A Federação Única dos Petroleiros (FUP) apresentou, durante um painel estratégico no Rio de Janeiro, uma visão contundente para a transição energética no Brasil. A entidade defendeu que este processo deve ser um catalisador para a reindustrialização do país, a criação de empregos de alta qualidade e o fortalecimento das empresas estatais, rejeitando modelos que historicamente reproduziram desigualdades e exclusão social. A proposta busca alinhar a descarbonização com o desenvolvimento socioeconômico nacional.
Construindo um Caminho Próprio com Soberania e Inclusão
Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, enfatizou que o cenário da transição energética é um campo de disputas. Para o Brasil, é imperativo forjar um caminho singular que priorize a soberania nacional e a inclusão social. Segundo Bacelar, essa jornada deve estar intrinsecamente ligada a uma política industrial de longo prazo, com investimentos substanciais em pesquisa, desenvolvimento e inovação. As empresas estatais, neste contexto, são vistas como protagonistas indispensáveis para guiar e implementar essas transformações.
Estado como Coordenador e o Respeito às Realidades Regionais
A FUP advoga que o Estado brasileiro tem um papel central na coordenação da transição energética. Essa coordenação implica em harmonizar a inovação tecnológica com o desenvolvimento regional, assegurando que as rotas tecnológicas dialoguem com as vocações e potencialidades locais. Bacelar alertou que desconsiderar as diferenças tecnológicas e regionais pode perpetuar desigualdades, comprometendo a eficácia do processo em um país de dimensões continentais. O objetivo vai além da redução de emissões, visando também a geração de empregos qualificados, renda e o reforço da soberania, sempre respeitando as particularidades de cada território.
Desafios Sociais e a Urgência da Qualificação Profissional
A federação sindical destacou ainda a necessidade premente de investimentos em qualificação profissional, que é fundamental para adaptar a força de trabalho às novas demandas energéticas. Paralelamente, a FUP reforçou a importância de fortalecer os serviços públicos e combater a pobreza energética, garantindo acesso justo e equitativo à energia. Outro ponto crucial levantado foi a ampliação da proteção social às comunidades mais vulneráveis e impactadas pelos efeitos da crise climática, assegurando uma transição justa e equitativa para todos.
Diálogo Multissetorial sobre o Futuro Energético Nacional
As discussões da FUP ocorreram no painel “Relações de Trabalho, Digitalização e Transição Justa”, uma iniciativa do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). O evento reuniu diversas vozes e perspectivas, contando com a participação de Adriana Marcolino, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese); Fabiola Latino Antezano, da Central Única dos Trabalhadores (CUT); e Felipe Pateo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com mediação do jornalista Lucas Pordeus, da Agência Brasil. O seminário continuará com a participação de especialistas, pesquisadores, representantes do setor público e do movimento sindical, aprofundando o debate sobre os desafios da transição energética e seus impactos no desenvolvimento brasileiro.
Em síntese, a visão apresentada pela Federação Única dos Petroleiros delineia uma transição energética para o Brasil que transcende a mera mudança tecnológica. Ela propõe um projeto nacional integrado, capaz de alavancar o desenvolvimento econômico, promover a justiça social e fortalecer a soberania do país, garantindo um futuro mais próspero e equitativo para todos os cidadãos.