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Família à deriva no rio Paraná após tempestade e motor afogado

G1

Em um desfecho dramático, uma família do Paraná foi resgatada após passar mais de 18 horas à deriva nas águas do rio Paraná, na região de Presidente Epitácio, em São Paulo. O incidente ocorreu na noite de sexta-feira, 26 de janeiro, quando uma tempestade súbita e intensa pegou de surpresa Henrique Pelissari Antonio, de 32 anos, e seus pais, Salete Pelissari Antonio e Armindo Pereira Antonio, ambos de 63 anos. Moradores do distrito de Piquirivaí, em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná, o trio vivenciou momentos de terror após o motor da embarcação falhar em meio às adversidades climáticas, resultando no naufrágio do barco de pesca. A saga da família à deriva mobilizou equipes de resgate e gerou apreensão em todo o final de semana, culminando em um alívio generalizado com o reencontro seguro. A experiência, embora tenha terminado bem, deixou marcas profundas, especialmente com a perda de um membro querido da família.

O início da pescaria e a mudança abrupta do tempo

A sexta-feira, 26 de janeiro, começou como um dia comum de lazer para a família Antonio, que se dedicava à pesca no rio Paraná. Henrique, experiente na região, já havia realizado pescarias ali outras vezes, contando com um GPS para auxiliar na navegação do percurso. O pai, Armindo, também já havia acompanhado o filho em outras aventuras, enquanto Salete desfrutava da paisagem e da companhia em sua primeira visita ao local. A tranquilidade do passeio, no entanto, foi brutalmente interrompida por uma reviravolta climática inesperada. Por volta das 17h, os pescadores notaram uma mudança drástica nas condições do tempo: o vento aumentou subitamente e o céu escureceu, prenunciando uma forte tempestade.

A guinada para o desastre

Ao perceberem a iminência da tempestade, a família decidiu retornar imediatamente à margem. Contudo, a natureza impiedosa do rio e do tempo agiu mais rápido. “Deu muita onda, muita marola, e chegou uma parte que o motor perdeu força e afogou”, relatou Henrique. A falha do motor selou o destino da embarcação. Sem controle, o barco virou de lado, e as ondas impetuosas começaram a invadir o interior. Rapidamente, o barco encheu de água, virou completamente e afundou, deixando os três membros da família e a cachorrinha Bela, uma pinscher de 15 anos, à mercê das correntezas. Todos, por sorte, usavam coletes salva-vidas, um detalhe crucial que, mais tarde, se mostraria vital para a sobrevivência. No entanto, a pequena Bela, companheira fiel de Salete em todas as pescarias, acabou caindo do barco com a primeira onda e não foi mais vista, adicionando uma camada de dor à já traumática experiência.

A longa noite à deriva e o esforço de sobrevivência

Após o naufrágio, a família se viu ilhada sobre o que restava do barco, flutuando em meio ao rio Paraná. Começava ali uma provação de mais de 18 horas, onde a luta contra o cansaço, o medo e a exposição aos elementos se tornou a principal tarefa. Henrique, ciente dos perigos, assumiu a liderança, protegendo seus pais das ondas que tentavam arrastá-los para longe. “Eu acredito que a pior parte tenha sido a hora que a gente caiu do barco e a marola tentava tirar a gente de cima dele. Parece que ela empurrava a gente”, descreveu. Ele se manteve de costas para as ondas, impedindo que a água atingisse o rosto dos pais e os afogasse, uma tática crucial para a manutenção da calma e da respiração. A preocupação com Salete e Armindo era constante, especialmente em relação à hipotermia, devido à idade avançada. As horas se arrastavam em uma eternidade, com a escuridão da noite amplificando o desespero.

O acionamento das equipes de resgate e a mobilização aérea

Enquanto a família lutava pela vida no rio, a ausência do trio não passou despercebida na pousada em Presidente Epitácio, onde estavam hospedados. O proprietário, ao notar que Henrique e seus pais não haviam retornado do passeio, agiu prontamente, acionando o Corpo de Bombeiros e a Marinha. A partir desse momento, uma operação de busca e resgate foi deflagrada, com equipes terrestres e fluviais vasculhando as margens e as águas do rio. A esperança se reacendeu quando moradores da região informaram aos bombeiros sobre a descoberta de pertences que poderiam ser das vítimas. Diante dessa nova pista, o Grupamento Aéreo Águia, da Polícia Militar, foi acionado. Um helicóptero Águia decolou, sobrevoando a vasta extensão do rio, em uma corrida contra o tempo para localizar os desaparecidos. Por volta das 12h30 de sábado (27), após horas de busca incessante, a tripulação do helicóptero avistou as três pessoas.

O alívio do resgate e as consequências emocionais

A localização da família pelo Grupamento Aéreo Águia trouxe um alívio imenso para todos os envolvidos na operação. As três pessoas estavam conscientes, mas visivelmente debilitadas fisicamente e muito fragilizadas após o longo período à deriva. Imediatamente após a identificação, a tripulação do helicóptero fez contato com a embarcação do Corpo de Bombeiros que já estava nas buscas, que se deslocou rapidamente até o ponto para realizar o resgate final. Um vídeo registrado no momento da operação capturou a cena emocionante da retirada das vítimas do local, marcando o fim de uma provação de quase 20 horas.

A recuperação e a perda da companheira de pescaria

Após o resgate, Salete e Armindo foram levados para a Santa Casa de Presidente Epitácio, onde ficaram em observação. Ambos receberam alta na noite de sábado, já recuperados do susto e do esforço físico. Henrique, embora consciente e sem ferimentos graves, permaneceu internado na mesma unidade para uma observação mais detalhada, mas com a expectativa de alta em breve. A família Antonio, grata pela vida, expressou sua profunda gratidão aos bombeiros, policiais, amigos e familiares pelas orações e apoio. Contudo, a alegria do resgate foi mitigada pela dor da perda da cachorrinha Bela. Salete, em particular, sentiu a ausência de sua companheira de 15 anos de pescarias. “Perder ela está me deixando muito triste. O emocional vai ficar abalado por algum tempo, mas a gente vai se recuperar, graças a Deus, porque os três estão bem”, finalizou Salete, refletindo sobre o trauma e a importância da fé e da união familiar.

Considerações finais

A história da família Antonio no rio Paraná é um testemunho da força da natureza e da resiliência humana diante de adversidades extremas. O incidente ressalta a importância vital do uso de equipamentos de segurança, como coletes salva-vidas, e da prudência ao navegar em águas abertas, especialmente em face de mudanças climáticas inesperadas. A rápida ação do proprietário da pousada e a coordenação eficiente entre Corpo de Bombeiros e Polícia Militar foram cruciais para o desfecho positivo, transformando o que poderia ser uma tragédia em um milagre de sobrevivência. Embora a dor pela perda da pequena Bela seja um lembrete persistente do ocorrido, a família pode agora focar na recuperação e na gratidão por uma segunda chance, reforçando a mensagem de que, mesmo nas situações mais desesperadoras, a esperança e a ajuda mútua podem prevalecer.

Perguntas frequentes

Onde e quando o incidente ocorreu?
O incidente ocorreu no rio Paraná, na região de Presidente Epitácio, em São Paulo, na noite de sexta-feira, 26 de janeiro. A família ficou à deriva por cerca de 18 horas até o resgate na tarde de sábado, 27 de janeiro.

Qual foi a causa do naufrágio do barco?
O barco naufragou após uma tempestade súbita e intensa atingir a embarcação. O motor do barco falhou (afogou) em meio às fortes ondas e marolas, levando ao seu emborcamento e posterior afundamento.

Como a família foi resgatada?
A família foi resgatada após o proprietário da pousada onde estavam hospedados acionar o Corpo de Bombeiros e a Marinha ao notar sua ausência. As buscas envolveram equipes fluviais e terrestres, e um helicóptero Águia da Polícia Militar localizou as vítimas à deriva, coordenando o resgate final com uma embarcação dos bombeiros.

A família sofreu ferimentos graves durante o tempo à deriva?
Não. Embora estivessem debilitados e fragilizados após o longo período, Henrique e seus pais foram encontrados conscientes e sem ferimentos graves. Os pais receberam alta na noite do res resgate, e Henrique permaneceu em observação, mas passa bem.

O que aconteceu com a cachorrinha Bela, que estava com a família?
A cachorrinha Bela, uma pinscher de 15 anos e companheira de pesca da família, caiu do barco com a primeira onda durante a tempestade e não foi mais vista. Infelizmente, ela não sobreviveu ao incidente, causando grande tristeza à família.

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Fonte: https://g1.globo.com

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