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Moradores, comerciantes e turistas enfrentam falta de água em Guaratuba

G1

Guaratuba, um dos destinos mais procurados no litoral paranaense, tem enfrentado uma grave crise de abastecimento de água que afeta milhares de pessoas durante a alta temporada. Residentes, empresários e veranistas deparam-se, há dias, com a ausência de água nas torneiras, uma situação agravada pelo rompimento de uma adutora principal. Em um período em que a população da cidade salta de 42.062 habitantes para cerca de 500 mil turistas, a falta de água em Guaratuba impacta diretamente a rotina e a economia local. Temperaturas elevadas, com sensação térmica acima dos 41°C, intensificam o desconforto e a urgência para a normalização do serviço essencial.

Crise hídrica afeta Guaratuba na alta temporada

A falta de água em Guaratuba tem gerado transtornos significativos para toda a comunidade. Desde o sábado (27), moradores relatam interrupções no fornecimento, mas a situação escalou dramaticamente na segunda-feira (29), quando o rompimento de uma adutora que transporta água da estação de tratamento para os reservatórios da cidade paralisou o abastecimento em diversas áreas. Este incidente, ocorrendo no auge da temporada de verão, expôs a vulnerabilidade da infraestrutura hídrica diante de uma demanda massiva. A sensação térmica de 41,4°C, em um dia de 33°C, conforme dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), tornou a escassez ainda mais insuportável para os afetados.

Impacto em moradores e na economia local

Os relatos dos moradores pintam um quadro de frustração e exaustão. Leda Bianca Martins, residente local, expressou sua indignação com a recorrência do problema: “A gente sabe que na temporada é comum, só que é algo que a gente não deve normalizar, não deve achar que é normal ficar sem água. Trabalhar o dia todo, chegar em casa, e não ter água nem para tomar um banho. Não sai uma gota de água. É bem complicado”. Essa perspectiva reflete o sentimento de muitos que se sentem desamparados pela interrupção de um serviço básico.

Além do impacto direto na qualidade de vida dos residentes, a economia da cidade sofre um duro golpe. Comerciantes, muitos dos quais dependem da temporada de verão para sustentar seus negócios, viram-se obrigados a fechar as portas temporariamente. A expectativa de lucro, que impulsiona investimentos e gera empregos temporários, transforma-se em prejuízo. Maria Clara Líbano, que aluga apartamentos para turistas, testemunha a desistência de hóspedes: “Os hóspedes chegam e já querem voltar para casa. Realmente está insustentável a situação, quatro dias sem água. A única coisa que a Sanepar informa é que houve um problema em uma adutora e ainda não tem solução. Já fiz o pedido de caminhão-pipa, pedi água, são famílias com crianças e idosos aguardando”.

Diante da inação percebida, os moradores organizaram um protesto em frente à sede da Sanepar, buscando uma resposta e a resolução urgente do problema. A prefeitura de Guaratuba também agiu, com o prefeito marcando uma reunião de emergência com a direção da companhia para cobrar a normalização do serviço e discutir medidas para evitar futuras ocorrências.

Sanepar mobiliza força-tarefa para reparo de adutora

O rompimento da adutora, identificado pela Sanepar na noite de segunda-feira (29), desencadeou uma resposta emergencial por parte da companhia. Uma força-tarefa foi prontamente mobilizada, com equipes técnicas sendo deslocadas para o local a fim de iniciar o reparo da tubulação. A empresa reconheceu a complexidade da operação, que demanda um gerenciamento meticuloso de logística e hidráulica, com a participação de especialistas de diversas áreas.

Desafios e cronograma da recuperação do abastecimento

A magnitude da interdição da adutora impôs uma série de desafios técnicos. O controle da pressão, devido ao grande volume de água transportado pela tubulação, é um dos obstáculos críticos, tanto para interromper a distribuição com segurança quanto para retomá-la gradualmente. A profundidade da tubulação, que excede um metro, exige escavações cuidadosas para evitar o rompimento de outras tubulações ou cabos subterrâneos. Adicionalmente, o peso das peças, geralmente fabricadas em ferro fundido ou outros materiais pesados, demanda equipamentos específicos e mão de obra especializada.

Fábio Basso, gerente geral da Sanepar em Curitiba, Região Metropolitana e Litoral, contextualizou a gravidade da situação: “Guaratuba nós temos 420 km de rede. São tubulações enterradas. Dentro da hidráulica, dentro do setor de saneamento, existem diversos rompimentos. O problema é que essa é uma tubulação de grande diâmetro, que faz todo o transporte da água produzida, e em um momento em que a cidade está cheia e com altas temperaturas”. A combinação de uma infraestrutura vital com as condições de alta demanda e calor intenso exacerbou o impacto do incidente.

Para acelerar o processo de reparo, a Sanepar utilizou um helicóptero para transportar os insumos essenciais até Guaratuba. A logística contou ainda com o apoio da Polícia Militar, que escoltou o caminhão carregado com as novas tubulações, garantindo sua chegada rápida ao canteiro de obras. As equipes técnicas trabalharam ininterruptamente, atravessando a madrugada e a manhã de terça-feira (30). Por volta das 13h do mesmo dia, a companhia anunciou o início da retomada gradual da distribuição de água potável em Guaratuba. A expectativa é que o abastecimento seja restabelecido progressivamente, começando pelos bairros mais próximos aos reservatórios e se expandindo para outras regiões da cidade, com previsão de conclusão até a madrugada de quarta-feira (31). Nas áreas onde o retorno pleno do serviço tende a ser mais demorado, a Sanepar informou que está utilizando reservatórios modulares e caminhões-pipa para mitigar os transtornos.

Conclusão

A crise de abastecimento de água em Guaratuba, deflagrada pelo rompimento de uma adutora em meio à alta temporada, ressaltou a importância da resiliência da infraestrutura hídrica em cidades com grande variação populacional. O episódio gerou sérios inconvenientes para moradores, prejuízos para comerciantes e frustração para turistas, evidenciando a necessidade de investimentos contínuos e planos de contingência robustos. A mobilização da Sanepar, com uma complexa força-tarefa e o uso de recursos como helicópteros e escolta policial, demonstrou o esforço para restaurar a normalidade. A resposta da comunidade, por meio de protestos e da intervenção da prefeitura, sublinha a urgência percebida e a expectativa de serviços públicos eficientes, especialmente em momentos críticos. A gradual retomada do abastecimento traz alívio, mas também a lição de que a infraestrutura deve estar preparada para picos de demanda e eventos inesperados, garantindo a qualidade de vida e a estabilidade econômica das comunidades costeiras.

Perguntas frequentes

O que causou a falta de água em Guaratuba?
A falta de água foi causada principalmente pelo rompimento de uma adutora que transporta água da estação de tratamento para os reservatórios que abastecem a cidade. O incidente ocorreu na noite de segunda-feira (29).

Quem foi mais afetado pela falta de água em Guaratuba?
Moradores, comerciantes e turistas foram amplamente afetados. A cidade, que recebe cerca de 500 mil turistas na temporada, sofreu com residências e negócios sem água, levando a fechamentos temporários e desistência de hóspedes.

Quais medidas foram tomadas para resolver o problema de abastecimento?
A Sanepar mobilizou uma força-tarefa de emergência, transportou insumos por helicóptero e contou com apoio da Polícia Militar para o reparo da adutora. Além disso, a prefeitura realizou uma reunião com a companhia para cobrar agilidade, e a Sanepar utilizou caminhões-pipa e reservatórios modulares para abastecer áreas críticas.

Quando o abastecimento de água será normalizado?
A Sanepar iniciou a retomada gradual da distribuição de água potável por volta das 13h de terça-feira (30). A expectativa é que o abastecimento seja plenamente normalizado em todas as regiões da cidade até a madrugada de quarta-feira (31).

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Fonte: https://g1.globo.com

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