A Polícia Civil do Paraná concluiu uma minuciosa investigação em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, que culminou no indiciamento de um jovem de 26 anos por estelionato. O caso, marcado por extrema manipulação, envolveu a aproximação calculista do suspeito a um aposentado de 59 anos, forjando uma amizade com o objetivo de contrair dívidas que, somadas, chegam a aproximadamente R$ 72 mil em nome da vítima. O inquérito, finalizado nesta quinta-feira (2), detalha a complexa teia de fraudes que foi desvendada.
A Construção da Falsa Confiança
Conforme apurado pelo delegado Gabriel Munhoz, o jovem agiu com premeditação ao "utilizar-se de extrema manipulação para conquistar a confiança" do aposentado. A estratégia de aproximação se deu sob o pretexto de realizar uma pequena reforma no banheiro da casa do pai da vítima, um elo que facilitou o estreitamento dos laços. Para solidificar essa falsa amizade e criar um ambiente de segurança, o investigado chegou a convidar o homem mais velho para atividades de lazer, como pescarias, momento em que a vulnerabilidade da vítima era explorada para a progressão do golpe.
O Mecanismo da Fraude Financeira
A exploração da confiança se intensificava em momentos de distração. Aproveitando-se da falta de familiaridade do aposentado com a tecnologia, o suspeito solicitava o celular da vítima, frequentemente desbloqueado, sob a desculpa de "tirar fotos". Essa brecha permitia ao golpista acessar o aparelho e, sorrateiramente, abrir contas em bancos digitais e realizar diversas contratações de empréstimos em nome do homem. Um dos exemplos identificados foi um empréstimo de R$ 25 mil, que gerou uma dívida parcelada em 96 vezes de R$ 590. Todo o montante obtido de forma fraudulenta era rapidamente transferido para as contas do próprio indiciado, configurando um desvio direto de recursos.
A Descoberta e a Confrontação do Golpista
Os golpes, aplicados gradualmente ao longo do tempo, só foram descobertos no final de 2025, quando a vítima notou uma série de descontos sucessivos em seus rendimentos de aposentadoria. Ao ser confrontado pela família da vítima por meio de mensagens, o comportamento do golpista demonstrou "total frieza e cinismo", conforme o delegado Munhoz. Inicialmente, ele negou qualquer envolvimento, mas, ao ser pressionado, mudou o discurso, prometendo "dar um jeito de pagar" e efetuar depósitos mensais, os quais, entretanto, nunca se concretizaram.
A Versão Inconsistente do Suspeito
Durante o interrogatório policial, o suspeito tentou convencer a autoridade de que o aposentado havia feito os empréstimos de forma consciente para pagá-lo pela reforma do banheiro. No entanto, essa "narrativa fantasiosa do investigado foi desconstruída pelas provas técnicas e extratos bancários anexados ao inquérito", atestou o delegado. Ficou comprovado que os valores contraídos eram desproporcionais aos custos de uma pequena obra, e que o dinheiro foi, na verdade, desviado para o benefício próprio do jovem, mantendo a vítima em completo erro sobre a situação de suas finanças.
Desdobramentos Legais e Alertas de Segurança
Diante das evidências, o jovem foi indiciado pela prática do crime de estelionato e, atualmente, responde em liberdade. O inquérito policial foi devidamente encaminhado ao Ministério Público, que agora analisará o material e decidirá sobre a formalização da denúncia criminal. A identidade do indiciado não foi divulgada pela polícia, impossibilitando a identificação de sua defesa. Este incidente reforça a importância da vigilância em relação a aproximações repentinas e propostas financeiras de terceiros, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade. A Polícia Civil disponibiliza os telefones 197 e 181 (Disque-Denúncia) para denúncias anônimas, enquanto o 190 deve ser acionado em caso de flagrante ou perigo iminente.
Fonte: https://g1.globo.com