Uma tragédia de grande repercussão abalou a cidade de Maringá, no norte do Paraná, com o brutal feminicídio de Jéssica Daiane Cabral de Oliveira, de 30 anos. O crime, ocorrido na madrugada de sábado (20), foi perpetrado por Gerson Rafael Geidelis, de 46 anos, um guarda municipal que era ex-companheiro da vítima. Câmeras de segurança registraram o momento chocante em que Gerson invadiu a residência de Jéssica com um veículo, consumando o assassinato em um lapso de aproximadamente um minuto. A ocorrência evidencia a urgência em debater e combater a violência doméstica, especialmente quando envolve agentes públicos. O suspeito foi detido horas após o incidente e confessou o ato, que teve um guarda municipal como perpetrador.
A cronologia brutal do feminicídio
As imagens de câmeras de segurança revelam a sequência de eventos que culminaram na morte de Jéssica Daiane Cabral de Oliveira. Por volta das 2h57 de sábado (20), o guarda municipal Gerson Rafael Geidelis chegou em frente à residência de sua ex-companheira em um carro branco. Após uma breve pausa, ele arranca o veículo, forçando a entrada pelo portão da casa. Em questão de segundos, às 2h58, o carro de Gerson é visto deixando o local em alta velocidade. O ato de invasão, seguido pela saída apressada, indica a rapidez com que o crime foi cometido.
Invasão e assassinato em minutos
Embora as câmeras não tenham registrado o momento exato do assassinato, a investigação aponta que Gerson levou pouco mais de um minuto para matar Jéssica. A vítima foi atingida por seis tiros, disparados com a própria arma de serviço do guarda municipal. A brutalidade do ataque e a frieza do agressor são elementos centrais na apuração do caso. A Polícia Militar foi acionada e chegou ao local da ocorrência em menos de oito minutos, contudo, já encontrou Jéssica sem vida. A agilidade da ação criminosa e a fatalidade de seus desdobramentos chocaram a comunidade local, evidenciando a vulnerabilidade da vítima frente à fúria do agressor.
Sinais de alerta e a busca por ajuda
Dias antes do trágico feminicídio, Jéssica Daiane Cabral de Oliveira já demonstrava temor e pedia que Gerson Rafael Geidelis a deixasse em paz. Áudios enviados pela vítima ao ex-companheiro mostram a angústia de Jéssica, que expressava o desejo de não ter mais contato com ele, relatando crises de ansiedade provocadas pela insistência de Gerson. “Eu e você não temos nada, não quero mais nada com você. Você me dá um estado de nervoso que me dá crise de ansiedade. Não quero te ver Peço que siga sua vida em paz e me deixe em paz também”, dizia Jéssica em um dos áudios. Ela chegou a alertar que buscaria ajuda caso as abordagens continuassem. Familiares da vítima confirmaram que Gerson enviou diversas ameaças a Jéssica ao longo da semana anterior ao crime, incluindo ameaças de morte a ela e a um amigo.
A omissão da denúncia
Diante do cenário de ameaças e assédio, Jéssica tentou registrar uma denúncia contra Gerson por ameaça. Três dias antes de ser assassinada, ela procurou a Delegacia da Mulher de Maringá. No entanto, o esforço foi em vão, pois Jéssica se dirigiu ao endereço antigo da unidade policial. Como precisava cumprir seus compromissos de trabalho, ela não conseguiu se deslocar até o novo local e, consequentemente, não conseguiu concluir o registro da denúncia. Esse fato lamentável destaca as barreiras enfrentadas por vítimas de violência na busca por proteção e justiça, muitas vezes por falta de informação ou pela dificuldade de acesso aos serviços essenciais.
O uso da arma de serviço e a prisão do suspeito
Gerson Rafael Geidelis, que atuava como guarda civil municipal há 16 anos, utilizou a arma de serviço da corporação para cometer o feminicídio. A pistola, que possui a identificação da Prefeitura do Município de Maringá (PMM), foi apreendida pelas autoridades. A confirmação do uso da arma institucional veio do secretário de Segurança Pública de Maringá, Luiz Alves, que lamentou o ocorrido. “Houve um erro cometido por um agente público. Erro esse identificado. E erro esse vai começar a ser corrigido agora, a partir do momento que esse indivíduo é preso”, declarou Alves. O secretário informou que a conduta de Gerson será apurada por meio de um procedimento administrativo interno, que pode resultar na sua exoneração da corporação.
A defesa do guarda municipal
O guarda municipal Gerson Rafael Geidelis foi considerado foragido até a tarde de sábado (20), quando foi localizado nas proximidades do Bosque II por agentes da Guarda Civil Municipal e da Polícia Civil. Sua defesa, representada pelo advogado Luiz Augusto Bigão Giacomelli, informou que o agente público o procurou voluntariamente na manhã de sábado. O advogado relatou que, diante do visível abalo emocional de Gerson, as primeiras conversas foram focadas em acalmá-lo e preservar sua vida. Após orientações, Gerson concordou em se apresentar voluntariamente. A defesa intermediou a apresentação com o delegado titular da Divisão de Homicídios de Maringá e com o secretário de Segurança da cidade, buscando garantir o cumprimento da legalidade. Representantes da Guarda Municipal acompanharam Gerson, em um ato que, segundo a defesa, demonstrou respeito e arrependimento em relação à corporação. O advogado esclareceu que há muito a ser dito sobre os motivos que levaram Gerson a agir dessa forma, mas que tudo será devidamente esclarecido às autoridades competentes nos momentos oportunos. O guarda municipal já está à disposição da Justiça e irá colaborar com o processo penal até sua responsabilização final.
O impacto na família e a dor de uma criança
O feminicídio de Jéssica Daiane Cabral de Oliveira deixou um rastro de dor e sofrimento, especialmente para sua filha de 7 anos. A criança estava na casa no momento do crime. Nicole Ferreira, amiga e madrinha da filha de Jéssica, relatou o momento chocante em que a menina lhe contou sobre a morte da mãe. “Minha afilhada veio falar para mim: ‘madrinha, eu acho que minha mãe morreu’”, contou Nicole. Ao perguntar o motivo, a menina disse que achava que um espelho havia caído em cima da mãe. A inocência da criança frente à brutalidade do ocorrido e a forma como ela tentou processar a tragédia ressaltam a profundidade do trauma causado pelo crime, que tirou a vida de uma mulher e deixou uma criança sem sua mãe.
Repercussões e o combate ao feminicídio
O trágico feminicídio de Jéssica Daiane Cabral de Oliveira em Maringá é um lembrete contundente da urgência em combater a violência de gênero no Brasil. O caso, envolvendo um agente público e com um histórico de ameaças e a tentativa frustrada da vítima de buscar ajuda, expõe falhas e desafios sistêmicos. É imperativo que as autoridades continuem a investigar rigorosamente e que medidas preventivas sejam fortalecidas para garantir que nenhuma outra vida seja ceifada por essa violência que assola a sociedade.
Perguntas Frequentes
Quem foi a vítima e o agressor neste caso?
A vítima foi Jéssica Daiane Cabral de Oliveira, de 30 anos. O agressor é seu ex-companheiro, Gerson Rafael Geidelis, de 46 anos, que atuava como guarda municipal em Maringá.
Como o crime foi cometido e quais foram as evidências?
Gerson invadiu a casa de Jéssica com um carro, na madrugada de sábado (20), e a assassinou com seis tiros usando sua arma de serviço. Câmeras de segurança registraram a invasão e a fuga do agressor, mas não o momento exato do homicídio.
Havia histórico de violência ou ameaças antes do crime?
Sim. Jéssica havia enviado áudios pedindo que Gerson a deixasse em paz e relatando crises de ansiedade. Familiares também confirmaram que Gerson enviou ameaças de morte à vítima na semana anterior ao feminicídio.
Jéssica tentou buscar ajuda das autoridades antes de sua morte?
Sim, Jéssica tentou registrar uma denúncia por ameaça contra Gerson três dias antes de ser morta. No entanto, ela foi a um endereço antigo da Delegacia da Mulher e não conseguiu concluir o registro devido a compromissos de trabalho.
Se você ou alguém que conhece está sofrendo violência, não hesite em buscar ajuda. Disque 180 para a Central de Atendimento à Mulher ou procure a delegacia mais próxima. Sua vida importa.
Fonte: https://g1.globo.com