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Brasil Sanciona Lei para Fortalecer a Indústria da Saúde e Garantir Autonomia Nacional

© Valter Campanato/Agência Brasil

O Brasil deu um passo significativo em direção à sua autonomia e soberania na área da saúde com a sanção, nesta segunda-feira (20), do Projeto de Lei n° 2583/20. A nova legislação visa robustecer a capacidade produtiva nacional de itens essenciais como medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos médicos. Ao instituir a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, o país busca assegurar sua independência, especialmente em face de futuras emergências sanitárias globais.

A Estratégia Nacional: Motivações e Alcance

A aprovação no Congresso Nacional foi impulsionada pela clara necessidade de reduzir a dependência tecnológica e produtiva do exterior. A nova política tem como objetivo primordial capacitar o Brasil a executar com maior eficiência suas ações e serviços de saúde, promovendo, concomitantemente, a geração de empregos qualificados e o estímulo à inovação. Este movimento estratégico busca criar um ambiente propício para que a indústria nacional se desenvolva e atenda às demandas internas.

Para alcançar esses fins, a lei estabelece um conjunto de instrumentos que vão desde o estímulo direto à produção nacional até a criação de um novo arcabouço para as compras públicas, o financiamento e a regulação de produtos considerados estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Essa abordagem multifacetada visa reorganizar e modernizar a interação entre o Estado e a indústria da saúde, priorizando o desenvolvimento local.

Incentivos e o Papel das Empresas Estratégicas de Saúde (EES)

Um dos pilares da nova legislação é o uso do poder de compra do Estado para impulsionar a fabricação local de produtos estratégicos para o SUS. Para isso, foi criada a figura das Empresas Estratégicas de Saúde (EES). Essas empresas terão acesso facilitado a uma série de benefícios, incluindo prioridade em processos regulatórios, acesso simplificado a linhas de crédito especiais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros incentivos governamentais, desenhados para estimular seu crescimento e inovação.

Critérios para Qualificação como EES

Para serem reconhecidas como Empresas Estratégicas de Saúde e usufruir dos incentivos propostos, as organizações deverão cumprir rigorosos requisitos. Entre eles, destacam-se a necessidade de ter como finalidade social atividades produtivas, de pesquisa, desenvolvimento científico e tecnológico, além de um parque industrial voltado ao planejamento estratégico em saúde. É fundamental que estas empresas disponham de instalações industriais no país para a fabricação de “Produtos Estratégicos de Saúde” (PES), apresentem um histórico comprovado de atividade produtiva e inovação, e demonstrem capacidade de assegurar a continuidade e expansão da produção em território brasileiro. Esses critérios visam garantir que o investimento e os benefícios sejam direcionados a empresas com real compromisso e capacidade de contribuir para a autonomia sanitária nacional.

Diretrizes e Objetivos da Política de Fortalecimento

A Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde é pautada por um conjunto de diretrizes claras. Entre elas, estão o fortalecimento do SUS, a garantia do acesso universal a tecnologias de saúde, a capacitação de recursos humanos, a prevenção e combate a epidemias, o incentivo direto à produção nacional de medicamentos e dispositivos médicos, a inserção internacional de empresas estratégicas brasileiras e o uso inteligente do poder de compra do Estado para estimular a produção local. Essas diretrizes formam a base para as ações futuras.

Os objetivos almejados pela política são igualmente ambiciosos, incluindo a redução das dependências produtiva e tecnológica do SUS, a ampliação do acesso universal à saúde, o impulsionamento da pesquisa e inovação no setor, a modernização do parque industrial da saúde, e a busca pela autossuficiência em toda a cadeia produtiva. Além disso, a lei visa estimular novos investimentos no setor e, crucialmente, preparar o sistema de saúde brasileiro para responder eficazmente a futuras emergências de saúde pública, garantindo a segurança sanitária da população.

Repercussões e Ajustes Finais

A nova legislação foi recebida com otimismo por diferentes setores. Reginaldo Arcuri, presidente da Farmabrasil, associação que congrega as principais empresas farmacêuticas do país, ressaltou a essencialidade da lei para o Brasil e reiterou o engajamento do setor no desenvolvimento de medicamentos cada vez mais inovadores. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avaliou que as novas regras favorecerão a soberania brasileira, traçando paralelos com a proteção de setores estratégicos, como a defesa nacional, que inspiraram a construção do projeto.

Durante o processo de sanção, o projeto recebeu apenas três vetos presidenciais, classificados pelo Ministro Padilha como de menor relevância. Um dos vetos teve como propósito adequar o texto final às regras de taxação já estabelecidas no âmbito do Mercosul. Outro veto, lamentado pelo ministro, referia-se a contrapartidas tecnológicas que seriam exigidas das empresas para a importação de produtos, medida que poderia, segundo ele, atrapalhar investimentos. O terceiro veto está relacionado a critérios previamente estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a autorização de comercialização de alguns medicamentos, visando alinhar a nova legislação às normas regulatórias já existentes.

Com a sanção da Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, o Brasil pavimenta um caminho para transformar sua indústria sanitária, garantindo maior resiliência e capacidade de resposta a desafios futuros. A legislação representa um compromisso estratégico do Estado em promover a inovação, fortalecer o SUS e consolidar a autonomia do país em um setor vital para o bem-estar da sua população.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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