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Alerta da OMS: Casos de Sarampo Disparam 32 Vezes nas Américas, Impulsionados por Baixa Vacinação

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), emitiu um alerta crítico para os países das Américas diante de um aumento vertiginoso nos casos de sarampo. O continente registrou uma escalada preocupante, com os números de infecções em 2025 saltando 32 vezes em comparação com o ano anterior, evidenciando uma grave regressão nos esforços de erradicação da doença e a reintrodução de um risco significativo para a saúde pública na região.

Aumento Alarmante e a Perda da Certificação Regional

Os dados revelam uma progressão alarmante. Em 2025, as Américas totalizaram 14.891 casos de sarampo, um aumento impressionante em relação aos 446 registros de 2024, culminando em 29 mortes. O início de 2026 não mostra melhora, com janeiro registrando 1.031 casos, um volume quase 45 vezes maior do que os 23 identificados no mesmo período de 2025. Este cenário levou a Opas a reiterar que o continente perdeu, em novembro passado, sua certificação de região livre da transmissão endêmica do sarampo, um status conquistado com anos de campanhas de imunização.

Foco da Epidemia: América do Norte e a Lacuna na Vacinação

A vasta maioria dos casos de sarampo está concentrada na América do Norte. Em 2025, México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) foram responsáveis por quase 95% do total continental. A tendência persistiu em 2026, com essas três nações somando 948 registros, correspondendo a 92% das notificações da região. A Opas destaca que a principal causa desse ressurgimento é a baixa cobertura vacinal: nos Estados Unidos, 93% dos infectados não estavam vacinados ou tinham histórico vacinal desconhecido; no México, esse percentual foi de 91,2%; e no Canadá, 89% dos casos.

O Cenário Brasileiro: Vigilância Constante em Meio ao Alerta Regional

Apesar do cenário regional preocupante, o Brasil, que recuperou seu certificado de país livre do sarampo em 2024, mantém um status de controle. Em 2025, foram notificados 38 casos no país, a maioria (36) em indivíduos sem vacinação, um aumento em relação aos quatro registros de 2024. Não houve casos reconhecidos em 2026 até o momento. Desses 38 casos de 2025, dez foram importados, 25 relacionados à importação e três tiveram fonte de infecção desconhecida, distribuídos por estados como Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Tocantins.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, enfatiza que, embora o Brasil esteja controlando a doença, a intensa circulação de pessoas entre os países da América do Norte e o território brasileiro representa um “risco constante” de reintrodução do vírus. Ele alerta para a inevitabilidade da entrada de casos importados, ressaltando a importância de manter a vigilância ativa, identificar rapidamente os casos suspeitos e garantir altas coberturas vacinais para prevenir a transmissão sustentada da doença.

Entenda o Sarampo: Sintomas, Complicações e Prevenção

O sarampo é uma doença viral extremamente contagiosa, que, se não tratada, pode levar a complicações graves e até à morte. Os sintomas iniciais incluem febre alta, tosse persistente, coriza, perda de apetite e conjuntivite, com olhos vermelhos, lacrimejantes e sensibilidade à luz. Posteriormente, surgem manchas vermelhas na pele, que geralmente começam no rosto (atrás das orelhas) e se espalham pelo corpo, podendo ser acompanhadas de dor de garganta e descamação da pele. As complicações do sarampo podem ser severas, incluindo cegueira, pneumonia e encefalite, uma inflamação perigosa do cérebro.

A Vacinação como Barreira Fundamental

A forma mais eficaz de prevenção contra o sarampo é a vacinação. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o imunizante tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola, como parte do calendário básico de vacinação infantil. A primeira dose é recomendada aos 12 meses de idade, com a segunda dose aplicada aos 15 meses. Além das crianças, qualquer pessoa com até 59 anos que não possua comprovante de imunização ou não tenha completado o esquema vacinal deve procurar um posto de saúde para atualizar sua carteira. O Ministério da Saúde, com campanhas regulares, reportou dados preliminares de 2025 que indicam um “avanço expressivo” na cobertura da vacina tríplice viral, um passo crucial para manter o Brasil protegido contra a ameaça crescente do sarampo na região.

Diante do ressurgimento do sarampo nas Américas, a Opas e especialistas reforçam a necessidade de ação imediata e coordenada dos Estados Membros. A manutenção de altas coberturas vacinais e uma vigilância epidemiológica robusta são essenciais para proteger as populações, evitar que casos importados se transformem em surtos e, idealmente, reconquistar o status de região livre do sarampo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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