A greve nacional dos petroleiros, deflagrada na última segunda-feira, testemunhou uma significativa expansão em seu segundo dia, consolidando um movimento de paralisação por tempo indeterminado em todo o território brasileiro. Nesta terça-feira, o protesto ganhou força com a adesão de importantes unidades operacionais em diversas regiões, sinalizando uma crescente pressão sobre a direção da Petrobras. Os trabalhadores buscam a negociação de um novo Acordo Coletivo de Trabalho, fundamentado em três eixos principais de reivindicações. Essas demandas abrangem a distribuição justa da riqueza gerada pela companhia, o fim dos equacionamentos da Petros e o reconhecimento de uma pauta estratégica em prol de um Brasil Soberano, que inclui a suspensão de privatizações e demissões na crucial área de Exploração e Produção, evidenciando a amplitude do conflito.
A expansão geográfica e operacional do movimento
A mobilização dos petroleiros demonstrou uma capacidade de articulação nacional, com novas unidades estratégicas aderindo à paralisação, ampliando seu alcance e potencial de impacto. O movimento, que começou com a aprovação de uma greve por tempo indeterminado, rapidamente ganhou corpo, abrangendo diferentes setores da cadeia de produção de petróleo e gás no Brasil. A adesão de novas unidades operacionais reforça a determinação da categoria em manter a greve até que suas reivindicações sejam devidamente atendidas pela gestão da Petrobras. A estratégia de expansão gradual visa maximizar a pressão sobre a empresa, buscando um diálogo efetivo para a resolução do impasse.
Novas adesões reforçam a paralisação pelo país
Nesta terça-feira, a paralisação se estendeu a diversas localidades, marcando a entrada de novas e significativas unidades no movimento grevista. No Rio Grande do Sul, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), um dos principais polos de refino do país, formalizou sua adesão, somando-se às demais refinarias já paralisadas. A Refap é responsável por uma parcela considerável da produção de derivados de petróleo no Sul do Brasil, e sua paralisação pode ter desdobramentos importantes no abastecimento regional.
No Ceará, o movimento também ganhou força expressiva, com a adesão da Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor), unidade essencial para a produção de óleos lubrificantes e asfaltos. Além da Lubnor, a Termoceará, que desempenha um papel crucial na geração de energia elétrica, e o terminal de Macuripe, ponto estratégico de logística e distribuição de combustíveis, também entraram em greve. Essas adesões no Nordeste sinalizam uma abrangência crescente do protesto, afetando diferentes elos da cadeia energética.
Outro reforço veio do Rio Grande do Norte, onde os trabalhadores da Usina Termelétrica do Vale do Açu paralisaram suas atividades. Adicionalmente, um grupo de profissionais médicos do setor de Saúde, Meio Ambiente e Segurança (SMS) da companhia também aderiu à greve, demonstrando a transversalidade do apoio ao movimento. Na Bahia, os trabalhadores da Usina de Biodiesel de Candeias, uma unidade importante para a produção de biocombustíveis, somaram-se à paralisação. O engajamento nessas unidades diversificadas sublinha a insatisfação generalizada entre os petroleiros, independentemente de suas funções ou localização.
O impacto crescente nas unidades estratégicas
O avanço da greve se manifestou de forma contundente na Bacia de Campos, no norte fluminense, uma das regiões de maior importância para a produção de petróleo e gás do Brasil. Nesta área, 22 plataformas já foram entregues às equipes de contingência da Petrobras, o que significa que as operações nessas unidades estão sendo mantidas por um número reduzido de funcionários não grevistas ou por supervisores, buscando minimizar a interrupção da produção. A entrega das plataformas indica a eficácia da mobilização dos petroleiros em um dos centros nevrálgicos da extração de óleo e gás.
No balanço geral, as paralisações nas bases operacionais representadas pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) já atingem um número significativo de infraestruturas vitais. Atualmente, a greve impacta oito refinarias, 24 plataformas de produção, dez unidades da Transpetro – subsidiária responsável pelo transporte e logística –, quatro termelétricas, duas usinas de biodiesel, além de campos terrestres na Bahia. A Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB), um dos maiores complexos de processamento de gás natural do país, e a Estação de Compressão de Paulínia (TBG), crucial para o transporte de gás, também foram incluídas no movimento. Essa vasta extensão da greve levanta preocupações sobre o impacto na produção e distribuição de energia no Brasil, caso a paralisação se prolongue.
As reivindicações centrais da categoria petroleira
A greve dos petroleiros não se baseia apenas em questões salariais pontuais, mas em uma plataforma mais ampla que aborda aspectos sociais, previdenciários e estratégicos para o futuro da Petrobras e do país. A categoria exige que a direção da empresa apresente uma nova contraproposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que contemple integralmente esses eixos de reivindicações, que são vistos como pilares para a valorização dos trabalhadores e a defesa do patrimônio nacional.
Demandas socioeconômicas: salários e previdência
Um dos pilares das reivindicações é a “Distribuição justa da riqueza gerada”. Este ponto reflete o desejo dos trabalhadores por uma maior participação nos lucros e resultados da Petrobras, argumentando que o sucesso da empresa é fruto direto de seu trabalho e expertise. Eles defendem que a política de remuneração e benefícios deve ser mais equitativa, refletindo o desempenho da companhia e garantindo condições de trabalho dignas e competitivas. A demanda busca corrigir o que consideram uma disparidade entre os resultados financeiros da empresa e as condições salariais e de carreira de seus empregados.
Outra questão crítica é o “Fim dos equacionamentos da Petros”. A Petros é o fundo de pensão dos trabalhadores da Petrobras, e os “equacionamentos” referem-se a contribuições extraordinárias exigidas dos participantes e da patrocinadora para cobrir déficits do plano. Os petroleiros contestam a forma como esses déficits foram gerados e exigem que a Petrobras assuma integralmente sua responsabilidade, buscando soluções que não penalizem os aposentados e ativos com descontos adicionais em seus proventos. Este tema é sensível, pois impacta diretamente a segurança financeira de milhares de famílias de petroleiros.
A pauta estratégica: soberania e empregos
A “Pauta pelo Brasil Soberano” representa um conjunto de reivindicações de caráter mais político e estratégico, relacionadas à visão dos petroleiros sobre o papel da Petrobras no desenvolvimento nacional. Um dos pontos centrais é a “suspensão das privatizações”, seja de subsidiárias, ativos ou campos de exploração. Os trabalhadores argumentam que a venda de partes da Petrobras enfraquece a empresa e compromete a soberania energética do país, além de gerar insegurança para os empregos. Eles defendem uma Petrobras forte e integrada, que atue como indutora do desenvolvimento econômico e social.
Conectada à questão das privatizações está a “suspensão das demissões na área de Exploração e Produção”. A categoria manifesta preocupação com a perda de postos de trabalho em um setor vital e de alta tecnologia, que é o coração da atividade petrolífera. A manutenção dos empregos é vista não apenas como uma questão de segurança laboral, mas também de preservação do conhecimento técnico e da capacidade operacional da empresa, elementos essenciais para a exploração de campos complexos como o pré-sal.
O impasse nas negociações e as perspectivas futuras
Até o momento, a direção da Petrobras não apresentou uma nova contraproposta que satisfaça os petroleiros, mantendo o impasse nas negociações. A ausência de um diálogo construtivo tem sido um dos principais combustíveis para a continuidade e expansão da greve. A expectativa dos trabalhadores é que a empresa reconheça a legitimidade de suas demandas e se sente à mesa para uma negociação que resulte em um acordo coletivo justo e que contemple os três eixos de reivindicações apresentados.
A Petrobras, embora procurada para manifestar-se sobre a situação e os questionamentos dos trabalhadores, não retornou até o fechamento desta reportagem. Essa falta de posicionamento oficial por parte da empresa agrava o clima de incerteza e dificulta a busca por uma solução consensual, prolongando o conflito e suas potenciais consequências para a produção e o abastecimento nacional. A postura da empresa será crucial para determinar o desenrolar do movimento grevista nos próximos dias.
Perspectivas e o futuro da paralisação
A greve nacional dos petroleiros mantém-se por tempo indeterminado, com o movimento demonstrando coesão e capacidade de expansão. A adesão de novas e estratégicas unidades em diferentes regiões do Brasil sublinha a gravidade da insatisfação da categoria e a amplitude do suporte às reivindicações apresentadas. O impasse nas negociações, agravado pela ausência de uma contraproposta por parte da Petrobras, sugere que a paralisação pode se estender, gerando crescentes preocupações sobre o impacto na cadeia de produção e distribuição de energia do país. A pressão exercida pelos trabalhadores busca forçar um diálogo efetivo que resulte em um Acordo Coletivo de Trabalho que atenda às suas demandas sociais, previdenciárias e estratégicas, consideradas essenciais para a valorização da categoria e a defesa dos interesses nacionais.
Perguntas frequentes sobre a greve dos petroleiros
1. Quais são as principais reivindicações dos petroleiros em greve?
Os petroleiros têm três eixos principais de reivindicações: a distribuição justa da riqueza gerada pela Petrobras, o fim dos equacionamentos da Petros (fundo de pensão) e o reconhecimento de uma pauta pelo Brasil Soberano, que inclui a suspensão de privatizações e demissões na área de Exploração e Produção.
2. Quantas unidades da Petrobras e subsidiárias já aderiram à greve?
Até o momento, a greve atinge 8 refinarias, 24 plataformas, 10 unidades da Transpetro, 4 termelétricas, 2 usinas de biodiesel, além de campos terrestres na Bahia, a Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas (UTGCAB) e a Estação de Compressão de Paulínia (TBG).
3. Qual o posicionamento da Petrobras em relação às demandas dos grevistas?
A Petrobras foi procurada para se manifestar sobre as reivindicações e a paralisação, mas até o fechamento desta reportagem, a empresa não havia retornado aos questionamentos nem apresentado uma nova contraproposta formal para os trabalhadores.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta importante greve e seu impacto no cenário energético brasileiro.