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Bolsa brasileira supera 162 mil pontos com dados de desaceleração econômica

© REUTERS/Amanda Perobelli/Direitos Reservados

A bolsa de valores brasileira registrou uma performance notável nesta última semana completa do ano, com o índice Ibovespa superando a marca dos 162 mil pontos. Este avanço, impulsionado principalmente por indicadores que apontam para uma desaceleração da economia, reacendeu o otimismo entre os investidores de renda variável. Enquanto a bolsa supera os 162 mil pontos, o dólar, por outro lado, apresentou uma alta marginal, reflexo de pressões internas relacionadas a remessas de empresas e fatores externos no cenário global. A dinâmica do mercado financeiro brasileiro nesta fase final do ano de 2025 revela a complexa interação entre dados macroeconômicos, expectativas de política monetária e movimentos cambiais, delineando um cenário de oportunidades e desafios.

A performance da bolsa de valores

Ibovespa impulsionado por expectativas de juros
O índice Ibovespa, principal indicador da B3, encerrou a segunda-feira, 19 de dezembro, aos 162.482 pontos, registrando uma expressiva alta de 1,07%. Este desempenho levou o indicador a recuperar metade das perdas acumuladas desde o início do mês, marcando um dia de otimismo contínuo para o mercado de ações. O principal fator que impulsionou as ações foi a divulgação, pelo Banco Central, de que a economia brasileira contraiu 0,2% em outubro, conforme revelado pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br).

A desaceleração da economia é geralmente interpretada de forma positiva pelo mercado de ações, pois aumenta a probabilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central optar por uma redução das taxas de juros (Selic) em sua próxima reunião de janeiro, em vez de esperar até março. Juros mais baixos tornam os investimentos em renda fixa, como CDBs e títulos do Tesouro Direto, menos atrativos, incentivando a migração de capital para o mercado de ações, que oferece maior potencial de retorno em um cenário de menor custo de capital. Este movimento é um reflexo direto da busca dos investidores por alternativas mais rentáveis em um ambiente econômico em transformação.

Volatilidade recente e o recorde anterior
Apesar da alta recente, o Ibovespa demonstrou volatilidade considerável nas últimas semanas. O mercado brasileiro havia atingido um recorde histórico no dia 4 de dezembro, alcançando 164.485 pontos. No entanto, o otimismo foi abalado no dia seguinte, quando o índice registrou uma queda acentuada de 4,31%. Essa retração foi atribuída, em grande parte, ao anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026. O episódio sublinhou a sensibilidade do mercado financeiro a eventos políticos, que podem gerar incerteza e impactar as expectativas dos investidores em relação à estabilidade econômica e às futuras políticas governamentais. A reação rápida do mercado a tais anúncios reforça a importância da percepção de risco político no valuation das empresas e na confiança geral.

O cenário do mercado de câmbio

Dólar em alta sob pressão de remessas e petróleo
Diferente da bolsa, o mercado de câmbio teve um dia ligeiramente mais pessimista. O dólar comercial encerrou a segunda-feira cotado a R$ 5,423, com uma alta marginal de R$ 0,012, o que representa um aumento de 0,23%. A cotação da moeda americana apresentou um movimento interessante ao longo do dia: caiu durante a manhã, chegando a R$ 5,38 por volta das 10h, mas inverteu a trajetória no período da tarde, fechando próxima da máxima do dia.

A valorização do dólar foi impulsionada por uma combinação de fatores internos e externos. No cenário doméstico, o envio de remessas de lucros de filiais de empresas estrangeiras para suas matrizes no exterior, um movimento típico de fim de ano, gerou uma demanda adicional pela moeda estrangeira, pressionando sua cotação. Internacionalmente, a queda nos preços do petróleo no mercado global prejudicou as moedas de diversos países emergentes, que dependem da exportação de commodities. O Brasil, como um grande produtor e exportador, sente diretamente o impacto dessas flutuações, que afetam as expectativas de entrada de dólares no país.

Balanço anual da moeda americana
Apesar da alta observada nesta última semana, a performance do dólar no contexto mais amplo de 2025 ainda reflete uma trajetória de desvalorização em relação ao real. Em dezembro, a moeda estadunidense acumula uma alta de 1,63%, demonstrando uma recuperação no final do ano. No entanto, ao se analisar o acumulado do ano de 2025, o dólar registrou uma queda significativa de 12,25% em relação ao real. Essa variação anual mostra a volatilidade do mercado de câmbio e a influência de diversos fatores macroeconômicos, tanto domésticos quanto globais, que moldam a percepção de risco e a atratividade dos ativos brasileiros para investidores estrangeiros ao longo do tempo. A queda anual sugere que, apesar das pressões pontuais, o real se fortaleceu consideravelmente.

Perspectivas e o impacto da desaceleração
A contração de 0,2% na atividade econômica brasileira em outubro, conforme o IBC-Br, reforça as expectativas de que o Banco Central poderá adotar uma postura mais flexível na política monetária. Esse dado, somado à redução da previsão de inflação para 4,36% este ano, conforme a projeção do mercado, cria um ambiente propício para a queda dos juros básicos da economia. A combinação de menor crescimento e inflação sob controle sinaliza que o Copom tem mais espaço para estimular a economia sem gerar pressões inflacionárias adicionais. A redução da Selic é vista como um catalisador para investimentos e consumo, podendo impulsionar o crescimento em 2026 e favorecer ainda mais o mercado de ações, que prospera em ambientes de crédito mais barato e perspectivas de expansão corporativa.

Conclusão
O mercado financeiro brasileiro encerrou a última semana completa de 2025 em um cenário de contrastes e expectativas. A bolsa de valores, impulsionada pela perspectiva de juros mais baixos diante de dados de desaceleração econômica, atingiu níveis significativos. Simultaneamente, o dólar operou em alta, influenciado por fatores sazonais e externos. Essa dinâmica complexa, com a renda variável em ascensão e o câmbio sob pressão pontual, reflete a sensibilidade do mercado a indicadores macroeconômicos e a eventos políticos. As decisões futuras do Copom e a evolução do cenário global serão cruciais para definir os rumos dos investimentos no início de um novo ano.

FAQ
Por que a desaceleração econômica pode beneficiar a bolsa de valores?
A desaceleração econômica, se acompanhada de inflação controlada, pode levar o Banco Central a reduzir as taxas de juros (Selic). Juros mais baixos diminuem o custo de capital para as empresas e tornam a renda fixa menos atrativa, incentivando os investidores a alocar recursos na renda variável, buscando maiores retornos.

Quais fatores contribuíram para a recente alta do dólar?
A alta do dólar foi influenciada por fatores internos e externos. Internamente, as remessas de lucros de empresas estrangeiras para o exterior, comuns no final do ano, aumentaram a demanda pela moeda. Externamente, a queda dos preços do petróleo no mercado internacional impactou negativamente as moedas de países emergentes, como o Brasil.

Como notícias políticas afetaram o Ibovespa recentemente?
O Ibovespa demonstrou sensibilidade a notícias políticas recentemente. Após atingir um recorde em 4 de dezembro, o índice registrou uma queda significativa no dia seguinte, após o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Isso ilustra como a incerteza política pode gerar instabilidade e impactar as expectativas dos investidores.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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