A Polícia Civil de Minas Gerais anunciou nesta semana a prisão de um indivíduo de 56 anos, foragido da Justiça e considerado pelas autoridades como um dos mais perigosos e prolíficos assaltantes de bancos e carros-fortes da história do país. O criminoso, cuja identidade não foi revelada por questões de segurança, foi detido em Foz do Iguaçu, no Paraná, na última quarta-feira (4), em uma operação que culmina uma caçada de anos e encerra uma trajetória criminosa de mais de três décadas, marcada por violência e atuação em diversas regiões do Brasil.
A prisão, detalhada em coletiva de imprensa na sexta-feira (6), representa um marco para as forças de segurança, que vinham rastreando o paradeiro do homem, conhecido por sua especialização em crimes organizados e ações de alta periculosidade. Sua extensa ficha criminal inclui não apenas assaltos milionários, mas também um latrocínio que vitimou um vigilante, demonstrando a brutalidade de sua atuação.
O Perfil de um Executor Profissional
Nascido em Mantena, no Vale do Rio Doce, o homem construiu uma carreira no submundo do crime que se estendeu por cerca de 30 anos, desde a década de 1990. Delegados envolvidos na investigação classificam-no como um dos maiores assaltantes de bancos que já atuaram no estado de Minas Gerais, com um modus operandi focado no crime organizado e na execução de ações violentas. Sua ficha criminal, que impressiona pela extensão, preenche 35 páginas, revelando uma série ininterrupta de delitos graves. O delegado Davi Batista Gomes ressaltou a natureza de sua expertise: “Ele é um dos maiores assaltantes de bancos de todos os tempos aqui no estado, especializado em crime organizado e ações violentas.”
Ao longo de sua vida, o criminoso acumulou condenações que totalizam mais de 70 anos de prisão a serem cumpridos, um número que reflete a gravidade e a frequência de suas transgressões. A prisão atual decorre do cumprimento de dois mandados de prisão, um expedido pela Vara Criminal da Comarca de Ribeirão das Neves e outro pela Subseção Judiciária de Sete Lagoas, do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6).
A Teia de Crimes por Vários Estados
A atuação do criminoso não se restringiu a uma única região, embora Minas Gerais tenha sido o palco principal de suas atividades. No estado mineiro, ele é vinculado a uma série de assaltos notórios, como o roubo à Prefeitura de Itabirito, na Região Central, e a diversas agências bancárias de grande porte, incluindo unidades do Banco do Brasil em Ouro Branco, Governador Valadares e Ibirité, uma agência do antigo Banco Real em Ouro Preto, e uma da Caixa Econômica Federal também em Governador Valadares. Além disso, participou de roubos de cargas onde se utilizava de fardamento da Polícia Militar, e foi o autor do latrocínio que resultou na morte de um vigilante de carro-forte, evidenciando seu grau de violência.
Sua incursão pelo crime também se estendeu ao Paraná, onde foi investigado por um assalto à mão armada e, de forma mais recente, pelo tráfico de impressionantes 450 quilos de drogas. Essa diversidade e amplitude geográfica de crimes reforça a imagem de um criminoso com capacidade de adaptação e grande mobilidade, tornando sua captura um desafio considerável para as forças de segurança.
A Complexa Captura em Foz do Iguaçu
A caçada pelo criminoso ganhou novos contornos após sua fuga de Minas Gerais em 2018. Ele havia sido detido no Paraná, mas conseguiu obter liberdade provisória no ano passado, utilizando-se de um nome falso para evadir a justiça novamente. Contudo, a persistência do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil de Minas Gerais foi crucial para rastreá-lo.
Os investigadores conseguiram localizar o foragido em Foz do Iguaçu, cidade estratégica na tríplice fronteira com o Paraguai, local conhecido por ser rota de criminosos e esconderijo. A ação coordenada resultou em sua prisão na quarta-feira. Após a detenção, a Polícia Civil do Paraná foi informada de sua verdadeira identidade, corrigindo os registros que permitiram sua liberação anterior. O delegado Marcus Vinícius Lobo esclareceu: “Efetuamos a prisão dele e, com isso, comunicamos ao Poder Judiciário do Paraná o nome correto.”
A captura em Foz do Iguaçu encerra um longo período de impunidade e reforça a eficácia do trabalho de inteligência policial. Após a prisão, o indivíduo foi imediatamente transferido para o sistema prisional mineiro, onde aguardará o cumprimento de suas extensas penas. Seu nome e a unidade prisional onde está detido foram mantidos em sigilo absoluto pelas autoridades, visando garantir a segurança da operação e evitar quaisquer riscos.
Fonte: https://g1.globo.com