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Da Bala ao Livro Mais Vendido: A Fascinante História dos Álbuns de Figurinhas da Copa do Mundo

CNN Brasil

O álbum de figurinhas da Copa do Mundo transcende a condição de simples coletânea, consolidando-se como um verdadeiro fenômeno cultural. Por diversas semanas consecutivas, ele se mantém como um dos livros mais comercializados no Brasil, movimentando dezenas de milhares de unidades a cada ciclo. Essa febre, que habita a memória afetiva de incontáveis gerações, possui uma trajetória rica e cativante que remonta ao início do século XX.

As Origens das Figurinhas: Um Início Doce para a Coleção

Antes mesmo da concepção do álbum como conhecemos, as figurinhas já circulavam e encantavam o público, embora de uma forma bastante diferente. Em 1919, elas não eram vendidas em pacotes avulsos, mas sim distribuídas gratuitamente dentro de embalagens de produtos, especialmente as populares “balas esporte”. Essa prática rudimentar de colecionismo deu o pontapé inicial para o que viria a ser uma paixão nacional. Foi somente em 1934 que essas pequenas imagens começaram a apresentar jogadores da seleção brasileira, marcando o primeiro passo em direção ao foco temático da Copa do Mundo.

A Gênese do Álbum da Copa: Um Fenômeno Moldado pela História

A ideia de organizar as figurinhas em um álbum dedicado surgiu por volta de 1938. Contudo, a materialização do primeiro álbum exclusivo da Copa do Mundo enfrentou um hiato significativo. Seu lançamento oficial só ocorreu em 1950, uma interrupção de 12 anos que se explica pelo cancelamento de duas edições do torneio mundial (1942 e 1946) em decorrência da Segunda Guerra Mundial. A Copa de 1950, sediada no Brasil, foi o palco ideal para a estreia desse novo formato, que rapidamente se transformou em um sucesso estrondoso, consolidando os álbuns como um verdadeiro fenômeno popular, mesmo com o desfecho doloroso da final para a seleção uruguaia.

A Consolidação e a Evolução ao Longo das Décadas

Com o passar das décadas, a popularidade dos álbuns de figurinhas só aumentou, impulsionada por novas estratégias e formatos. Em certas épocas, os colecionadores eram recompensados ao completar seus álbuns, o que criava um desafio ainda maior para encontrar as últimas peças, tornando algumas coleções particularmente cobiçadas e difíceis de finalizar. Nos anos 80, em 1982, por exemplo, as figurinhas eram vendidas junto com chicletes, como os famosos “chicletes ping-pong”, exigindo um alto consumo do produto para que os fãs pudessem reunir todas as imagens desejadas.

O mercado brasileiro de figurinhas foi definitivamente transformado com a chegada da Panini em 1990. Inicialmente em parceria com a Editora Abril, a empresa italiana gradualmente assumiu a liderança exclusiva dessa tradição, que hoje mobiliza pessoas de todas as idades, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Para a edição mais recente da Copa do Mundo, o álbum lançado pela Panini representa o maior já produzido na história da competição, um reflexo direto do gigantismo e da expansão contínua do próprio torneio global, que continua a encantar milhões a cada quatro anos.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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