O setor de serviços brasileiro, que engloba uma vasta gama de atividades desde o turismo e restaurantes até tecnologia da informação, registrou um recuo de 0,4% em maio. Esse resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal de Serviços, foi significativamente influenciado pelo desempenho negativo do segmento de transportes.
A queda veio aquém das expectativas de mercado, que projetavam um intervalo entre -0,3% e 0,6%, com uma mediana de 0,0%, conforme dados da Secretaria da Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. O desempenho ressalta a desaceleração em um setor vital para a economia nacional.
Panorama Geral e Comparações Históricas
Apesar do declínio mensal, o setor de serviços ainda mostra resiliência em análises de longo prazo. Na comparação com maio do ano passado, houve um crescimento modesto de 0,4%. O acumulado de janeiro a maio avançou 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando uma trajetória de expansão ao longo do primeiro semestre.
Entretanto, a taxa de crescimento acumulada em 12 meses apresentou uma desaceleração. Em maio, o avanço foi de 2,6%, inferior aos 2,9% registrados em abril. Mesmo com o recente recuo, o setor permanece 19,6% acima do nível pré-pandemia de COVID-19 (fevereiro de 2020), embora esteja 0,5% abaixo do seu pico histórico, atingido em outubro de 2024.
O Efeito Dominó dos Transportes
O principal motor da queda em maio foi o segmento de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que recuou 1%. Este grupo possui um peso substancial de 33,67% na pesquisa, tornando seu desempenho crucial para o resultado geral. O analista da pesquisa, Rodrigo Lobo, destacou que a menor receita observada em empresas de transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de carga e de logística foi a principal responsável por essa retração.
Especificamente, o volume de transporte de passageiros sofreu uma retração de 1,3% em maio na comparação com o mês anterior. O transporte de cargas também registrou variação negativa, caindo 0,2% no mesmo período, completando o cenário de desaceleração no setor.
Desempenho por Categorias e Pontos de Destaque
Dos cinco grupos de atividades investigados pelo IBGE, apenas dois apresentaram queda na passagem de abril para maio: os Transportes, já detalhados, e Outros serviços, que recuaram 1,9%. Em contrapartida, os Serviços profissionais, administrativos e complementares se destacaram com um avanço de 2%.
Um ponto de otimismo foi o desempenho dos Serviços prestados às famílias, que cresceram 0,2%, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2014. Rodrigo Lobo atribui essa evolução positiva a variáveis econômicas favoráveis, como o baixo desemprego, a elevação da massa de rendimentos e o controle dos níveis de preços no país. O segmento de Serviços de informação e comunicação manteve-se estável, sem variação.
Índice de Atividades Turísticas: Flutuações e Recuperação
A Pesquisa Mensal de Serviços também monitora o Índice de Atividades Turísticas (Iatur), que registrou um recuo de 0,4% em maio, na comparação com o mês imediatamente anterior. Apesar dessa queda pontual, o índice acumula uma expansão de 1,7% nos últimos 12 meses, demonstrando uma tendência de recuperação mais ampla.
Atualmente, as atividades turísticas se encontram 10,8% acima do patamar pré-pandemia. Contudo, ainda estão 2,5% abaixo do seu nível mais elevado, registrado em dezembro de 2024. O Iatur abrange 22 das 166 atividades de serviços investigadas, incluindo hotéis, agências de viagens, bufês e transporte aéreo de passageiros, e consolida informações de 17 unidades da federação.
Em suma, o setor de serviços em maio reflete uma dinâmica de desaceleração pontual, principalmente puxada pela performance dos transportes, mesmo com segmentos como os serviços às famílias mostrando força. A continuidade do processo de recuperação pós-pandemia, com o setor operando acima dos níveis de 2020, mas ainda distante de seus picos mais recentes, indica um cenário de ajustes e reacomodações na economia brasileira.