O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), anunciou a reformulação da Unidade de Gestão de Integridade (UGI). A iniciativa, publicada no Diário Oficial na última segunda-feira (16), surge como uma resposta direta aos recentes casos de corrupção descobertos em departamentos da Polícia Civil do Estado de São Paulo. A reestruturação visa aprimorar os mecanismos internos de detecção e prevenção de fraudes, corrupção e desvios éticos na gestão pública, reforçando o compromisso com a transparência e a confiança da população nas forças de segurança.
Nova Liderança e Foco na Prevenção
A UGI, que tem como missão primária adotar procedimentos internos para monitorar a ética e o trabalho do servidor público, agora conta com uma liderança renovada e uma abordagem estratégica mais robusta. Para coordenar a pasta, foi designada a delegada Alexandra Comar de Agostini, uma profissional com vasta experiência, acumulando mais de 30 anos de atuação na Corregedoria da Polícia Civil e na Controladoria-Geral do Estado. Sua nomeação sinaliza uma prioridade na qualificação e experiência para a função.
A principal meta da reestruturação, conforme destacou a delegada Agostini, é implementar trabalhos preventivos que antecipem e evitem comportamentos inadequados por parte dos agentes. Diferentemente das corregedorias, que atuam após a constatação de uma infração ou crime, a UGI focará na proatividade para coibir tais práticas. Essa abordagem preventiva é vista como essencial para solidificar a confiança dos cidadãos nas instituições policiais.
Composição Interinstitucional para Maior Efetividade
A nova composição da Unidade de Gestão de Integridade se destaca pela integração de membros de três importantes instituições policiais do estado: a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Polícia Técnico-Científica. A seleção desses profissionais foi criteriosa, baseada em sua experiência, capacitação técnica e reputação dentro de suas respectivas corporações, buscando garantir um corpo técnico qualificado e com credibilidade para as complexas atribuições da UGI.
Representantes da Polícia Civil
A equipe da Polícia Civil na UGI é encabeçada pela própria delegada Alexandra Comar de Agostini. Ela é acompanhada pelo suplente João Francisco Crusca, e pelos delegados Antonio Carlos Ortola Jorge e Marcos Cesar Montebello Fabri, todos com papéis fundamentais na implementação das diretrizes de integridade.
Representantes da Polícia Militar
A Polícia Militar contribui com três capitães experientes: Flávio Martinez, Adriana de Morais Zuppo e Gustavo Henrique Rocha Bonifácio. A presença militar garante uma perspectiva ampla e intersetorial na análise e aplicação de medidas anticorrupção.
Representantes da Polícia Técnico-Científica
A Polícia Técnico-Científica é representada pelas peritas criminais Maria Paula de Oliveira Valadares e Mara Pires de Lima Derani. A inclusão de peritos ressalta a importância de uma análise técnica e isenta em processos de investigação de desvios.
O Contexto: Operação Baltazar e a Corrupção na Polícia Civil
A necessidade de reestruturação da UGI foi impulsionada pela deflagração da Operação Baltazar, uma ação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo. A operação, realizada em 5 de agosto, focou no combate à corrupção e lavagem de dinheiro em setores da Polícia Civil. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, 11 mandados de prisão e 6 mandados de intimação para medidas cautelares. Até o momento, nove pessoas foram detidas, incluindo dois investigadores, um escrivão, um delegado, a ex-contadora do doleiro Alberto Yousseff, Meire Poza, e indivíduos ligados a organizações criminosas. Leonardo Meirelles, também relacionado à Operação Lava Jato, figura entre os procurados.
As investigações revelaram que a corrupção se manifestava em departamentos como o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e o 16º Distrito Policial (Vila Clementino). Os envolvidos teriam transformado inquéritos em verdadeiros 'balcões de negócios', controlando unidades para o recebimento sistemático de vantagens indevidas, além de utilizar estratégias de fraude processual, manipulação de investigações e destruição de provas. As prisões foram decretadas pelo juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.
Desafios de Integridade em Âmbito Nacional
A reestruturação em São Paulo reflete um cenário mais amplo de desafios de integridade enfrentados pelas forças de segurança em todo o país. Recentemente, no Rio de Janeiro, mais de 30 policiais foram presos em apenas três dias, em uma operação integrada da Polícia Federal, Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e Polícia Civil do Estado. As prisões decorreram de investigações sobre esquemas de corrupção, proteção a atividades ilegais e colaboração com organizações criminosas, com a Operação Anomalia, da PF, sendo parte dessa ofensiva. Esses eventos nacionais sublinham a urgência e a relevância das medidas preventivas e de gestão de integridade que o Governo de São Paulo está agora implementando e fortalecendo.
A reformulação da Unidade de Gestão de Integridade pelo Governo de São Paulo representa um passo significativo na luta contra a corrupção e na busca pela excelência e ética dentro das instituições policiais. Ao focar na prevenção, na experiência de seus membros e na colaboração interinstitucional, a iniciativa busca não apenas erradicar desvios, mas também reconstruir e fortalecer a confiança da sociedade nas forças que têm a responsabilidade de protegê-la. O programa de integridade, estabelecido por um decreto de maio de 2023, ganha um novo fôlego e uma estrutura mais preparada para enfrentar os complexos desafios da gestão pública e da segurança.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br