes da equipe do navio para retornar à embarcação. A guia de turismo Cristina Strik descreveu os momentos de apreensão: 'A gente ouviu alguns barulhos de explosão. […] Os prédios aqui do centro, onde nós estávamos, quase não dava para ver nada, porque estava tudo assim de fumaça'. Além dos estrondos visíveis, um forte cheiro de enxofre preencheu o ar, evidenciando a gravidade dos eventos. O navio, apesar de não ser um alvo direto do conflito, tornou-se o refúgio compulsório do grupo por tempo indeterminado.
Segurança Relativa e Tensão Crescente
A principal causa do bloqueio foi o fechamento de diversos espaços aéreos em países como Israel, Catar, Síria, Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Omã e os próprios Emirados Árabes Unidos. Essa medida, implementada em resposta à intensificação dos conflitos militares na região, paralisou as operações aéreas e impediu o retorno de milhares de viajantes, incluindo o grupo de paranaenses, que se viu sem previsão de voos por semanas.
Embora a bordo do transatlântico houvesse uma sensação de segurança por não ser um alvo, a tensão ressurgiu no aeroporto de Dubai, conforme relatou Cristina Strik. 'Aqui no aeroporto tivemos alguns momentos de tensão, por conta de alguns alertas de mísseis, mas ocorreu tudo bem. Dentro do navio estávamos bem protegidos, porque o navio não era alvo. Mas a partir do momento que nós saímos, nós ficamos com um pouquinho de medo', confessou a guia, aliviada por ter superado os últimos desafios da jornada.
O Alívio do Retorno e a Mensagem de Paz
A expectativa agora se volta para o tão esperado reencontro com familiares e amigos no Brasil. O grupo, que também contava com a presença de turistas de outras nacionalidades como Itália, Portugal e França, embarcou em um voo de Dubai. A rota de retorno prevê uma conexão em Barcelona, na Espanha, de onde seguirão para o destino final. A notícia da partida trouxe um imenso alívio aos entes queridos que acompanhavam a angustiante situação.
'Estamos muito felizes porque estamos saindo da zona de risco daqui de Dubai. Quero acalmar o coração dos paranaenses e os familiares dos que estão aqui. Estamos voltando, graças a Deus, seguros. Vamos deixar para trás tudo o que a gente viveu aqui. Em breve estaremos desembarcando no Brasil', celebrou Cristina Strik, expressando o sentimento de um grupo que, após semanas de incerteza e medo, finalmente respira aliviado com a perspectiva de retornar para casa e colocar um ponto final nesta inesperada e desafiadora experiência internacional.
Fonte: https://g1.globo.com