A Polícia Civil do Paraná realizou a prisão de três homens suspeitos de envolvimento em um brutal assalto a caminhão que culminou na trágica morte de seis pessoas. O incidente ocorreu na madrugada da última segunda-feira (5), na rodovia BR-116, na altura de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Os detidos são apontados como parte de um grupo criminoso responsável pelo roubo de uma carreta que, durante a ação, tombou sobre uma van, ceifando a vida de seis passageiros que retornavam de um culto religioso. A investigação conjunta de diversas forças policiais levou à identificação e captura dos indivíduos, que agora enfrentam acusações graves, incluindo roubo, latrocínio e associação criminosa. A complexidade do caso e o alto número de vítimas chocaram a comunidade local e mobilizaram um intenso trabalho das autoridades.
A prisão dos envolvidos e as acusações
Detalhes das capturas
As prisões dos três homens suspeitos foram efetuadas na última terça-feira (6), em uma operação coordenada pela Polícia Civil do Paraná. Os indivíduos são considerados peças-chave no violento assalto à carreta que resultou em um dos acidentes mais fatais registrados recentemente na região. Embora os nomes dos presos não tenham sido oficialmente divulgados pelas autoridades, a polícia informou que as capturas ocorreram em diferentes locais: um dos suspeitos foi detido na cidade de São José dos Pinhais, enquanto os outros dois foram localizados e presos em Campina Grande do Sul, ambos municípios da Região Metropolitana de Curitiba.
Histórico criminal dos suspeitos
A análise do histórico dos detidos revelou um preocupante padrão de antecedentes criminais. Um dos homens já possuía passagens anteriores pela polícia por crimes relacionados à receptação de carga roubada e tráfico de drogas, indicando uma possível especialização em delitos envolvendo cargas. Outro suspeito, por sua vez, respondia a um processo por homicídio e, no momento da prisão, utilizava uma tornozeleira eletrônica, um dispositivo de monitoramento judicial. Além das prisões, as equipes policiais apreenderam diversos materiais que estavam em posse dos criminosos no instante do assalto, bem como o veículo utilizado pelo grupo para a execução do crime, elementos cruciais para o avanço da investigação.
A dinâmica do assalto e a tragédia na BR-116
O plano criminoso
O roubo que culminou na tragédia ocorreu na madrugada de segunda-feira (5). Segundo as investigações, os criminosos agiram com um plano audacioso: utilizaram um caminhão para bloquear a passagem da carreta que transportava queijos, na BR-116. Após interceptar o veículo, os assaltantes renderam o motorista e tentaram manobrá-lo para realizar um retorno. Contudo, a ação criminosa foi frustrada por um sistema de bloqueio remoto do próprio caminhão. Ao desviar da rota pré-programada, o veículo parou de funcionar automaticamente, impossibilitando sua movimentação.
A queda fatal
Diante do bloqueio inesperado do caminhão, os criminosos tomaram uma decisão desesperada e fatal. Com o objetivo de fazer o veículo tombar no acostamento e, assim, facilitar o roubo da carga de queijos, os assaltantes soltaram o freio. A manobra resultou em um descontrole total: o caminhão desceu de ré pela via, caindo violentamente sobre uma van que trafegava na rodovia. A van transportava um grupo de fiéis da cidade de Campo Largo, que estavam retornando de um culto religioso realizado em São Paulo. O impacto foi devastador, resultando na morte instantânea de seis ocupantes da van. Fernando Oliveira, Superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Paraná, descreveu a ocorrência como uma das mais violentas na história das rodovias federais do estado, lamentando a morte de seis pessoas inocentes que não tinham qualquer ligação com a ação criminosa.
Duplo roubo e a confissão no local
A sequência dos crimes
A investigação revelou que o grupo de criminosos não havia roubado apenas o caminhão de queijos naquela noite. A Polícia Civil confirmou que dois caminhões foram alvos da quadrilha na mesma madrugada. O primeiro veículo roubado estava carregado com eletrônicos e foi, inclusive, utilizado pelos assaltantes para “fechar” e abordar o segundo caminhão – o de queijos – que viria a tombar. Câmeras de segurança da rodovia registraram momentos da abordagem e da movimentação do primeiro caminhão, corroborando a versão dos fatos. O motorista do primeiro caminhão foi mantido refém durante a ação.
O relato do motorista e a decisão fatal
O motorista do caminhão de queijos, que sobreviveu à ação, forneceu detalhes cruciais sobre os momentos que precederam a tragédia. Segundo ele, os criminosos tentaram repetidamente desbloquear o compartimento de carga do veículo, mas o sistema de abertura era exclusivamente remoto, o que impossibilitava o acesso manual. Frustrados com a impossibilidade de abrir o baú, os assaltantes teriam se irritado. “Então vamos soltar para ele tombar e poder saquear”, teria dito um dos criminosos, conforme o relato da vítima ao delegado André Feltes. O motorista afirmou não ter como atender às exigências dos bandidos, o que levou a uma ameaça ainda mais grave: “Então agora vocês vão ver o que é bom”, teria respondido um dos criminosos. Antes de soltar o freio de mão do caminhão, os assaltantes desligaram os faróis do veículo. Essa ação, explicou o delegado Feltes, tinha como objetivo não chamar a atenção de outros motoristas, mas foi determinante para o acidente, pois impediu que o condutor da van visse o caminhão se movimentando na escuridão.
As vítimas da tragédia
A despedida
As seis vítimas fatais da tragédia foram veladas e sepultadas na mesma terça-feira em que as prisões foram efetuadas, um dia após o terrível acidente. A comoção foi imensa, e um velório coletivo reuniu amigos e familiares de quatro das vítimas no Ginásio Municipal de Campo Largo, cidade de onde o grupo de fiéis havia partido. As outras duas vítimas também foram veladas em locais distintos. A comunidade de Campo Largo e São Paulo, de onde retornavam, lamentou profundamente as perdas. As identidades das vítimas foram confirmadas: Andreia Fagundes (48 anos); Ivanir Maziero (66 anos), que era o motorista da van; Airton de Mattos (92 anos); Idezio Simão da Silva (62 anos); Cleide Salvador Machado da Silva (61 anos); e Adriana da Silva Machado (42 anos).
A força-tarefa de investigação
Esforço conjunto
O sucesso na identificação e prisão dos suspeitos foi fruto de um intenso e coordenado trabalho entre diversas forças de segurança. A investigação contou com a participação ativa da Guarda Municipal de Campina Grande do Sul, da Polícia Militar do Paraná, da Polícia Civil do Paraná e da Polícia Rodoviária Federal. A colaboração entre esses órgãos foi fundamental para desvendar a dinâmica complexa do crime, reunir evidências e levar os responsáveis à justiça em tempo recorde, dada a gravidade e o impacto social da ocorrência.
Desfecho e repercussões de um crime violento
A prisão dos três suspeitos representa um passo crucial na elucidação de um dos mais graves crimes registrados nas rodovias paranaenses, que resultou em uma tragédia sem precedentes para seis famílias. A celeridade da resposta policial, através de uma força-tarefa integrada, demonstra o empenho das autoridades em combater a criminalidade e garantir a segurança nas vias. As acusações de roubo, latrocínio e associação criminosa refletem a seriedade dos atos, e os antecedentes criminais de parte dos detidos reforçam a periculosidade do grupo. Enquanto a justiça segue seu curso, o episódio serve como um doloroso lembrete dos riscos enfrentados nas rodovias e da necessidade contínua de vigilância e ação coordenada contra o crime organizado, com a esperança de que os responsáveis sejam devidamente penalizados e tragédias como essa possam ser evitadas no futuro.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Quem são os suspeitos presos e quais acusações eles enfrentam?
Foram presos três homens suspeitos de envolvimento no assalto. Seus nomes não foram divulgados, mas eles são acusados de roubo, latrocínio (roubo seguido de morte) e associação criminosa. Um deles tinha histórico por receptação de carga e tráfico, e outro por homicídio, usando tornozeleira eletrônica.
2. Como o assalto à carreta resultou na morte das seis pessoas?
Os criminosos tentaram roubar uma carreta, que parou devido a um sistema de bloqueio remoto. Para forçar o tombamento do veículo e roubar a carga, eles soltaram o freio. A carreta desceu de ré, caindo sobre uma van que passava no momento, causando a morte das seis vítimas.
3. Quem eram as vítimas da tragédia?
As seis vítimas eram fiéis de Campo Largo que retornavam de um culto em São Paulo. Elas foram identificadas como Andreia Fagundes (48 anos), Ivanir Maziero (66 anos, motorista), Airton de Mattos (92 anos), Idezio Simão da Silva (62 anos), Cleide Salvador Machado da Silva (61 anos) e Adriana da Silva Machado (42 anos).
4. Quais órgãos de segurança participaram da investigação e das prisões?
A investigação e as prisões foram resultado de um trabalho conjunto e coordenado entre a Guarda Municipal de Campina Grande do Sul, a Polícia Militar do Paraná, a Polícia Civil do Paraná e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Para se manter atualizado sobre a segurança nas estradas e os desdobramentos deste caso, continue acompanhando as notícias de fontes confiáveis.
Fonte: https://g1.globo.com