O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou um recuo de 0,01% em dezembro, um resultado que desafiou as expectativas do mercado, as quais apontavam para uma elevação de 0,15%. Com este desempenho, o IGP-M conclui o ano de 2025 com uma deflação acumulada de 1,05%, consolidando um cenário de queda significativa nos preços no atacado e em outros segmentos da economia. Essa retração anual representa uma mudança marcante em comparação com anos anteriores, impactando diretamente diversos contratos e o planejamento financeiro de empresas e famílias. A inversão da trajetória do índice sinaliza um período de menor pressão inflacionária em alguns setores, abrindo discussões sobre os rumos da economia brasileira no próximo ciclo.
Aprofundando a deflação: o desempenho do IGP-M em dezembro
A ligeira, mas inesperada, deflação de 0,01% no IGP-M em dezembro marcou o fechamento do ano de 2025, contrastando fortemente com as projeções de alta do mercado. Essa surpresa indica que as pressões sobre os preços no atacado, que são o principal componente do índice, foram mais brandas do que o previsto por analistas. O resultado de dezembro reforça a tendência desinflacionária observada ao longo do ano, especialmente impulsionada por fatores como a dinâmica das commodities e a gestão da oferta em setores-chave.
Componentes do índice e fatores de influência
O IGP-M é composto por três outros índices principais: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços de produtos agrícolas e industriais no atacado; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que reflete a inflação para as famílias; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que acompanha os custos do setor. A deflação em dezembro sugere que o IPA, que tem o maior peso no IGP-M, experimentou uma retração significativa ou desaceleração, possivelmente devido à boa safra agrícola, que contribuiu para a estabilização ou queda dos preços de alimentos na produção, e à moderação nos preços de matérias-primas industriais. A menor demanda ou a maior oferta em alguns segmentos podem ter atuado para conter os reajustes, resultando em um cenário de preços mais favoráveis para os consumidores e para a indústria. A estabilidade do câmbio, em grande parte do período, também pode ter contribuído para mitigar a pressão sobre os bens importados.
O saldo anual: um panorama de queda histórica em 2025
A queda acumulada de 1,05% do IGP-M em 2025 é um fato de grande relevância econômica, sinalizando um ano de descompressão nos preços em comparação com o histórico recente. Este cenário de deflação anual não é comum e reflete uma série de fatores macroeconômicos que atuaram em conjunto ao longo dos doze meses. A significativa retração do índice ao longo do ano teve implicações diretas e indiretas para diversos segmentos da economia, desde grandes contratos até o dia a dia do consumidor.
Contrastes e implicações econômicas da deflação acumulada
Para entender a magnitude da queda de 1,05% em 2025, é fundamental contextualizá-la. Em dezembro de 2024, por exemplo, o IGP-M havia registrado uma elevação mensal de 0,94%, culminando em uma alta acumulada de 6,54% nos doze meses anteriores. A transição de uma alta considerável para uma deflação anual em 2025 demonstra uma mudança drástica nas condições de mercado. Essa inversão de tendência pode ser atribuída a uma combinação de fatores, incluindo uma maior oferta de produtos agrícolas, a desaceleração de alguns setores da indústria e a relativa estabilidade do câmbio, que ajudou a segurar os preços de insumos importados. O cenário de deflação no atacado tende a se refletir, com certo atraso, nos preços ao consumidor, contribuindo para um ambiente mais favorável de poder de compra e menor pressão inflacionária geral.
Impacto nos contratos e nas expectativas de mercado
Um dos impactos mais diretos e notáveis da deflação do IGP-M está nos contratos de aluguel. Por ser amplamente utilizado como indexador para reajustes anuais, uma queda no índice pode significar aluguéis mais baixos ou, em muitos casos, a não aplicação de reajustes positivos, trazendo alívio financeiro para milhões de locatários. Além dos aluguéis, outros contratos, como os de serviços e concessões públicas, também podem ser afetados. Para o mercado, a deflação do IGP-M pode influenciar as expectativas de inflação futura, com possíveis reflexos na política monetária. Um ambiente de preços mais estáveis ou em queda no atacado pode dar mais margem para discussões sobre taxas de juros, embora a decisão final dependa do panorama inflacionário mais amplo, medido por outros índices como o IPCA.
Desafios e perspectivas para o cenário econômico pós-deflação
O encerramento de 2025 com deflação do IGP-M, embora surpreendente, pavimenta o caminho para um novo conjunto de desafios e oportunidades para a economia brasileira. As tendências observadas no índice, especialmente a moderação de preços no atacado, terão implicações que se estenderão por 2026, exigindo atenção de formuladores de políticas e agentes econômicos.
O que esperar para 2026: fatores de atenção
Para 2026, a dinâmica do IGP-M dependerá de diversos fatores. A continuidade do desempenho da safra agrícola, o comportamento dos preços das commodities no mercado internacional e a política cambial serão determinantes para o IPA. No âmbito do IPC, a recuperação do poder de compra dos consumidores, aliada à principal meta de economia para os brasileiros, conforme indicam pesquisas, pode gerar uma pressão de demanda, mas o foco na poupança pode mitigar um aumento abrupto nos preços. O setor da construção, representado pelo INCC, também será influenciado por investimentos em infraestrutura e habitação. Ademais, políticas governamentais, como o direcionamento de recursos para setores estratégicos, como o que se viu com a Telebras, podem injetar dinamismo em áreas específicas, com potenciais impactos nos custos e preços. O monitoramento contínuo desses elementos será crucial para antecipar as tendências do IGP-M e suas repercussões na inflação geral e na saúde financeira do país.
Perguntas frequentes sobre o IGP-M
O que é o IGP-M?
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) é um indicador que mede a movimentação de preços em diferentes setores da economia brasileira, abrangendo desde a produção agrícola e industrial (IPA) até os custos de construção (INCC) e os preços ao consumidor final (IPC). É amplamente conhecido por ser um indexador de contratos de aluguel.
Como a deflação do IGP-M impacta meu aluguel?
Quando o IGP-M registra deflação, como a queda de 1,05% em 2025, os contratos de aluguel reajustados por esse índice podem não ter aumento e, em alguns casos, podem até mesmo ter o valor reduzido, dependendo do que está estipulado em contrato e de negociações entre as partes.
O que significa uma deflação anual do IGP-M para a economia?
Uma deflação anual do IGP-M indica uma queda nos preços, principalmente no atacado, ao longo do ano. Isso pode significar menor pressão inflacionária na economia em geral, um alívio nos custos para empresas e consumidores, e pode influenciar as expectativas de inflação e a política monetária.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br