A Polícia Civil do Paraná (PCPR) concluiu e encaminhou à Justiça o inquérito que apura a morte do cão comunitário Abacate, ocorrida em Toledo, no oeste paranaense. A investigação apontou um bombeiro militar como o autor do disparo fatal que ceifou a vida do animal, cujo caso gerou grande comoção e repercussão entre os moradores da cidade.
O Vínculo Comunitário de Abacate e a Manhã Trágica
Abacate não era apenas um cão de rua, mas um membro querido do bairro Tocantins. Adotado informalmente pela comunidade há cerca de cinco meses, desde que chegou como filhote seguindo crianças que voltavam de bicicleta, ele se tornou um símbolo de afeto e cuidado. Moradores como a empresária Raquel Cassol da Silva ofereciam abrigo, e Abacate tinha na casa dela seu porto seguro para dormir, embora passasse o dia explorando o bairro. A comunidade, em um esforço conjunto, já havia se organizado para castrá-lo nos próximos dias. Na manhã fatídica de terça-feira, ele foi solto por volta das 6h30, como de costume, e foi encontrado ferido horas depois, em frente à casa de Raquel, um local familiar para seu descanso.
A Investigação da Polícia Civil e a Prova Crucial
A Polícia Civil, por meio do delegado Alexandre Macorin, confirmou a identificação do autor do disparo, um profissional de segurança que possuía uma arma legalizada. O inquérito foi robusto, e, segundo as autoridades, não há dúvidas sobre a autoria do crime. Uma das evidências-chave da investigação é um vídeo que mostra o homem se aproximando do cachorro de carro, para, de acordo com a polícia, verificar se o animal havia sido atingido após o disparo. A identidade do bombeiro não foi revelada publicamente, mas ele será submetido à defesa em juízo. A Polícia Civil também esclareceu que o ato não ocorreu durante o exercício da função ou em horário de trabalho do servidor.
A Luta Pela Vida e as Consequências Legais
Ao ser encontrado ferido, Abacate recebeu os primeiros socorros de moradores, que acionaram uma clínica veterinária particular. Após a constatação de que o ferimento era proveniente de um disparo de arma de fogo, a equipe municipal de Proteção Animal de Toledo foi mobilizada. Os exames revelaram um quadro gravíssimo: a bala transpassou o corpo do cão, perfurando dois pontos do intestino, o que causou uma severa contaminação abdominal, além de comprometer ambos os rins. Apesar de uma cirurgia emergencial para tentar corrigir as lesões, Abacate não resistiu e veio a óbito durante o procedimento, chocando ainda mais a comunidade que tanto o amava.
Diante da gravidade do ocorrido, o caso foi investigado como maus-tratos a animal com resultado morte, uma tipificação penal severa. O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, por sua vez, informou que aguarda a notificação oficial sobre o inquérito. A corporação ressaltou que não compactua com a prática de maus-tratos a animais e que situações dessa natureza são apuradas rigorosamente, seguindo as normas internas e a legislação vigente, demonstrando o compromisso com a ética e a legalidade em todos os seus membros.
A morte de Abacate não é apenas um caso isolado de crueldade animal; é um lembrete doloroso da vulnerabilidade dos animais e do impacto que tais atos causam em comunidades inteiras. Com a conclusão do inquérito e o encaminhamento à Justiça, espera-se agora que o processo judicial traga a devida responsabilização pelo trágico fim do cão comunitário que conquistou o coração de Toledo.
Fonte: https://g1.globo.com