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Sanepar reduz pressão da água em cidades do litoral do Paraná

G1

As cidades de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná, no litoral paranaense, enfrentam um período desafiador no que tange ao abastecimento de água durante a alta temporada de verão. A empresa de saneamento local anunciou, recentemente, a implementação de uma estratégia de redução de pressão na distribuição em horários de pico de consumo. A medida, que já gera transtornos para moradores e turistas, visa principalmente recuperar os níveis dos reservatórios e garantir que a água tratada, produzida em volume máximo, possa abastecer a demanda crescente. A estimativa é que a região receba mais de 3 milhões de pessoas nesta temporada, intensificando a necessidade de gestão hídrica. Embora a redução de pressão possa causar interrupções temporárias, a companhia defende que a ação é essencial para evitar colapsos maiores no sistema e assegurar um fornecimento mais estável, apesar das adversidades. A situação levanta discussões sobre a infraestrutura e o planejamento para o verão.

A estratégia da Sanepar e o cenário de alta demanda

A decisão de reduzir a pressão na rede de distribuição de água nas principais cidades do litoral paranaense foi anunciada como uma medida preventiva e estratégica pela empresa responsável pelo saneamento básico da região. O plano, que já está em vigor, foca nos momentos de maior uso, como o período do almoço e o final da tarde, quando veranistas e moradores retornam das praias e intensificam o consumo em torneiras e chuveiros. Este ajuste temporário na pressão é justificado pela necessidade premente de reequilibrar os níveis dos reservatórios. Apesar de a produção de água tratada estar operando em sua capacidade máxima, o volume de consumo durante a temporada excede a velocidade de recuperação dos estoques.

A empresa esclareceu que a redução de pressão, embora possa levar a interrupções pontuais no fornecimento em algumas áreas específicas dos municípios de Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná, é um mecanismo para evitar cenários de escassez mais graves e generalizadas. O objetivo é mitigar o risco de cortes totais e prolongados, garantindo assim uma distribuição mais contínua, mesmo que com menor intensidade em determinados horários. A alta afluência de turistas, com a expectativa de mais de 3 milhões de visitantes neste verão, somada às altas temperaturas registradas na região, cria um ambiente de demanda hídrica sem precedentes, colocando à prova a capacidade do sistema de abastecimento local.

Detalhes da operação e justificação

Os horários escolhidos para a redução de pressão não são aleatórios. Eles correspondem aos picos de consumo diários, onde a utilização simultânea de água atinge seu ápice. Essa gestão de fluxo é uma tentativa de dar tempo para que os reservatórios se reponham, mesmo com a produção em volume máximo. A empresa enfatiza que a medida, por mais incômoda que seja para a população, serve como um escudo contra problemas de abastecimento de maiores proporções. Interrupções temporárias e localizadas são consideradas um “mal menor” diante da possibilidade de um colapso completo do sistema, que afetaria um número muito maior de pessoas por períodos mais longos. A transparência na comunicação da estratégia busca informar a população sobre a finalidade dessas ações e a importância da colaboração no uso consciente da água.

Crise hídrica em Guaratuba: o drama dos moradores e comerciantes

Enquanto a estratégia de redução de pressão busca evitar problemas maiores, a realidade em Guaratuba, uma das cidades afetadas, já se mostrava dramática antes mesmo do anúncio oficial da empresa de saneamento. Moradores relataram estar sem água há dias, enfrentando uma situação precária que os levou a buscar alternativas incomuns para tarefas básicas do dia a dia. A bica de água potável se tornou um ponto de encontro e salvação, onde famílias se dirigiam para coletar água para cozinhar, lavar louça e até mesmo para o banho. A situação de desabastecimento em Guaratuba começou a se agravar significativamente a partir de 23 de dezembro, escalando para uma interrupção total a partir do sábado, 27 de dezembro.

A crise atingiu um ponto crítico na segunda-feira, 29 de dezembro, quando o rompimento de uma adutora – uma tubulação essencial que transporta água da estação de tratamento para os reservatórios da cidade – comprometeu ainda mais o abastecimento. Este incidente mecânico somou-se ao já elevado consumo da temporada, mergulhando a cidade em um verdadeiro caos hídrico. A combinação de altas temperaturas, que chegaram a 33°C com sensação térmica de 41,4°C, conforme dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), e a ausência de água corrente, transformou a rotina dos guaratubanos e visitantes em um pesadelo.

Testemunhos e consequências econômicas

O impacto da crise hídrica em Guaratuba transcendeu o desconforto diário, gerando sérias repercussões econômicas. Veranistas, frustrados com a falta de infraestrutura básica, foram compelidos a desistir de suas estadias no litoral, cancelando diárias e reservas previamente feitas. Este cenário de desistências impactou diretamente o setor de turismo, vital para a economia local durante o verão. Maria Clara Líbano, que gerencia o aluguel de apartamentos para turistas, descreveu a situação como insustentável. “Os hóspedes chegam e já querem voltar para casa. Quatro dias sem água é inaceitável. A única informação que recebemos é sobre um problema na adutora, sem previsão de solução. Já solicitei caminhão-pipa, mas há famílias com crianças e idosos aguardando sem qualquer resposta concreta”, lamentou Maria Clara, evidenciando o desespero de quem depende do turismo.

A situação não foi menos desafiadora para o comércio. Diversos estabelecimentos foram forçados a fechar temporariamente as portas, mesmo em um período de grande movimento. Sandra Mara, uma empresária do ramo alimentício, exemplificou o dilema: “Resolvemos fechar a partir de hoje. É um dia de grande movimento, a cidade está super cheia. Servimos café, mas estamos com muita louça e sem condições de operar. Voltaremos apenas em 3 de janeiro. Nos preparamos para este momento, aumentamos a equipe, estocamos suprimentos, mas, infelizmente, hoje estamos limitados ao que já nos comprometemos. Pedimos desculpas aos nossos clientes.” A interrupção dos negócios em pleno auge da temporada representa perdas financeiras consideráveis e um futuro incerto para muitos comerciantes que investiram pesado na expectativa de um verão próspero. A crise hídrica se tornou, assim, um problema de saúde pública, social e econômica.

Perspectivas e desafios futuros

A situação do abastecimento de água no litoral paranaense durante a alta temporada evidencia a complexidade de gerenciar recursos hídricos em regiões de grande fluxo populacional. As medidas adotadas pela empresa de saneamento, embora visem minimizar danos maiores, sublinham a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura e planejamento estratégico de longo prazo. O verão, com sua combinação de calor intenso e a chegada massiva de turistas, sempre será um teste para os sistemas de abastecimento.

O drama vivido em Guaratuba, com a dependência de bicas e o impacto negativo no turismo e comércio, serve como um alerta para a urgência em fortalecer a resiliência dos sistemas hídricos. A pronta reparação de adutoras e a garantia de um plano de contingência eficaz são cruciais para evitar que tais cenários se repitam. A conscientização da população sobre o uso racional da água, aliada a uma infraestrutura robusta, será fundamental para que as cidades litorâneas possam desfrutar de um futuro mais seguro e sustentável no que diz respeito ao abastecimento essencial.

Perguntas frequentes sobre o abastecimento de água no litoral do Paraná

1. Quais cidades do litoral paranaense são afetadas pela redução de pressão da água?
As cidades afetadas pela estratégia de redução de pressão da água são Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná.

2. Qual o principal motivo para a empresa de saneamento adotar a redução de pressão?
O principal motivo é recuperar os níveis dos reservatórios de água, que são fortemente demandados durante os horários de pico de consumo na alta temporada, e evitar interrupções de abastecimento de maiores proporções.

3. Quais foram as consequências mais evidentes da falta de água em Guaratuba?
Em Guaratuba, a falta de água levou moradores a buscar água em bicas para necessidades básicas, causou o cancelamento de estadias por turistas e forçou o fechamento temporário de estabelecimentos comerciais, gerando prejuízos econômicos significativos.

4. A empresa de saneamento está produzindo água tratada em volume suficiente?
Sim, a empresa afirma que está produzindo água tratada no volume máximo de sua capacidade, mas o consumo excessivo nos horários de pico e falhas pontuais na infraestrutura (como o rompimento de uma adutora em Guaratuba) dificultam a manutenção dos níveis dos reservatórios.

Para informações detalhadas e atualizações em tempo real sobre o abastecimento de água em sua localidade, consulte os canais oficiais da empresa de saneamento e colabore com o uso consciente dos recursos hídricos.

Fonte: https://g1.globo.com

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