Sete indivíduos foram hospitalizados em Ribeira do Pombal, na Bahia, sob a grave suspeita de intoxicação por metanol. A situação acendeu um alerta para as autoridades de saúde estaduais, que rapidamente acionaram um robusto protocolo de investigação e assistência. Os pacientes, internados no Hospital Geral Santa Tereza, permanecem em observação contínua, recebendo todo o suporte médico necessário para monitorar seus quadros de saúde. Embora o estado de saúde específico de cada um não tenha sido detalhado publicamente, a mobilização de diversos órgãos indica a seriedade do incidente. Este episódio local soma-se a um cenário nacional mais amplo de casos de intoxicação por metanol, que tem sido monitorado de perto pelas autoridades de saúde em todo o país nos últimos meses.
Bahia sob alerta: Sete casos suspeitos de intoxicação por metanol mobilizam autoridades
A Secretaria da Saúde da Bahia confirmou a internação de sete pessoas no Hospital Geral Santa Tereza, localizado no município de Ribeira do Pombal, com fortes indícios de intoxicação por ingestão acidental de metanol. A notícia gerou uma resposta imediata por parte dos órgãos competentes, que se uniram para garantir a melhor assistência aos afetados e investigar as causas do ocorrido. Todos os pacientes estão sendo acolhidos e mantidos sob rigorosa observação, com equipes médicas dedicadas a acompanhar sua evolução. A prioridade é estabilizar os quadros clínicos e identificar a origem da contaminação para evitar novos incidentes na região.
A complexa investigação e os protocolos acionados
Diante da gravidade dos casos, um abrangente processo de apuração das causas foi prontamente iniciado. Esta força-tarefa conta com a participação de múltiplos atores cruciais para a vigilância e resposta em saúde. O Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (Cievs-BA) e o Centro de Informações Toxicológicas da Bahia (Ceatox-BA) estão à frente na coordenação das ações. Além disso, a vigilância sanitária, tanto em nível estadual quanto municipal, atua na fiscalização e coleta de dados. Para aprofundar a investigação, a Polícia Civil e o Departamento de Polícia Técnica (DPT) foram envolvidos, buscando elucidar as circunstâncias da ingestão do metanol. Serão realizados exames laboratoriais detalhados para confirmar a presença da substância e avaliar a extensão da intoxicação em cada paciente. Em situações de confirmação, a administração de um antídoto específico, vital para neutralizar os efeitos do metanol no organismo, será efetuada conforme a necessidade. A colaboração interinstitucional é fundamental para desvendar as causas e proteger a saúde pública.
A onda nacional de casos de intoxicação por metanol e suas consequências
O incidente na Bahia reflete um desafio de saúde pública que se manifestou em diversas regiões do Brasil. Entre 26 de setembro e 5 de dezembro de 2025, o país registrou um total de 890 notificações relacionadas à intoxicação por metanol. Deste número expressivo, pelo menos 73 casos foram confirmados laboratorialmente, enquanto outros 29 permaneciam sob investigação até o início de dezembro. Os dados revelam que alguns estados foram mais duramente atingidos. São Paulo liderou as notificações e confirmações, com 578 casos notificados e 50 confirmados. Pernambuco seguiu com 109 notificações e oito confirmações. Outros estados também registraram casos confirmados, como Paraná (seis), Mato Grosso (seis), Bahia (dois) e Rio Grande do Sul (um).
A tragédia da intoxicação por metanol se manifestou também no número de óbitos. Foram confirmadas, ao todo, 22 mortes decorrentes da ingestão da substância no território nacional. São Paulo foi o estado com o maior número de vítimas fatais, registrando 10 óbitos. Pernambuco e Mato Grosso confirmaram cinco e três mortes, respectivamente, enquanto o Paraná teve três óbitos. A Bahia também foi impactada, com um óbito confirmado. Além dos casos confirmados, nove óbitos adicionais estavam sob investigação até o início do mês, sendo cinco em São Paulo, três em Pernambuco e um em Alagoas, evidenciando a persistência do desafio em diversas frentes. A complexidade do cenário demandou uma resposta coordenada e abrangente das autoridades sanitárias.
Do monitoramento intensivo à estabilidade epidemiológica: O encerramento da sala de situação
Em resposta à crescente preocupação com os casos de intoxicação por metanol, o Ministério da Saúde havia instalado, em 1º de outubro, uma sala de situação dedicada ao monitoramento e coordenação de ações em nível nacional. Esta iniciativa reuniu uma vasta gama de especialistas e instituições, incluindo representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Além das entidades de saúde, ministérios como o da Agricultura e Pecuária e o da Justiça e Segurança Pública também participaram, reforçando a abordagem multifacetada para controle e investigação.
Contudo, no último dia 8 de dezembro, o Ministério da Saúde anunciou o encerramento da sala de situação, formalizado por meio de uma portaria publicada no Diário Oficial da União. A decisão foi embasada na avaliação de que um “cenário de estabilidade epidemiológica está consolidado”, impulsionado por uma “redução expressiva de novos casos e óbitos”. O último caso confirmado de intoxicação por metanol foi registrado em 26 de novembro de 2025, referente a um indivíduo que apresentou os primeiros sintomas três dias antes, em 23 de novembro. Com a situação sob controle, a assistência e o acompanhamento dos casos de intoxicações exógenas, incluindo o metanol, retornam ao fluxo rotineiro da vigilância, utilizando o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O Ministério assegurou que todos os estados brasileiros possuem agora um estoque garantido de antídotos específicos e uma capacidade ampliada para realizar diagnósticos precisos, garantindo uma resposta eficaz a futuros incidentes.
O desafio contínuo da vigilância em saúde
Os recentes casos de intoxicação por metanol na Bahia, embora em investigação, reforçam a importância de uma vigilância em saúde constante e eficaz em todo o território nacional. A resposta rápida das autoridades locais em Ribeira do Pombal, mobilizando diversos órgãos e acionando protocolos assistenciais e investigativos, demonstra o compromisso com a saúde pública. Nacionalmente, a experiência com a sala de situação e seu posterior encerramento, baseado em dados epidemiológicos favoráveis, sublinha a capacidade do sistema de saúde de se adaptar e responder a crises. Contudo, a persistência de casos confirmados e óbitos em diversos estados, mesmo que em declínio, serve como um lembrete de que a prevenção, a conscientização e a capacidade de diagnóstico e tratamento continuam sendo pilares essenciais para proteger a população de ameaças como a intoxicação por metanol. O retorno ao fluxo rotineiro do Sinan significa que a atenção à saúde permanece ativa, focada em monitorar e intervir sempre que necessário.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é metanol e como ocorre a intoxicação?
O metanol, também conhecido como álcool metílico, é um tipo de álcool industrial altamente tóxico, diferente do etanol presente em bebidas alcoólicas. A intoxicação por metanol geralmente ocorre por ingestão acidental, muitas vezes quando a substância é confundida com bebidas alcoólicas comuns ou quando utilizada indevidamente em sua fabricação clandestina. Também pode ocorrer por inalação ou contato dérmico prolongado com vapores do produto, embora a ingestão seja a forma mais comum e perigosa de exposição acidental em casos de surtos.
2. Quais são os principais sinais e sintomas de intoxicação por metanol?
Os sintomas da intoxicação por metanol podem ser inicialmente sutis e se assemelhar aos da embriaguez por etanol, o que pode atrasar o diagnóstico. No entanto, com o tempo, o metanol é metabolizado no corpo em substâncias ainda mais tóxicas, como o ácido fórmico, levando a sintomas graves. Estes incluem: náuseas, vômitos, dor abdominal intensa, dor de cabeça, tontura, confusão mental, alterações visuais (visão turva, sensibilidade à luz, e em casos graves, cegueira permanente), dificuldade respiratória e convulsões. Em estágios avançados, pode levar a coma e morte.
3. Qual o tratamento para a intoxicação por metanol e a importância do diagnóstico precoce?
O tratamento para a intoxicação por metanol é uma emergência médica. O diagnóstico precoce é crucial para a recuperação e para evitar sequelas graves ou óbito. O principal antídoto é o etanol ou fomepizol, que competem com o metanol pela enzima que o metaboliza em produtos tóxicos, dando tempo para o corpo eliminar o metanol não metabolizado. Além disso, a hemodiálise pode ser necessária para remover o metanol e seus metabólitos tóxicos do sangue. O tratamento também inclui medidas de suporte para os sintomas, como correção da acidose metabólica.
Para mais informações sobre prevenção e sintomas da intoxicação por metanol, consulte fontes oficiais de saúde e mantenha-se informado sobre os riscos.