Uma controvérsia diplomática e digital tomou conta da fronteira paraguaia com o Brasil, mais precisamente em Cidade do Leste, após a exibição de uma montagem gráfica do ex-presidente Jair Bolsonaro agredindo o jogador paraguaio Gustavo Gómez em telões publicitários. O incidente provocou uma onda de indignação local e uma rápida reação das autoridades, resultando na desativação dos painéis e na promessa de uma fiscalização rigorosa sobre a publicidade em rodovias do país.
O Conteúdo da Montagem e a Reação Popular
Pelo menos três painéis na região fronteiriça exibiram, por aproximadamente uma hora, uma imagem controversa que mostrava Jair Bolsonaro sentado sobre as costas de Gustavo Gómez, puxando seus cabelos. A montagem era acompanhada de provocações como "Brasil mandou e desmandou no campo e na política" e "o Hexa é nosso", mesclando rivalidade futebolística com insinuações políticas. A exibição gerou forte repulsa entre os moradores, culminando na destruição física de um dos telões por populares, com a intervenção da polícia local para evitar confrontos maiores e garantir a segurança pública.
A Resposta Enérgica das Autoridades Paraguaias
Diante da repercussão negativa, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, utilizou suas redes sociais para anunciar a determinação de retirada imediata dos telões envolvidos no incidente. Em paralelo, a prefeitura de Cidade do Leste agiu prontamente, iniciando uma investigação administrativa para identificar os responsáveis pela divulgação da imagem ofensiva. Além disso, formalizou uma denúncia junto à Fiscalía, o órgão equivalente ao Ministério Público brasileiro, buscando apurar as responsabilidades criminais pela veiculação do conteúdo.
Fiscalização de Painéis e a Lei de Publicidade em Rodovias
A polêmica impulsionou uma ação mais ampla do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai. A pasta anunciou a retirada de diversos painéis publicitários considerados irregulares, instalados às margens das rodovias nacionais. O MOPC esclareceu que, conforme a Lei nº 5.016/2014, não é permitida a instalação de estruturas publicitárias na faixa de domínio das rodovias, uma área de responsabilidade do Estado. A legislação visa coibir elementos que possam comprometer a visibilidade dos motoristas ou representar riscos à segurança viária. O ministério afirmou manter processos administrativos e judiciais para garantir a remoção de todas as instalações em desacordo com a lei, apesar de, em alguns casos, enfrentar atrasos devido a decisões judiciais.
Empresas Atribuem Incidente a Ataque Cibernético e Investigam
As empresas responsáveis pelos telões, Fast Print e Publimix, alegaram em nota que seus sistemas foram alvo de uma invasão hacker, resultando na divulgação do conteúdo por meio de uma "manipulação não autorizada" das telas publicitárias. Ambas afirmaram estar cooperando com as autoridades competentes e com especialistas técnicos para esclarecer os fatos, identificar os autores da invasão e determinar as responsabilidades. Uma denúncia criminal formal já foi apresentada à Promotoria de Crimes Cibernéticos no Paraguai. Uma terceira empresa, New Zone, também se manifestou, negando qualquer participação na divulgação do conteúdo e solicitando esclarecimentos imediatos à empresa responsável pelos anúncios.
Embora os painéis estivessem desligados no sábado subsequente à controvérsia, até a última atualização da reportagem, as empresas não haviam se pronunciado sobre as circunstâncias exatas da desativação. A autoria da montagem e a identidade dos invasores do sistema ainda permanecem desconhecidas, com as investigações em curso para elucidar completamente o ocorrido e evitar futuros incidentes dessa natureza.
Fonte: https://g1.globo.com