Um devastador incêndio em Maringá, no norte do Paraná, consumiu um barracão que abrigava um centro de distribuição de autopeças, resultando em um prejuízo estimado em R$ 40 milhões para a empresa Compre Peças. A tragédia, que ocorreu às vésperas da inauguração oficial do local, revelou uma série de irregularidades na construção, que estava sem autorização desde 2018, conforme confirmado pela prefeitura da cidade. A situação complexa envolve multas acumuladas para o proprietário do imóvel, a falta de seguro para a estrutura e o estoque, e uma investigação policial em andamento para determinar as causas do fogo, incluindo a possibilidade de ser criminoso. Este lamentável incidente levanta sérias questões sobre a fiscalização e as consequências da não conformidade com as normas de segurança e construção.
A tragédia e o histórico de irregularidades
O barracão, parte de um complexo de cinco unidades, foi completamente destruído pelas chamas na tarde de domingo (14), deixando um cenário de fumaça densa e preta visível por toda a cidade. As imagens do início do fogo mostram a rapidez com que o material inflamável – autopeças de caminhão, muitas delas importadas da China e contendo fibras de vidro e plástico – alimentou as chamas. Embora ninguém tenha ficado ferido, o impacto material foi avassalador, comprometendo maquinários, mercadorias e a estrutura do telhado e das paredes de alvenaria.
Falhas na documentação e multas acumuladas
A irregularidade do barracão, confirmada pela prefeitura de Maringá, remonta a 2018, quando a construção foi erguida sem as devidas autorizações. O proprietário do imóvel foi notificado diversas vezes para regularizar a situação e acumulou multas que ultrapassam R$ 244 mil. O processo de embargo do local teve início em setembro do ano passado, e, diante do não cumprimento das exigências, o proprietário foi novamente multado este ano por reincidência. Esta série de infrações e a inobservância das normas de construção evidenciam uma falha prolongada na conformidade legal, que culminou em um evento de proporções catastróficas.
O drama da empresa Compre Peças
A Compre Peças, distribuidora de autopeças com filiais em Itajaí (SC) e Sinop (MT), havia locado dois barracões no complexo em outubro do ano passado, com o contrato de locação iniciando em 1º de dezembro. Segundo o advogado da empresa, Emerson Farias, o documento de locação assegurava que todas as liberações e aprovações dos órgãos competentes estavam em dia. A empresa, cujos proprietários são de Maringá, havia decidido centralizar sua distribuição na cidade, trazendo todo o estoque de Sinop e preparando o local para uma inauguração social do setor de telemarketing, que aconteceria na quarta-feira (17), com a expectativa de abrigar 50 funcionários.
No entanto, ao tentar contratar um seguro para os maquinários e o imóvel, a Compre Peças solicitou a documentação necessária ao proprietário, que pediu alguns dias para fornecê-los, mas nunca os entregou. Como resultado, nem os equipamentos nem o imóvel possuíam seguro no momento do incêndio, agravando o prejuízo milionário. A empresa alega desconhecer a situação irregular do barracão, confiando nas informações do contrato de locação. O proprietário dos barracões não se pronunciou sobre o ocorrido.
As investigações e o impacto econômico
Com a destruição do barracão, as autoridades iniciaram as investigações para apurar as causas do incêndio. Peritos da Polícia Científica estiveram no local na quarta-feira (17), e a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) investiga a possibilidade de o fogo ter sido criminoso. Testemunhas relataram ao Corpo de Bombeiros que pessoas estavam trabalhando no local e que faíscas de solda poderiam ter dado início ao incêndio, mas essa hipótese ainda será confirmada pela perícia técnica contratada pela própria empresa.
Causas sob apuração e perícia técnica
O Corpo de Bombeiros isolou a área devido ao risco iminente de desabamento da estrutura comprometida. A tenente Hanna Yuri informou que duas paredes ficaram bastante inclinadas, representando perigo de queda. O trabalho de rescaldo e avaliação da estrutura será demorado, exigindo a vistoria de engenheiros da prefeitura antes que o ambiente possa ser revirado com maquinário adequado. A complexidade do cenário e a gravidade dos danos exigirão uma análise minuciosa para determinar com precisão a origem e as circunstâncias do incêndio.
Futuro incerto para a empresa e seus colaboradores
Apesar da magnitude do prejuízo de R$ 40 milhões e da perda de 70% de sua operação que seria centralizada em Maringá, a Compre Peças, de acordo com seu advogado, não considera a possibilidade de decretar falência, graças à solidez da empresa e à existência de outras filiais. No entanto, a situação é delicada. Embora a empresa possua bom crédito com fornecedores chineses, a incerteza paira sobre o futuro dos funcionários que seriam contratados e até mesmo dos atuais. O advogado ressaltou a dificuldade de garantir o pagamento dos salários nos próximos meses e a necessidade de qualquer tipo de ajuda para a empresa neste momento crítico. O desastre não afeta apenas a estrutura física, mas também a vida de dezenas de famílias que dependem da operação da Compre Peças.
Perguntas frequentes sobre o ocorrido
Qual foi o prejuízo estimado pelo incêndio em Maringá?
O prejuízo estimado para a empresa Compre Peças, devido à perda de maquinários e estoque, é de aproximadamente R$ 40 milhões.
Desde quando o barracão estava irregular?
A prefeitura de Maringá confirmou que o barracão estava irregular desde 2018, tendo sido construído sem a devida autorização.
A empresa Compre Peças tinha seguro para o imóvel e as mercadorias?
Não. A empresa tentou contratar um seguro, mas o proprietário do imóvel não forneceu a documentação necessária, deixando o barracão e o estoque sem cobertura no momento do incêndio.
Quais as causas prováveis do incêndio e a situação das investigações?
Testemunhas indicaram faíscas de solda como possível causa inicial, mas a Polícia Civil do Paraná e a Polícia Científica estão investigando o caso, inclusive a possibilidade de o incêndio ter sido criminoso. Uma perícia técnica foi contratada pela empresa para apurar as causas.
Para acompanhar as atualizações sobre este caso e outras notícias importantes de Maringá e região, continue visitando nosso portal.
Fonte: https://g1.globo.com