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Alerta Máximo: Caso de Sarampo em Bebê de SP Reforça Urgência da Vacinação no Brasil

© Tomaz Silva/Agência Brasil

A confirmação de um caso de sarampo em um bebê de apenas seis meses na cidade de São Paulo, registrada na semana passada, reacendeu o debate sobre a importância crítica de manter elevadas taxas de cobertura vacinal. O episódio serve como um lembrete contundente de que a imunização coletiva é a principal barreira de proteção para os membros mais vulneráveis da sociedade, que ainda não podem ser diretamente imunizados contra a doença.

A Vulnerabilidade dos Mais Jovens e o Escudo Coletivo

O bebê diagnosticado com sarampo estava fora da faixa etária para receber a vacina, uma vez que o calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) recomenda a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses. Esta vacina confere proteção contra sarampo, caxumba e rubéola. Posteriormente, aos 15 meses, uma dose da tetra viral reforça essa imunidade e adiciona a proteção contra a catapora. Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), a alta cobertura vacinal entre a população adulta e infantil cria um "escudo protetor" que resguarda os bebês e outras pessoas não aptas à vacinação.

Kfouri enfatiza que a vacina do sarampo possui uma "capacidade esterilizante", o que significa que, além de prevenir que o indivíduo contraia a doença, ela impede que o vacinado se torne um portador e transmissor do vírus. Essa característica é fundamental para interromper as cadeias de transmissão e garantir a segurança de toda a comunidade.

Casos Importados e o Risco de Ressurgimento Local

O caso da bebê em São Paulo revelou-se ser de origem importada; ela havia viajado com a família para a Bolívia em janeiro, país que enfrenta um surto de sarampo desde o ano anterior. A manutenção de altas coberturas vacinais é essencial para barrar a entrada de vírus e impedir que casos como este desencadeiem novos surtos dentro do território nacional. Kfouri adverte que, dada a altíssima transmissibilidade do sarampo, a ausência de imunização em massa torna a população vulnerável não apenas a casos importados por viajantes, mas também pela constante chegada de pessoas de países com surtos ativos.

Cenário Epidemiológico: Brasil e Américas em Alerta

Apesar de ter registrado o primeiro caso deste ano, o Brasil ainda mantém o certificado de área livre de sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em 2024, graças à ausência de transmissão sustentada da doença. Contudo, essa condição é frágil; o país já havia conquistado o mesmo certificado em 2016, mas o perdeu em 2019 após surtos que, ironicamente, tiveram início com casos importados. Os dados mais recentes sobre cobertura vacinal indicam que, em 2023, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade recomendada, um índice ainda distante do ideal para a proteção coletiva.

O cenário nas Américas é particularmente preocupante. Em 2023, foram registrados 14.891 casos de sarampo e 29 mortes em 14 países. Preocupa ainda mais o rápido avanço da doença em 2024: até 5 de março, já haviam sido confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior em apenas dois meses. México, Estados Unidos e Guatemala são os países mais afetados, e a grande maioria dos casos ocorre em indivíduos não vacinados, especialmente crianças menores de um ano.

Sarampo: Uma Doença com Complicações Graves

Contrariando a percepção comum, o sarampo não é uma doença inofensiva da infância. Kfouri alerta que, em surtos, a proporção de óbitos pode ser alta, com uma morte esperada para cada mil casos, mas os registros recentes nas Américas mostram uma proporção ainda maior. As complicações mais frequentes e severas incluem pneumonia e quadros neurológicos como a encefalite, que podem deixar sequelas permanentes ou serem fatais.

Os sintomas iniciais da doença caracterizam-se por manchas vermelhas na pele e febre alta, frequentemente acompanhados de tosse, coriza, irritação ocular e mal-estar geral. Além dos sintomas agudos, o sarampo provoca um efeito secundário perigoso: a supressão do sistema imunológico. "Durante três a seis meses após a infecção, nosso sistema de defesa não funciona corretamente, tornando o indivíduo mais vulnerável a outras doenças infecciosas oportunistas, que também podem ser graves", explica o vice-presidente da Sbim.

Esquema Vacinal: Proteção Essencial para Todas as Idades

A vacinação completa é a forma mais eficaz de prevenção. Para bebês, o esquema do SUS prevê a tríplice viral aos 12 meses e a tetra viral aos 15 meses. Para crianças e adultos que não possuem comprovante de vacinação ou que não completaram o esquema, recomenda-se duas doses com intervalo de um mês para pessoas entre 5 e 29 anos, e uma única dose para aqueles entre 30 e 59 anos. É importante ressaltar que a vacina é contraindicada apenas para gestantes e indivíduos imunocomprometidos.

Diante do cenário de ressurgimento da doença em diversas regiões e da vulnerabilidade de grupos como os lactentes, a adesão rigorosa ao calendário vacinal é uma responsabilidade coletiva. A imunização de cada indivíduo contribui diretamente para a proteção de toda a comunidade, prevenindo o retorno de uma doença que, embora evitável, ainda representa uma grave ameaça à saúde pública.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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