Um escândalo no setor odontológico de Maringá, no Norte do Paraná, veio à tona com a prisão preventiva do dentista Gabriel Nicolas Wiezel, de 26 anos. Ele é apontado como o responsável por um elaborado esquema de fraudes que teria lesado mais de uma centena de pacientes, gerando um prejuízo estimado em R$ 2 milhões. O profissional, que atuava como responsável técnico de uma clínica local, foi indiciado por estelionato após uma série de denúncias.
A Ampla Rede de Golpes e o Prejuízo Financeiro
A magnitude das operações fraudulentas atribuídas a Gabriel Nicolas Wiezel é revelada pelo número expressivo de vítimas e pelo impacto financeiro. Mais de 100 indivíduos registraram boletins de ocorrência contra o dentista, todos alegando terem sido lesados em diferentes contextos de atendimento. Segundo o delegado Fernando Garbelini, que coordena as investigações, o montante total dos danos já apurados ultrapassa a marca de R$ 2 milhões, configurando um golpe de grande proporção. A prisão preventiva do dentista ocorreu em 24 de abril, marcando uma fase crucial na apuração dos fatos.
Estratégias Enganosas contra Pacientes Vulneráveis
Os depoimentos colhidos pela polícia delineiam um padrão de atuação complexo e direcionado, tendo como alvos prioritários, em muitos casos, pessoas idosas. O dentista Gabriel Wiezel teria empregado, segundo as investigações, pelo menos três modalidades distintas para ludibriar seus pacientes, aproveitando-se da confiança depositada em seu papel profissional e da eventual fragilidade dos atendidos.
Fraudes em Cobranças e Serviços Inexistentes
Entre as táticas identificadas, figuram cobranças abusivas e a não execução de procedimentos pagos. Várias vítimas relataram que, ao efetuar o pagamento com cartão de crédito, o dentista manipulava a máquina ou o processo de transação para debitar valores superiores aos previamente acordados. Adicionalmente, há registros de pacientes que quitaram integralmente tratamentos que, por alguma razão, nunca foram iniciados ou concluídos por Gabriel, deixando-os sem o serviço prometido e sem o dinheiro.
Indução a Empréstimos e Desvio de Valores
Ainda mais graves são as denúncias de que o dentista teria induzido pacientes a fazerem empréstimos em seus próprios nomes. Em um dos casos, um paciente que retornou à clínica para questionar uma cobrança indevida foi enganado com a promessa de cancelamento, enquanto Gabriel, na verdade, providenciava um empréstimo de R$ 10 mil em nome da vítima. Outro incidente relatado envolveu o dentista solicitando o celular de uma paciente sob o pretexto de cancelar uma cobrança duplicada, mas, em vez disso, realizou um empréstimo via aplicativo bancário e transferiu os fundos diretamente para a conta da clínica, sem o consentimento da pessoa.
O Avanço das Investigações Policiais
A Polícia Civil de Maringá tem conduzido a apuração em etapas, dada a complexidade e o volume de informações. O delegado Fernando Garbelini explicou que uma primeira fase do inquérito já foi concluída, respeitando os prazos legais da prisão preventiva. Nesta etapa inicial, 40 vítimas foram ouvidas, além de testemunhas como funcionários, fornecedores e sócios da clínica. Paralelamente, um segundo inquérito foi instaurado, e mais 20 vítimas já prestaram depoimento, totalizando 60 pessoas interrogadas até o momento. As autoridades ressaltam que as investigações prosseguirão, e a Delegacia de Estelionato de Maringá permanece aberta para o registro de novas denúncias.
A prisão de Gabriel Nicolas Wiezel e as revelações sobre o esquema de fraudes lançam luz sobre a vulnerabilidade de pacientes, especialmente idosos, a práticas criminosas no ambiente de saúde. Enquanto a defesa do dentista não se manifestou e o Conselho Regional de Odontologia não forneceu comentários até o momento, a Polícia Civil avança na coleta de provas e depoimentos, buscando esclarecer completamente os fatos e garantir que a justiça seja feita diante do significativo prejuízo e da quebra de confiança que as vítimas sofreram.
Fonte: https://g1.globo.com