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Indústria Brasileira Fecha 2025 Com Leve Alta de 0,6%, Pressionada por Juros Elevados

© REUTERS/Washington Alves/Proibida reprodução

A indústria brasileira registrou um crescimento modesto de 0,6% em 2025, consolidando o terceiro ano consecutivo de expansão. Contudo, o panorama anual foi marcado por uma notável perda de fôlego nos últimos meses, um cenário atribuído principalmente à política monetária restritiva do Banco Central. Os dados, provenientes da Pesquisa Industrial Mensal, foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelando a complexidade do ambiente econômico enfrentado pelo setor.

Desempenho Anual e a Desaceleração no Segundo Semestre

Embora o avanço de 0,6% em 2025 represente uma continuidade de crescimento após taxas de 0,1% em 2023 e 3,1% em 2024, a performance do setor industrial no decorrer do ano apresentou contrastes significativos. A primeira metade de 2025 demonstrou um vigor inicial, com a produção industrial acumulando um crescimento de 1,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, o cenário se transformou radicalmente na segunda metade, onde a variação foi nula.

A desaceleração foi mais acentuada no trimestre final, com a produção registrando um recuo de 1,9% entre setembro e dezembro. O último mês do ano, especificamente, encerrou com uma queda de 1,2%, configurando o pior resultado desde julho de 2024, que havia recuado 1,5%. Essa sequência negativa dominou os quatro últimos meses do ano, com três quedas e apenas um mês de variação nula (outubro), refletindo a intensidade das pressões enfrentadas pelo setor.

O Custo dos Juros Elevados para a Indústria

A principal justificativa para a perda de ritmo da indústria foi a política monetária restritiva, caracterizada pela manutenção da taxa Selic em patamares elevados. André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, destacou que os juros altos inibem a intensidade da atividade econômica, impactando diretamente as decisões de investimento das empresas. O encarecimento do crédito e a consequente elevação dos níveis de inadimplência também contribuíram para um ambiente menos propício à expansão dos negócios.

Essa conjuntura desfavorável estendeu seus efeitos ao consumo das famílias, resultando em uma “desaceleração importante” no segmento de bens duráveis nos últimos meses de 2025. Um exemplo prático dessa retração pôde ser observado na produção de veículos automotores, que em dezembro sofreu um recuo de 8,7%, representando a maior pressão negativa na transição entre novembro e dezembro. Fatores como paralisações e férias coletivas em fábricas também pontuaram o fim do ano, adicionando desafios operacionais ao quadro econômico.

Desempenho Setorial Detalhado e Cenário Pré-Pandemia

Ao analisar o desempenho por categorias econômicas, a indústria em 2025 apresentou um quadro misto. Bens de consumo duráveis e bens intermediários registraram crescimento de 2,5% e 1,5%, respectivamente, sinalizando áreas de relativa resiliência. Em contrapartida, bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e bens de capital (-1,5%) enfrentaram retração. Das 25 atividades pesquisadas, 15 tiveram avanço, com as indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%) em destaque. De um total de 789 produtos avaliados, 49,6% registraram alta na produção.

Apesar dos desafios do ano, a produção industrial encerrou 2025 em um patamar 0,6% acima do período pré-pandemia de Covid-19, medido em fevereiro de 2020. No entanto, permanece 16,3% abaixo do seu pico histórico, alcançado em maio de 2011, evidenciando o longo caminho a ser percorrido para a plena recuperação e superação de recordes anteriores.

Macroeconômia: A Luta Contra a Inflação e o Mercado de Trabalho

A escalada da taxa Selic teve seu início em setembro de 2024, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, diante de uma inflação crescente, elevou os juros de 10,5% para 15% ao ano até junho de 2025. Essa decisão visava controlar a inflação, que superou a meta governamental de 3% (com tolerância de ±1,5 p.p.) por 13 meses, abrangendo praticamente todo o ano de 2025. A Selic, por ser a taxa básica da economia, impacta diretamente todas as outras taxas de juros do país, tornando o crédito mais caro e desestimulando investimentos e consumo, o que, por sua vez, tende a esfriar a inflação.

Embora a política monetária restritiva tenha o objetivo primordial de combater a inflação, um de seus efeitos colaterais esperados é a desaceleração da economia, que pode levar a uma menor geração de empregos. Contudo, em um paradoxo econômico, o ano de 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, conforme divulgado pelo IBGE na última sexta-feira (30). Este dado adiciona uma camada de complexidade à avaliação do impacto da política econômica, mostrando que, apesar das pressões sobre a produção, o mercado de trabalho demonstrou resiliência.

Em suma, o ano de 2025 para a indústria brasileira foi de crescimento, mas sob forte influência de uma política monetária restritiva. Enquanto setores específicos demonstraram capacidade de expansão, a generalidade enfrentou o desafio de juros elevados, que impactaram investimentos e consumo. A interação entre o controle inflacionário, a atividade industrial e um surpreendentemente robusto mercado de trabalho desenhou um cenário econômico de delicado equilíbrio para o Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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