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Março Azul Impulsiona Rastreamento: Exames de Câncer de Intestino Triplicam no SUS

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A campanha Março Azul, dedicada à conscientização sobre o câncer colorretal, tem sido um catalisador fundamental para a saúde pública brasileira. Nos últimos dez anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um aumento expressivo no número de exames voltados para a detecção precoce da doença, uma evolução que reflete tanto a intensificação das estratégias de sensibilização quanto o crescente engajamento da população e das autoridades.

Crescimento Exponencial no Rastreamento da Doença

Dados recentes revelam um avanço notável na oferta e procura por exames de rastreamento. Entre 2016 e 2025, a pesquisa de sangue oculto nas fezes, um método inicial de triagem, expandiu-se de 1.146.998 para 3.336.561 procedimentos, um crescimento de aproximadamente 190%. No mesmo período, as colonoscopias, consideradas o padrão-ouro para o diagnóstico e remoção de lesões pré-cancerígenas, registraram um aumento de cerca de 145%, passando de 261.214 para 639.924 exames.

A distribuição desses exames pelo território nacional em 2025 mostra São Paulo à frente, com 1.174.403 pesquisas de sangue oculto nas fezes, seguido por Minas Gerais (693.289) e Santa Catarina (310.391). Em contrapartida, estados como Amapá (1.356), Acre (1.558) e Roraima (2.984) apresentaram os menores volumes, indicando a necessidade de fortalecer as políticas de acesso em algumas regiões.

Conscientização e Mobilização: Os Pilares do Avanço

Para Eduardo Guimarães Hourneaux, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), o cenário de crescimento dos exames é resultado direto do aprimoramento das estratégias de conscientização e da maior mobilização de entidades médicas em todo o país. Segundo Hourneaux, a campanha Março Azul tem sido fundamental para transformar o receio em ação preventiva e esperança.

Ele destaca que a cada ano mais indivíduos abandonam a procrastinação em relação à saúde intestinal, buscando os serviços de saúde. Esse movimento é particularmente visível no mês de março e reflete o compromisso de autoridades municipais, estaduais e federais que apoiam a causa através de diversas iniciativas, como a iluminação de edifícios, a organização de mutirões e a disseminação de mensagens preventivas em comunidades, escolas e unidades de saúde.

O Impacto da Visibilidade: Casos Públicos e a Mudança de Paradigma

A exposição de casos de câncer de intestino envolvendo figuras públicas tem desempenhado um papel crucial na quebra de tabus e na elevação do tema para o debate cotidiano. O adoecimento e a morte de personalidades trouxeram o assunto à tona, incentivando a população a questionar sintomas e buscar avaliação médica. A trajetória da cantora Preta Gil, por exemplo, coincidiu com um notável aumento nos exames diagnósticos: entre o anúncio de seu diagnóstico em 2023 e seu falecimento dois anos depois, as pesquisas de sangue oculto nas fezes no SUS cresceram 18%, e as colonoscopias aumentaram 23%.

O presidente da Sobed ressalta que ao tornarem públicos seus diagnósticos, figuras como Preta Gil, Chadwick Boseman e Roberto Dinamite converteram sua dor em um alerta vital para milhões de pessoas. Seus depoimentos e entrevistas funcionam como um poderoso lembrete de que o câncer de intestino pode afetar qualquer indivíduo, mas a probabilidade de cura é significativamente maior quando a doença é detectada precocemente, enfatizando a importância de não adiar a investigação de quaisquer sinais ou sintomas.

Março Azul: Uma Campanha em Expansão e Seus Desafios Futuros

A campanha Março Azul, estabelecida nacionalmente desde 2021, é uma iniciativa conjunta da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Sua relevância tem crescido, e neste ano, a campanha conta com o apoio institucional de importantes entidades como a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), além de outras sociedades de especialidades médicas.

Apesar do progresso nos exames, as projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam um cenário desafiador. Estima-se que as mortes prematuras por câncer de intestino (antes dos 70 anos) deverão aumentar até 2030, tanto entre homens quanto entre mulheres. Esse aumento é atribuído não apenas ao envelhecimento populacional, mas também ao crescimento da incidência da doença em jovens, ao diagnóstico tardio e à ainda baixa cobertura de exames de rastreamento em certas faixas da população. Esses dados sublinham a importância contínua e a expansão das ações preventivas e de acesso aos exames.

O Março Azul representa um marco na luta contra o câncer colorretal no Brasil, demonstrando que o investimento em informação e acesso pode gerar resultados expressivos. O triplicar de exames no SUS ao longo da última década é um testemunho do sucesso dessas iniciativas. Contudo, o caminho para reverter as projeções de aumento da mortalidade e garantir a detecção precoce para todos os brasileiros ainda exige um esforço contínuo e integrado de conscientização, mobilização e aprimoramento da cobertura de saúde.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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