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Mercados Europeus Recuam Diante da Disparada do Petróleo e Tensões Geopolíticas

Recepção da Bolsa de Valores de Frankfurt  • Andrea Comas/Reuters

As principais bolsas de valores da Europa registraram quedas nesta segunda-feira, 9 de outubro, refletindo uma acentuada aversão ao risco impulsionada pela forte valorização dos preços do petróleo. A instabilidade no Oriente Médio, que intensificou preocupações com o fornecimento global de energia, desencadeou um movimento de venda nos mercados. Apesar de um início de pregão marcado por perdas significativas, o cenário foi parcialmente amenizado ao longo do dia, à medida que a commodity energética devolveu parte dos ganhos mais expressivos observados na madrugada, dissipando alguns temores imediatos de estagflação.

Desempenho dos Índices e Aversão ao Risco Generalizada

O sentimento de cautela dominou as negociações, resultando em quedas generalizadas nos principais índices europeus. Em Londres, o FTSE 100 encerrou o dia com recuo de 0,34%, atingindo 10.249,52 pontos. Frankfurt viu o DAX ceder 0,83%, para 23.394,38 pontos, enquanto o CAC 40 de Paris apresentou uma perda de 0,98%, fechando em 7.915,36 pontos. A bolsa de Milão, com seu índice FTSE MIB, registrou queda de 0,29%, a 44.024,96 pontos. Madri, por sua vez, teve o Ibex 35 em declínio de 0,79%, a 16.939,20 pontos, e Lisboa fechou com o PSI 20 em baixa de 0,78%, a 8.875,96 pontos.

Preocupações Macroeecônicas e Análises de Mercado

A valorização da energia reavivou temores sobre a inflação e o crescimento econômico, colocando pressão sobre as autoridades monetárias. Analistas da Bernstein indicaram que, caso o barril de petróleo atinja US$ 130, a inflação global poderia ser elevada em até 0,9 ponto percentual até 2026. Este cenário potencialmente adverso poderia levar o Banco Central Europeu (BCE) a adotar uma postura mais rigorosa na política monetária, visando conter efeitos de segunda ordem sobre os preços.

Em contraste, o Danske Bank avaliou que o choque atual de preços é predominantemente de oferta. Sob essa perspectiva, os principais bancos centrais não deveriam reagir com aumentos nas taxas de juros, argumentando que tal medida não resolveria a raiz do problema. Paralelamente às tensões energéticas, dados econômicos desfavoráveis da Alemanha também contribuíram para o pessimismo, com as encomendas à indústria do país registrando uma queda acentuada de 11,1% entre dezembro e janeiro, indicando fraqueza na atividade manufatureira.

Setores em Destaque: Impactos no Combustível e Destaques Individuais

A volatilidade do petróleo teve impactos contrastantes em diferentes setores. As companhias aéreas figuraram entre as mais afetadas, sentindo a pressão do aumento dos custos de combustível. Empresas como Air France-KLM, Wizz Air e Ryanair registraram quedas de aproximadamente 3%, 2% e 2%, respectivamente. Por outro lado, as grandes petroleiras tiveram um dia positivo, ajudando a limitar as perdas gerais nos mercados.

Em Londres, a BP subiu cerca de 0,6%, e a Shell avançou aproximadamente 2,2%. No continente, a TotalEnergies da França valorizou 1%, a Repsol da Espanha teve um aumento de 0,58%, e a italiana Eni registrou alta de 1,97%. Além do cenário macroeconômico, um destaque negativo individual foi a farmacêutica Roche, cujas ações caíram pouco mais de 3% após seu medicamento experimental para câncer de mama não atingir o objetivo principal em um estudo clínico de fase avançada.

O pregão desta segunda-feira sublinhou a profunda sensibilidade dos mercados europeus às flutuações dos preços do petróleo e à escalada de tensões geopolíticas. Apesar da recuperação parcial da commodity, a incerteza permanece como fator preponderante, influenciando as expectativas para a inflação e o crescimento econômico global. A capacidade de adaptação das políticas monetárias e fiscais frente a esses desafios será crucial para a estabilidade futura.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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