O cenário do agronegócio paranaense tem sido palco de uma revolução silenciosa, impulsionada pela crescente e determinada presença feminina. Mulheres como Franciele Gusatto e Joice Lopes não apenas gerenciam propriedades rurais complexas, mas também desafiam estereótipos, quebram barreiras históricas e se estabelecem como líderes visionárias, redefinindo o papel da mulher no campo e inspirando novas gerações.
Liderança e Inovação na Gestão Rural
Em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, a médica veterinária Franciele Gusatto comanda uma vasta propriedade familiar, supervisionando uma operação robusta com cerca de 600 animais, incluindo 210 vacas em lactação. Sua rotina envolve desde a gestão da produção de leite e a comercialização de genética animal até o atendimento clínico do rebanho. Com o apoio e incentivo constante de seus pais, Franciele consolidou sua posição, afirmando-se como uma mulher de fibra e coragem, destemida diante dos desafios e preconceitos inerentes ao setor.
Franciele observa uma mudança significativa no mercado nos últimos anos. Se antes as negociações por animais ou genética eram predominantemente conduzidas por homens, hoje ela percebe que a maior parte dos interlocutores são produtoras, que chegam com poder de decisão para discutir valores e fechar negócios. Além das responsabilidades profissionais, ela destaca o esforço diário para conciliar a gestão da fazenda com o papel de mãe, um desafio que, segundo ela, exige um equilíbrio delicado e constante para muitas mulheres contemporâneas.
Superando Desafios com Conhecimento e Determinação
No município de Ampére, também no sudoeste do estado, Joice Lopes exemplifica a fusão entre prática e teoria. Enquanto gerencia sua lavoura de grãos não-transgênicos, ela ainda encontra tempo para dirigir caminhões e colheitadeiras e se dedica a uma intensa jornada acadêmica, tendo concluído o mestrado e atualmente finalizando seu doutorado. Sua trajetória é um testemunho da capacidade feminina de dominar diferentes esferas, do operacional ao estratégico, na agricultura.
Joice relata ter enfrentado machismo e assédio em um ambiente historicamente dominado por homens, mas destaca a evolução de sua experiência, onde conseguiu transformar olhares maliciosos em respeito. Embora reconheça que a situação melhorou consideravelmente, ela alerta para a persistência de desafios, como a recusa de alguns em negociar com mulheres ou tentativas de ludibriá-las em transações. Para Joice, a principal ferramenta para as mulheres consolidarem sua presença no agronegócio é o conhecimento, motivo pelo qual ela sempre investiu em cursos profissionalizantes e de empreendedorismo rural.
Apesar das adversidades, a paixão pela terra e pela produção é o que move Joice. Ela descreve a emoção de semear um grão e observar a transformação em alimento, um milagre contínuo que alimenta sua dedicação inabalável à lavoura.
O Crescimento da Participação Feminina no Agronegócio
A história de Franciele e Joice reflete uma tendência nacional. Embora em 2017 as mulheres representassem 18% dos trabalhadores rurais no Brasil, conforme dados do IBGE, a percepção de uma mudança significativa no campo é unânime entre as produtoras. Elas não estão apenas em funções de apoio, mas assumem cada vez mais papéis de liderança, gestão e decisão, com autonomia para conduzir os rumos de suas propriedades e negócios. Esta ascensão é impulsionada pela resiliência, pela busca contínua por qualificação e pela determinação em superar preconceitos.
O empoderamento feminino no agronegócio do Paraná não é apenas uma questão de igualdade, mas um fator crucial para a inovação e o desenvolvimento do setor. Com suas perspectivas únicas, capacidade de multitarefa e foco em sustentabilidade e conhecimento, as produtoras paranaenses são a vanguarda de uma nova era para a agricultura brasileira.
Conclusão: Um Futuro Promissor e Feminino no Campo
As histórias de Franciele Gusatto e Joice Lopes são mais do que exemplos isolados; elas são a representação de um movimento robusto de mulheres que, com coragem, conhecimento e paixão, estão redefinindo o agronegócio paranaense. Sua capacidade de liderar, inovar e superar desafios não apenas garante a produtividade de suas fazendas, mas também pavimenta o caminho para um futuro mais inclusivo e próspero no campo, onde a força feminina é um pilar essencial para o desenvolvimento rural.
Fonte: https://g1.globo.com