A reincidência de atos violentos por parte de uma mãe contra suas duas filhas adolescentes chocou a comunidade do norte do Paraná. Em Centenário do Sul, a mulher foi detida após um novo episódio de agressão em via pública, mas a gravidade do caso é amplificada pela revelação de que ela já era alvo de uma denúncia anterior por atos semelhantes contra as mesmas vítimas. Este histórico de violência doméstica, que inclui mordidas, tapas e até uma garfada, desenha um cenário alarmante e exige a atenção contínua das autoridades para garantir a segurança das jovens.
O Histórico de Agressões: Um Processo Anterior em Andamento
A violência contra as adolescentes não é um fato isolado. Há pouco mais de um ano, em outubro de 2023, as mesmas filhas foram agredidas pela mãe em um incidente que culminou com múltiplas lesões corporais, incluindo escoriações, hematomas, uma garfada no braço, mordidas e tapas no rosto. O caso foi prontamente registrado na Polícia Civil do Paraná (PC-PR), dando início a uma investigação que já avançava no sistema judiciário.
Em junho de 2024, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) formalizou a denúncia contra a mulher pelos crimes de lesão corporal no âmbito doméstico, agravado por motivo fútil. Além das sanções penais, o MP-PR solicitou que cada uma das vítimas receba uma indenização de R$ 5 mil por danos morais, reconhecendo o sofrimento causado. A denúncia foi aceita pelo Poder Judiciário no mês seguinte, em julho de 2024, e a audiência sobre este caso anterior está prevista para ocorrer em março de 2025.
A Escalada da Violência: O Ataque em Via Pública
Apesar do processo em andamento, a mãe voltou a agredir as filhas, de 12 e 15 anos, no último dia 10 de janeiro de 2025. As agressões, desta vez registradas por câmeras de segurança, ocorreram em plena rua de Centenário do Sul, após as jovens se recusarem a acompanhar a mãe a uma festa na cidade vizinha de Jaguapitã. Durante a agressão, a mulher proferiu injúrias raciais contra uma das adolescentes, chamando-a de "macaca", o que intensificou a gravidade do ato.
Após o ataque inicial, as vítimas buscaram refúgio na casa da avó. Contudo, o drama não cessou ali. Ainda na mesma noite, a mãe encontrou as filhas e a avó em outra festa, onde as agrediu novamente e tentou forçá-las a entrar em um carro. Felizmente, as adolescentes conseguiram escapar a pé e procuraram abrigo na residência de uma conselheira tutelar, evidenciando o desespero e a busca por segurança.
A Intervenção das Autoridades e as Medidas Protetivas
No dia seguinte aos novos incidentes, a Polícia Militar (PM-PR) acompanhou as vítimas até a casa da mãe para que pudessem retirar seus pertences pessoais. No local, a agressora foi encontrada desacordada, com a polícia suspeitando de embriaguez e uso de drogas. Ao despertar, a mulher exibiu um "comportamento extremamente alterado" e chegou a ameaçar a conselheira tutelar, reforçando a percepção de um ambiente de risco iminente para as jovens.
Diante da situação de violência recorrente, já documentada pelo Conselho Tutelar em outras ocasiões em que as vítimas haviam saído de casa, a Polícia Civil e o Ministério Público representaram pela prisão preventiva da mulher. A medida foi decretada em 13 de janeiro, e a mãe permanece detida, respondendo agora pelos crimes de lesão corporal no âmbito doméstico e injúria racial referentes ao episódio mais recente. Em 20 de janeiro, o MP-PR apresentou mais uma denúncia contra a mulher, consolidando a série de acusações.
Como medida protetiva imediata, as adolescentes foram transferidas para outra cidade, onde estão sob os cuidados da avó, afastadas do ambiente de violência. O sistema de justiça e proteção à criança e ao adolescente segue atuando para garantir a segurança e o bem-estar das jovens, enquanto os processos contra a mãe avançam nas esferas criminal e civil.
Fonte: https://g1.globo.com