Quase vinte anos após o brutal assassinato de Giovanna dos Reis Costa, então com 9 anos, em abril de 2006, um desdobramento crucial reacende a esperança por justiça no Paraná. A Polícia Civil prendeu Martônio Alves Batista, de 55 anos, principal suspeito do crime de estupro e homicídio qualificado. A detenção ocorre em um momento crítico: a investigação foi reaberta apenas dois meses antes que o caso atingisse o prazo legal de prescrição, que é de 20 anos para crimes com pena máxima superior a 12 anos.
A Prisão e a Reabertura da Investigação
Martônio Alves Batista foi detido preventivamente na última quinta-feira (19) na cidade de Londrina, no norte do Paraná. A reativação do inquérito que apura a morte da menina Giovanna, que ocorreu na Região Metropolitana de Curitiba, foi essencial para que o caso não prescrevesse. Segundo a delegada Camila Cecconello, a conclusão do inquérito está prevista para os próximos dias, após o que será encaminhado ao Ministério Público do Paraná. A formalização de uma denúncia contra Martônio, caso ocorra, impedirá definitivamente a prescrição do crime, garantindo que o processo legal possa ter continuidade.
O Desaparecimento e a Tragédia de 2006
Giovanna dos Reis Costa desapareceu em 10 de abril de 2006, enquanto vendia rifas escolares nas proximidades de sua casa em Quatro Barras. Dois dias depois, em 12 de abril, seu corpo foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos. A perícia da época confirmou sinais extremos de violência sexual e apontou a morte por asfixia mecânica, possivelmente esganadura ou sufocamento. As roupas da vítima foram localizadas em outro terreno desocupado, a cerca de 50 metros da residência da família.
À época do crime, Martônio Alves Batista, que era vizinho da família de Giovanna, chegou a ser considerado suspeito. Policiais visitaram sua casa no dia do desaparecimento da menina. A então esposa de Martônio informou que ele estava sozinho em casa. Durante a vistoria, os policiais notaram um colchão com manchas de urina, mas, ao retornarem com a perícia, o objeto havia sumido, e a casa apresentava sinais de limpeza recente com água sanitária. A calcinha de Giovanna também estava impregnada de urina, e um fio de energia similar ao que amarrava o corpo da criança foi encontrado no quintal de Martônio. Apesar das evidências circunstanciais, ele prestou depoimento e foi liberado, enquanto outros suspeitos foram presos e, posteriormente, inocentados.
A Virada na Investigação: Novas Acusações e a Confissão Indireta
O caso de Giovanna ganhou um novo e crucial impulso em 2025, a partir de uma denúncia feita em 2019 por uma ex-enteada de Martônio. Ela relatou ter sido vítima de abusos sexuais por parte do padrasto entre os 11 e 14 anos, mantendo silêncio devido a ameaças. A jovem decidiu denunciar Martônio após ele ser brevemente preso por instalar câmeras em um banheiro feminino de uma pastelaria de sua propriedade. Ao reconhecê-lo em reportagens, ela contou à mãe sobre os abusos e procurou um advogado.
O detalhe que interligou os crimes, permitindo a reabertura do antigo inquérito, surgiu quando a ex-enteada revelou um terrível padrão nas ameaças de Martônio: ele a aterrorizava dizendo que ela seria 'a próxima Giovanna'. Essa menção explícita ao nome da vítima do homicídio de 2006 forneceu o elo perdido e a prova necessária para reativar as investigações sobre a morte da menina, direcionando o foco novamente para Martônio Alves Batista.
Os Próximos Passos Legais e a Defesa do Suspeito
Com a prisão de Martônio, a investigação se intensifica para a formalização da acusação. A delegada Cecconello enfatiza que o inquérito será concluído e enviado ao Ministério Público para análise e possível denúncia. Uma vez denunciado, o crime não mais corre o risco de prescrição, garantindo a continuidade do processo judicial. A defesa de Martônio, por meio do advogado Eduardo Caldeira, informou ao g1 que está 'levantando pontos técnicos' para apresentar à Justiça. O advogado argumenta que se trata de um caso com grande lapso temporal e que a legislação exige 'fundamentos atuais e fundamentos concretos' para a manutenção da prisão preventiva.
Conclusão
A prisão de Martônio Alves Batista representa um marco significativo na busca por justiça para Giovanna dos Reis Costa, quase vinte anos após o crime que chocou Quatro Barras. O desdobramento sublinha a importância da perseverança na investigação criminal e como novas informações, mesmo anos depois, podem ser cruciais para desvendar casos complexos. A reabertura do inquérito à beira da prescrição oferece à família de Giovanna a esperança de um desfecho e de que, finalmente, a responsabilização pelo brutal assassinato seja alcançada.
Fonte: https://g1.globo.com