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Caso de violência doméstica desvenda tesouro e armas em Prudentópolis

G1

Uma investigação de violência doméstica em Prudentópolis, região central do Paraná, culminou em uma descoberta surpreendente que ultrapassou o escopo inicial da ocorrência. Policiais civis, ao cumprirem um mandado de busca e apreensão em um apartamento, depararam-se com um verdadeiro arsenal e uma quantia milionária escondida em bolsas de viagem. O montante, estimado em R$ 1,2 milhão em espécie, juntamente com dólares, diversas folhas de cheque, contratos e notas promissórias, levantou imediatamente a forte suspeita da prática de agiotagem. Este achado inesperado deu início a uma nova e complexa linha de investigação, transformando um caso de ameaça contra mulher em um cenário muito mais amplo de criminalidade financeira e posse de armamentos ilegais, com desdobramentos significativos para a justiça local.

A descoberta inesperada em Prudentópolis

Do mandado de busca ao achado milionário

A ação policial teve início na quarta-feira, dia 31, quando agentes da Polícia Civil de Prudentópolis se dirigiram a um apartamento na cidade para cumprir um mandado de busca e apreensão. A ordem judicial havia sido expedida no âmbito de uma investigação que apurava a prática do crime de ameaça contra uma mulher, no contexto de violência doméstica e familiar. A expectativa era encontrar elementos que corroborassem as denúncias relacionadas ao caso de ameaça.

No entanto, ao adentrar o imóvel, os policiais foram confrontados com uma cena que rapidamente mudaria o curso da investigação. Em vez de apenas provas do crime original, foram localizadas e apreendidas bolsas de viagem contendo uma impressionante quantia em dinheiro: aproximadamente R$ 1,2 milhão em moeda nacional. Além disso, foram encontrados US$ 293 em espécie, um volume expressivo de 203 folhas de cheque, vários contratos e notas promissórias que indicavam movimentações financeiras atípicas. O apartamento também abrigava um arsenal, incluindo uma pistola calibre 9mm, uma carabina calibre .22, uma espingarda calibre 12 e munições de diversos calibres, configurando posse ilegal de armamento.

A descoberta, anunciada oficialmente na sexta-feira, dia 2, chocou os investigadores. A quantidade e a diversidade dos itens apreendidos sinalizavam que o alvo do mandado de busca não estava envolvido apenas em um caso de violência doméstica, mas em atividades criminosas de maior envergadura, que agora demandam uma apuração aprofundada.

A suspeita de agiotagem e a complexidade da investigação

Tentativa de ocultação e implicações legais

Diante da significativa quantia em dinheiro, dos cheques, contratos e notas promissórias, a Polícia Civil levantou a principal suspeita de crime de usura, popularmente conhecido como agiotagem. A agiotagem ocorre quando uma pessoa empresta dinheiro a outra aplicando taxas de juros abusivas, sem qualquer regulamentação ou autorização do Banco Central, explorando muitas vezes a necessidade urgente de terceiros. A Lei nº 1.521 define este crime como o ato de “cobrar juros, comissões ou descontos percentuais, sobre dívidas em dinheiro superiores à taxa permitida por lei; cobrar ágio superior à taxa oficial de câmbio, sobre quantia permutada por moeda estrangeira; ou, ainda, emprestar sob penhor que seja privativo de instituição oficial de crédito”. A legislação também considera crime “obter, ou estipular, em qualquer contrato, abusando da premente necessidade, inexperiência ou leviandade de outra parte, lucro patrimonial que exceda o quinto do valor corrente ou justo da prestação feita ou prometida”.

A complexidade da situação se intensificou durante a abordagem policial. Enquanto dois agentes subiam para cumprir o mandado no apartamento, que fica no andar superior de um sobrado, um terceiro policial que estava na rua como apoio testemunhou uma tentativa desesperada de ocultação de provas. Os homens que estavam no apartamento, percebendo a presença policial, jogaram as bolsas de viagem contendo o dinheiro em direção ao prédio vizinho. As bolsas caíram no telhado, e foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros para realizar o resgate das quantias, um episódio que ilustra a gravidade das ações dos suspeitos.

Em razão dessas descobertas, uma nova investigação foi imediatamente aberta para apurar o possível crime de usura. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos envolvidos nem outros detalhes específicos sobre o caso de violência doméstica que deu origem ao mandado, mantendo a confidencialidade das vítimas e o sigilo de etapas iniciais da apuração. Os objetos e o dinheiro apreendidos foram colocados à disposição da Justiça, aguardando os desdobramentos das investigações em curso.

Desdobramentos e o futuro da investigação

O caso de Prudentópolis, que começou como uma resposta a um ato de violência doméstica, transformou-se em uma operação de grande impacto, revelando uma suposta rede de agiotagem e posse ilegal de armas. A apreensão do vultoso montante em dinheiro e do arsenal representa um golpe significativo contra atividades criminosas na região. A Polícia Civil agora se concentra em desvendar a extensão da suposta prática de usura, identificar todos os envolvidos e determinar a origem e o destino dos recursos financeiros e armamentos. A justiça aguarda as conclusões das investigações para tomar as medidas cabíveis, garantindo que os responsáveis sejam devidamente processados pelos crimes cometidos.

Perguntas frequentes sobre o caso

O que motivou a ação policial em Prudentópolis?
A ação policial foi motivada por um mandado de busca e apreensão expedido no âmbito de uma investigação que apurava o crime de ameaça contra mulher, em um contexto de violência doméstica e familiar.

O que é agiotagem (usura) e por que ela é suspeita neste caso?
Agiotagem ou usura é o ato de emprestar dinheiro com juros excessivamente altos, acima das taxas permitidas por lei, sem autorização do Banco Central. A suspeita surgiu devido à grande quantidade de dinheiro em espécie, dólares, folhas de cheque, contratos e notas promissórias encontrados no apartamento, que são indícios comuns dessa prática ilegal.

O que aconteceu com o dinheiro e os itens apreendidos?
O valor de R$ 1,2 milhão, os dólares, as armas, munições, cheques, contratos e notas promissórias foram todos apreendidos pela Polícia Civil e se encontram à disposição da Justiça para subsidiar as investigações em curso.

Os suspeitos foram identificados ou presos?
A Polícia Civil não divulgou os nomes dos suspeitos envolvidos nem detalhes sobre o caso de violência doméstica, em respeito à privacidade e ao andamento das investigações.

Se você possui informações sobre atividades ilegais ou é vítima de violência doméstica, denuncie! Suas informações são cruciais para a segurança e a justiça de nossa comunidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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