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Estados Unidos avaliam riscos de ação militar contra o Irã em meio

Ilustração com modelo em miniatura de Donald Trump e bandeiras dos EUA e Irã  • Reproduçã...

O governo dos Estados Unidos encontra-se em um estágio crítico de avaliação, ponderando os riscos e benefícios de possíveis ações militares contra o Irã. A intensificação da repressão violenta e mortal por parte do regime iraniano contra manifestantes tem impulsionado a administração americana a considerar uma postura mais decisiva. Altos funcionários do governo têm se reunido para refinar um conjunto de opções a serem apresentadas ao presidente, que, segundo fontes, demonstra uma crescente convicção na necessidade de uma resposta enérgica. A situação no Irã, marcada por um alto número de mortos e a perspectiva de execuções, é acompanhada de perto por Washington, que recebeu briefings detalhados sobre a brutalidade do regime, incluindo vídeos capturados em território iraniano. Esta análise aprofundada visa calibrar a resposta americana, evitando uma escalada desproporcional e desestabilização regional, enquanto o cenário interno iraniano continua a deteriorar-se.

A deliberação americana e as opções em pauta
A equipe de segurança nacional dos Estados Unidos tem se dedicado a deliberações intensas sobre a resposta adequada à repressão iraniana. O presidente, participando de reuniões que duraram mais de duas horas, foi informado detalhadamente sobre o número de vítimas e as projeções da continuidade da brutalidade do regime, que pode incluir execuções. Embora a possibilidade de um ataque cibernético tenha dividido a equipe de segurança nacional em dias recentes, autoridades americanas enfatizam que qualquer ação militar não envolveria tropas em solo, sublinhando o desejo de evitar um envolvimento militar prolongado no Irã.

Entre as opções concretas apresentadas, destaca-se um ataque a instalações relacionadas aos serviços de segurança iranianos, considerados os principais responsáveis pela repressão aos manifestantes. As autoridades trabalham arduamente para avaliar os múltiplos riscos inerentes a cada cenário, desde a possibilidade de uma missão de ataque aéreo falhar até a provocação de uma retaliação iraniana desproporcional. A preocupação de evitar uma ampla desestabilização regional, caso o regime iraniano entre em colapso, também é um fator crucial nas deliberações. O presidente tem expressado repetidamente a necessidade de cumprir as “linhas vermelhas” estabelecidas, sentindo-se compelido a agir onde, em sua visão, presidentes anteriores falharam, como no caso do ex-presidente Barack Obama e a Síria em 2013.

Análise de riscos e o cálculo da retaliação
Um cálculo fundamental neste processo decisório reside na ponderação entre os potenciais benefícios de uma ação militar e a provável retaliação de Teerã. O Irã já ameaçou atacar ativos americanos no Oriente Médio caso os Estados Unidos avancem com investidas. Relatórios recentes da inteligência americana indicam que o Irã está preparando opções para atacar bases americanas em locais como Iraque e Síria, em resposta a possíveis ataques.

O regime iraniano parece ter sido surpreendido pela magnitude dos protestos e, atualmente, busca equilibrar o controle dos manifestantes com a tentativa de não fornecer pretextos para intervenções estrangeiras. Essa estratégia se manifesta, em parte, pela restrição de funerais das vítimas e pelo corte do acesso à internet em todo o país. Apesar das ameaças de retaliação, o presidente americano minimizou as preocupações, declarando que o Irã “é melhor se comportar”. Como medida de precaução, alguns funcionários foram orientados a deixar a Base Aérea de Al-Udeid, no Catar – uma das maiores bases militares dos EUA no Oriente Médio e um alvo anterior do Irã. Esta base, que abriga cerca de 10 mil soldados americanos, permanece sob vigilância como um potencial alvo em caso de escalada.

A escalada da repressão no Irã e as reações internacionais
A brutalidade da repressão no Irã gerou condenação internacional. O G7, grupo das sete maiores economias do mundo, já sinalizou estar preparado para impor novas medidas contra o Irã se a repressão aos protestos continuar. Relatos de dentro do Irã descrevem um ambiente “extremamente pesado e tenso”, com o acesso a informações sendo severamente limitado. A comunidade internacional acompanha com apreensão o desenvolvimento dos acontecimentos, e a pressão sobre o regime iraniano tem aumentado.

Além das opções militares e cibernéticas, a administração americana também avalia outras frentes de pressão, como a imposição de novas sanções. Há também esforços para auxiliar os cidadãos iranianos, como a pressão exercida sobre o proprietário do serviço de internet via satélite Starlink para ampliar a conectividade no país, em meio ao apagão de informações imposto pelo regime. O Starlink, conforme especialistas em tecnologia, tem fornecido acesso gratuito à internet para usuários no Irã, um contraponto à censura estatal. As reuniões de segurança nacional, conhecidas como “principais” do Conselho de Segurança Nacional, contaram com a presença de figuras chave como o vice-presidente, o secretário de Estado, o secretário de Defesa, o diretor da CIA e outros líderes militares e de inteligência, indicando a seriedade e a amplitude das discussões.

Esforços diplomáticos e cautela regional
Embora o presidente tenha inicialmente sugerido uma possível abertura diplomática com Teerã, ele abruptamente mudou de posição, cancelando quaisquer reuniões com figuras do regime até que a repressão aos protestos cesse. Conselheiros alertaram que as mensagens conciliatórias do ministro das Relações Exteriores do Irã poderiam ser meramente uma tática para evitar um ataque. Durante as reuniões de segurança nacional, oficiais expressaram a visão de que a diplomacia é um exercício fútil com o Irã, citando tentativas anteriores sem sucesso de negociar um novo acordo nuclear. A percepção de que o Aiatolá é o verdadeiro tomador de decisões, e não os representantes diplomáticos, complica ainda mais qualquer abordagem negociada.

Paralelamente, três nações árabes do Golfo — Arábia Saudita, Catar e Omã — aliadas dos EUA, iniciaram esforços diplomáticos nos bastidores. Preocupados com as consequências de longo alcance para o Oriente Médio, esses países buscam evitar uma ação militar americana contra o Irã. Um oficial regional destacou que “qualquer escalada militar terá consequências para toda a região, incluindo sua segurança e economia”, ressaltando a delicadeza do equilíbrio regional e os riscos de um conflito mais amplo.

Perspectivas futuras e o impasse
O cenário atual entre os Estados Unidos e o Irã permanece em alta tensão, com o futuro da região pendurado na balança das decisões estratégicas que serão tomadas em Washington e Teerã. Enquanto os EUA continuam a refinar suas opções, buscando uma forma de responder à repressão iraniana sem desencadear uma guerra em grande escala, o regime iraniano lida com a pressão interna dos protestos e a ameaça externa de uma intervenção. A complexidade da situação exige uma análise minuciosa de cada movimento, com as implicações de qualquer ação reverberando por todo o Oriente Médio. A cautela dos países vizinhos e a divisão dentro da própria equipe de segurança americana refletem a gravidade dos riscos envolvidos, indicando que a resolução deste impasse não será simples nem rápida, e exigirá consideração profunda de todas as partes envolvidas para evitar um conflito devastador.

Perguntas frequentes
Quais são as principais opções militares consideradas pelos EUA?
As opções incluem ataques cibernéticos e investidas a instalações de segurança iranianas ligadas à repressão dos protestos. As autoridades têm descartado o envio de tropas em solo para evitar um envolvimento prolongado.

Como o Irã pode retaliar uma possível ação militar?
Relatórios de inteligência indicam que o Irã prepara opções para atacar bases americanas no Oriente Médio, como as localizadas no Iraque e na Síria, além de ameaçar ativos americanos na região.

Por que a diplomacia com o Irã é considerada difícil?
A administração americana percebe que o Aiatolá, e não os representantes diplomáticos, é o verdadeiro tomador de decisões, tornando as negociações complexas e muitas vezes infrutíferas, conforme demonstrado por tentativas anteriores.

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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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