Uma professora de Londrina, no norte do Paraná, foi detida na madrugada desta sexta-feira (10) sob a acusação de matar seu companheiro, Maycon Danilo Argman, de 39 anos, com uma facada. Fernanda Gomes Campano, de 34 anos, teria agido durante uma discussão, conforme informou à Polícia Militar. O caso, marcado por uma complexa sequência de eventos capturada por câmeras de segurança e alegações de violência doméstica, agora se desenrola sob investigação, com a defesa da acusada sustentando que a ação foi em legítima defesa.
A Sequência dos Fatos e a Descoberta do Corpo
Câmeras de segurança do edifício registraram o casal chegando ao apartamento por volta das 23h29 da noite anterior ao crime. As imagens mostram Fernanda e Maycon em conversa inicial, mas um minuto depois, a dinâmica muda. Maycon retorna ao elevador, e Fernanda o segue, sendo empurrada pelo companheiro. Após um breve desentendimento no corredor, ambos entram no apartamento, encerrando o registro visual direto da interação antes do incidente fatal.
Já no início da madrugada, às 00h46, as câmeras capturam Fernanda saindo do imóvel sozinha. Ela se dirige à porta de um vizinho, batendo para pedir ajuda. Em seguida, um homem abre a porta e acompanha Fernanda até o apartamento do casal. Segundo o delegado Ernandes Alves, quando o vizinho chegou, Maycon já estava sem vida. Pouco tempo depois, as autoridades policiais foram acionadas e compareceram ao local do crime para iniciar as investigações.
A Versão da Acusada e o Histórico de Violência
Em seu primeiro contato com a Polícia Militar, Fernanda Gomes Campano admitiu ter esfaqueado Maycon durante uma briga. Ela narrou que havia ido buscar o companheiro em um bar, e ao retornarem para casa, uma discussão se iniciou. De acordo com seu relato inicial, Maycon manifestou a intenção de voltar ao bar, o que levou Fernanda a trancar a porta e retirar a chave. A professora alegou que Maycon então investiu contra ela para retomar a chave, e ela o advertiu sobre estar com uma faca. Mesmo assim, ele teria persistido na agressão, momento em que ela o atingiu no abdômen.
Posteriormente, em depoimento formal na delegacia, Fernanda optou por não detalhar o motivo específico do esfaqueamento, reservando-se o direito de explicá-lo em juízo. Contudo, ela informou que o relacionamento com Maycon durava um ano e que moravam juntos. Na mesma ocasião, a professora relatou ter sido vítima de violência doméstica por Maycon em pelo menos três ocasiões, apresentando imagens que supostamente comprovariam as lesões, embora não houvesse boletins de ocorrência registrados. Ela mencionou que Maycon era usuário de drogas e já havia causado problemas anteriormente.
A Perspectiva da Defesa e o Contexto Jurídico
Os advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, que representam Fernanda Gomes Campano, emitiram uma nota oficial defendendo a tese de legítima defesa. Eles afirmam que a trágica ocorrência foi um ato de sobrevivência por parte de Fernanda, motivado por um histórico de violência doméstica. A defesa sustenta que a professora agiu para repelir uma agressão física iminente iniciada por seu companheiro. Os defensores expressaram confiança de que o Poder Judiciário aplicará o Protocolo de Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), reconhecendo que o caso envolve uma mulher que lutou para não engrossar as estatísticas de feminicídio no país.
Desdobramentos e Situação Atual
Fernanda Gomes Campano, que atuava como professora temporária na rede municipal de ensino de Londrina, permanece detida na Cadeia Pública da cidade enquanto as investigações prosseguem. A Prefeitura de Londrina, em resposta ao ocorrido, já informou que procederá com o encerramento do contrato de trabalho da professora, dado o envolvimento no grave incidente. O caso segue sob análise das autoridades, aguardando os próximos passos do processo judicial para determinar as circunstâncias exatas e as responsabilidades pela morte de Maycon Danilo Argman.
Fonte: https://g1.globo.com