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Controle do Colesterol: A Urgência da Prevenção Desde a Infância para a Saúde Cardiovascular

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil.

No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, o vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Renato Jorge Alves, reafirma a prevenção como a estratégia mais eficaz para afastar complicações cardiovasculares. A abordagem contra o colesterol elevado, um inimigo silencioso da saúde do coração, deve começar mais cedo do que muitos imaginam, com a adoção de hábitos saudáveis e monitoramento contínuo.

Diagnóstico Precoce: A Importância da Triagem na Infância

Um estudo recente, com publicação prevista para setembro de 2025, endossa a necessidade de uma avaliação precoce do colesterol. A recomendação é que todas as pessoas realizem a dosagem dos níveis de colesterol já aos 10 anos de idade. Este exame preventivo, idealmente associado ao de glicose, serve como um alerta inicial, permitindo intervenções oportunas e a implementação de cuidados preventivos desde a juventude, antes que o problema se agrave.

O Papel Crucial do Estilo de Vida e Hábitos Saudáveis

Adotar um estilo de vida saudável é um pilar fundamental para evitar que o colesterol elevado se some a outros fatores de risco, como diabetes e hipertensão, potencializando as chances de eventos cardiovasculares. O acompanhamento médico é indispensável ao detectar níveis alterados, com adesão rigorosa ao tratamento. É crucial desconsiderar informações equivocadas que circulam na internet, que desencorajam o uso de medicações comprovadas, pois a interrupção do tratamento acarreta a elevação dos níveis de colesterol, comprometendo a saúde.

Mitos e Verdades sobre Dietas Restritivas

A Sociedade Brasileira de Cardiologia alerta que o colesterol alto está intrinsecamente ligado a hábitos de vida que afetam não apenas o sistema cardiovascular, mas o metabolismo como um todo. Nesse contexto, a chamada dieta carnívora, que exclui vegetais em favor do consumo exclusivo de carne, não é recomendada para a redução do colesterol. Essa abordagem é rica em gordura saturada, que comprovadamente eleva o colesterol LDL, popularmente conhecido como 'colesterol ruim'. Além de ser desaconselhável para o controle lipídico, pode propiciar o aumento do ácido úrico e a formação de placas de gordura nas artérias, elevando significativamente o risco de infarto.

Alimentação Equilibrada e Atividade Física: Os Pilares da Prevenção

Para combater o colesterol elevado, a primeira linha de defesa reside em uma alimentação equilibrada e na prática regular de atividade física. É essencial moderar o consumo de gorduras saturadas, encontradas em carnes vermelhas, chocolates, frios e embutidos. Mais nociva ainda é a gordura trans, presente em alimentos ultraprocessados como salgadinhos e biscoitos recheados. Embora mudanças dietéticas possam reduzir o colesterol em 5% a 10%, dado que cerca de 70% da substância é produzida pelo próprio organismo, a atividade física regular, com 150 a 300 minutos de exercícios por semana, é igualmente vital para a manutenção da saúde cardiovascular.

Fatores Adicionais: Sono, Estresse e a Influência Genética

Além da dieta e do exercício, outros aspectos do estilo de vida impactam diretamente os níveis de colesterol. A qualidade do sono, por exemplo, é crucial para o metabolismo; noites mal dormidas podem elevar o colesterol e os triglicerídeos, contribuindo para processos inflamatórios nas artérias e o desenvolvimento da aterosclerose. O estresse também desempenha um papel negativo, podendo aumentar a pressão arterial e dificultar o controle lipídico. Em casos onde os níveis de colesterol ultrapassam 300 mg/dL, a influência genética é frequentemente um fator preponderante, demandando, além das mudanças de estilo de vida, intervenção medicamentosa.

Tratamento Medicamentoso e o Combate à Desinformação

Para a hipercolesterolemia de origem genética, o tratamento farmacológico, predominantemente com estatinas, é indispensável e deve ser rigorosamente seguido sob orientação médica. A interrupção unilateral da medicação é perigosa. Caso as estatinas isoladamente não sejam suficientes, outros medicamentos podem ser associados, considerando o perfil de risco cardiovascular de cada paciente. A boa notícia é que existem versões genéricas das estatinas, tornando o tratamento mais acessível.

Contudo, o cardiologista expressa preocupação com a disseminação de informações falsas nas redes sociais, que questionam a existência do colesterol ou os benefícios das estatinas. Ele ressalta que as evidências científicas sobre a eficácia e segurança desses medicamentos são robustas e consistentes há mais de três décadas, com o primeiro grande estudo publicado em 1994, contrapondo alegações sem fundamento, muitas vezes motivadas por interesses pessoais ou marketing.

Em suma, a prevenção e o controle do colesterol exigem uma abordagem multifacetada, que começa com o diagnóstico precoce na infância, permeia escolhas de vida saudáveis — como alimentação equilibrada e atividade física regular —, e se estende à gestão de fatores como sono e estresse. Quando necessário, o tratamento medicamentoso, pautado pela ciência e acompanhamento médico, é vital. Priorizar a saúde cardiovascular é um investimento contínuo, crucial para uma vida longa e com qualidade, afastando os riscos de doenças do coração.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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