Um caso de violência doméstica que ganhou notoriedade pela peculiaridade de seu agendamento judicial no Paraná sofreu uma reviravolta significativa. O julgamento do empresário Marcos Eduardo Rosa dos Santos, popularmente conhecido como "Repórter Sassá", que havia sido adiado por quase dois anos devido a um jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, foi remarcado e antecipado. A decisão veio à tona após a repercussão da situação na mídia, levando o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) a alegar um "erro material" no processo.
O Adiamento Inusitado e a Correção do TJ-PR
Inicialmente, a audiência estava prevista para uma segunda-feira, 29 de abril de 2026, coincidentemente no mesmo dia em que o Brasil enfrentaria o Japão em um confronto pela Copa do Mundo. Uma decisão judicial subsequente, fundamentada no Decreto Judiciário nº 308/2026-TJPR que suspende o expediente forense em dias de jogos da Seleção, surpreendentemente adiou o caso para 29 de abril de 2028, um lapso de exatos um ano e dez meses. Esta postergação gerou questionamentos sobre a prioridade de um evento esportivo frente a um crime de violência de gênero.
Contudo, a publicidade dada ao caso pelo g1 motivou uma reavaliação. Em uma nova decisão, emitida poucos dias após a matéria, o Tribunal de Justiça do Paraná retificou o cronograma, afirmando que o extenso adiamento "decorreu de erro material na inserção de documentos pelo sistema virtual". Com isso, o julgamento foi antecipado para a tarde de 12 de novembro de 2026. Todo o trâmite de reajuste ocorreu no 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Ponta Grossa.
Detalhes do Incidente e as Acusações Contra 'Repórter Sassá'
O réu, Marcos Eduardo Rosa dos Santos, é proprietário de uma página de notícias policiais e conhecido em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. As agressões, que ocorreram em junho de 2025, foram registradas por uma câmera de segurança, mostrando-o agredindo sua ex-namorada e arremessando o celular dela ao chão. Tais imagens foram cruciais para a denúncia e o início do processo.
Atualmente, Marcos Eduardo responde por crimes de lesão corporal e dano ao patrimônio, ambos direcionados à ex-namorada. Além disso, ele é acusado de descumprimento de medida protetiva imposta em favor da mãe da vítima, o que agrava a situação processual.
O Relato da Vítima: Um Histórico de Ameaças e Agressões
A vítima, de 28 anos, prestou depoimento à polícia, revelando um padrão de comportamento ameaçador por parte de Sassá, que não aceitava o término do relacionamento. Em entrevista a uma afiliada da TV Globo, ela detalhou um relacionamento de aproximadamente sete anos, com um período de coabitação, e que o casal havia se separado há cerca de duas semanas antes do incidente.
A mulher também descreveu um histórico de agressões, tanto físicas quanto verbais, que ela optou por não denunciar anteriormente devido às intimidações do ex-companheiro. Segundo seu relato, ele frequentemente se vangloriava de ter influência e contatos em diversas esferas, incluindo a policial, o que a fazia sentir que sua palavra seria desacreditada. Marcos Eduardo Rosa dos Santos foi preso em 22 de junho de 2025, um domingo, mas obteve liberdade provisória no dia seguinte, após audiência de custódia.
A Manifestação da Defesa
Em nota divulgada pelo advogado Fernando Madureira, que representa Marcos Eduardo Rosa dos Santos, a defesa ressaltou que, à época dos fatos, o réu "manifestou seu sincero arrependimento pelo ocorrido, reconheceu a gravidade da situação e apresentou suas desculpas públicas à vítima". A nota também menciona que "Sassá" adotou providências para reparar o dano material causado e enfatiza que o episódio é tido como um "ato único e isolado", incompatível com o histórico de vida do acusado, que não possui antecedentes criminais.
O comunicado reiterou o respeito do acusado pela vítima, expressou profundo lamento pelo episódio e afirmou a disposição dele em colaborar com as autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos.
Perspectivas do Processo
A antecipação do julgamento, motivada pela exposição midiática e a subsequente admissão de erro por parte do TJ-PR, destaca a importância da vigilância e da transparência no sistema judicial. O caso continua a ser acompanhado, com a expectativa de que o processo siga seu curso de forma justa e célere, abordando as graves acusações de violência doméstica e descumprimento de medida protetiva.
Fonte: https://g1.globo.com