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Balança Comercial Brasileira Registra Superávit Recorde em Abril Impulsionado por Soja e Petróleo

© Divulgação/Porto de Santos

A balança comercial brasileira alcançou um superávit histórico no mês de abril, atingindo o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) anunciou nesta quinta-feira (7) que as exportações superaram as importações em impressionantes US$ 10,537 bilhões. Este resultado expressivo foi fundamentalmente impulsionado pelo robusto desempenho das vendas de soja e petróleo, reafirmando a força do agronegócio e do setor extrativo na economia nacional.

Desempenho Histórico e Crescimento Notável

O saldo positivo de US$ 10,537 bilhões em abril representa um aumento significativo de 37,5% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, quando o superávit foi de US$ 7,664 bilhões. Este patamar não apenas estabelece um novo recorde para o mês de abril, mas também posiciona o resultado como o terceiro maior para qualquer mês na série histórica iniciada em 1989. Apenas os superávits de maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões) e março de 2023 (US$ 10,751 bilhões) superaram o desempenho alcançado no último mês. Tal cenário reflete uma dinâmica de comércio exterior vigorosa, com as operações de exportação e importação igualmente atingindo valores sem precedentes para meses de abril.

Fluxos Detalhados do Comércio Mensal

No detalhe, as exportações brasileiras totalizaram US$ 34,148 bilhões em abril, marcando um crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Paralelamente, as importações somaram US$ 23,611 bilhões, registrando uma elevação de 6,2% na mesma base comparativa. Ambos os valores, de exportações e importações, configuram-se como os mais altos já apurados para um mês de abril, sinalizando uma intensa movimentação comercial e uma demanda aquecida tanto no mercado internacional quanto no doméstico por determinados produtos.

Balanço Acumulado do Primeiro Quadrimestre

Analisando o acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a balança comercial brasileira mantém uma trajetória de forte expansão, com um superávit de US$ 24,782 bilhões. Este montante é 43,5% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, demonstrando a consistência do bom desempenho. A notável melhora pode ser atribuída à recuperação dos preços das commodities no mercado global, além da ausência de operações pontuais, como a importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, que não se repetiu em 2026. No período de janeiro a abril, as exportações acumularam US$ 116,552 bilhões, um avanço de 9,2% em relação ao ano passado, enquanto as importações atingiram US$ 91,770 bilhões, com alta de 2,5%. Este superávit quadrimestral é o segundo maior da série histórica, ficando atrás apenas do primeiro quadrimestre de 2024 (US$ 26,925 bilhões).

Contribuições Setoriais nas Exportações

A performance exportadora em abril foi robusta em diversos segmentos da economia. A agropecuária registrou um aumento de 16,1% nas vendas externas, impulsionada por um crescimento de 12,7% no volume e 3,2% no preço médio dos produtos. A indústria extrativa, por sua vez, expandiu suas exportações em 17,9%, com destaque para o petróleo, que teve um aumento expressivo de 17,2% no preço médio, apesar de um leve incremento de 0,6% no volume. Já a indústria de transformação viu suas exportações crescerem 11,6%, reflexo de um aumento de 6,8% no volume e 4,1% no preço médio dos bens manufaturados.

Produtos-Chave da Pauta Exportadora Brasileira

Em abril, diversos produtos se destacaram como motores das exportações. Na agropecuária, a soja (+18,8%), o algodão (+43,7%) e os animais vivos, exceto pescados e crustáceos (+148,4%), foram os principais vetores de crescimento. A indústria extrativa teve como destaques os óleos brutos de petróleo (+10,6%), o minério de ferro (+19,5%) e os minérios de cobre (+55%). No setor da indústria de transformação, a carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+29,4%), o ouro não-monetário (+75,9%) e bombas, centrífugas, compressores de ar e ventiladores (+321,5%) foram os itens com maior incremento nas vendas. Em termos de valores absolutos, a soja liderou a contribuição para o crescimento mensal, com um acréscimo de US$ 1,105 bilhão nas exportações em relação a abril do ano passado, impulsionada por uma safra favorável e preços elevados. O petróleo bruto seguiu, com um aumento de US$ 458,98 milhões. Contudo, as vendas de petróleo bruto apresentaram uma particularidade: embora o volume exportado tenha recuado 10,6%, o preço médio disparou 23,7%, reflexo direto da guerra no Oriente Médio e da alíquota temporária de 12% do Imposto de Exportação, imposta em meados de março como medida para conter a alta dos combustíveis. Em contraste com o bom desempenho geral, as exportações de café sofreram uma queda em março, com o Brasil vendendo US$ 177,44 milhões a menos que em abril de 2025 (-14,2%), devido principalmente a uma redução de 13,4% no preço médio.

Panorama das Importações

As importações brasileiras também registraram crescimento em abril, impulsionadas principalmente pela aquisição de veículos, cujas compras do exterior aumentaram em US$ 654,33 milhões em comparação com abril do ano passado. Na divisão por categorias de produtos, destacam-se na agropecuária a soja (+165,3%), pescados (+11,1%) e frutas não oleaginosas (+8,9%). Na indústria extrativa, sobressaíram os óleos brutos de petróleo (+26,4%) e a linhita e turfa (+147,9%). Já na indústria de transformação, os automóveis de passageiros (+109,9%), combustíveis (+37,3%) e válvulas e tubos termiônicos (+27,3%) foram os itens que mais contribuíram para o incremento das compras internacionais.

Projeções Otimistas para 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mantém projeções otimistas para a balança comercial brasileira em 2026. A expectativa é de um superávit de US$ 72,1 bilhões para o ano, o que representaria um avanço de 5,9% em relação ao resultado positivo de US$ 68,1 bilhões registrado em 2025. Para as exportações, a previsão é de que encerrem o ano em US$ 364,2 bilhões, uma alta de 4,6% frente a 2025. Quanto às importações, espera-se que atinjam US$ 280,2 bilhões em 2026, um incremento de 4,2% na comparação com o ano anterior. As projeções oficiais da pasta são revisadas e atualizadas trimestralmente, refletindo a dinâmica e as expectativas do cenário econômico global e nacional.

O superávit recorde da balança comercial em abril e o forte desempenho acumulado no primeiro quadrimestre de 2026 sublinham a resiliência e o potencial exportador do Brasil, especialmente nos setores de commodities agrícolas e extrativas. A conjuntura favorável dos preços internacionais, a gestão das exportações de produtos estratégicos como o petróleo, mesmo diante de volatilidades globais, e uma demanda interna específica por bens importados, delineiam um cenário promissor para o comércio exterior brasileiro. As projeções otimistas do Mdic para o ano reforçam a expectativa de que o país continue a colher resultados positivos, contribuindo significativamente para o equilíbrio econômico e o desenvolvimento nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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