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Consumo de Café no Brasil Recua em 2025 Diante de Preços Elevados, Mas Setor Mantém Resiliência

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado brasileiro de café registrou uma retração no consumo doméstico em 2025, um reflexo direto da significativa elevação dos preços nos últimos anos. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) revelam uma queda de 2,31% no volume consumido entre novembro de 2024 e outubro de 2025, em comparação com o período anterior. Apesar do declínio, a indústria demonstra otimismo e ressalta a notável resiliência do café para o consumidor nacional, um cenário paradoxal que aponta para a complexidade do setor.

O Cenário do Consumo Doméstico

A análise da Abic indica que o consumo interno de café passou de 21,9 milhões de sacas de 60 kg em 2024 para 21,4 milhões no ano passado. Este volume representa um recuo após o pico histórico de 22 milhões de sacas alcançado em 2017. Mesmo com a leve redução, o Brasil mantém sua posição como o segundo maior consumidor de café do mundo, sendo superado apenas pelos Estados Unidos. No entanto, quando o recorte é feito por consumo per capita, o brasileiro se destaca, ingerindo, em média, impressionantes 1,4 mil xícaras de café anualmente, superando a nação norte-americana e evidenciando a profunda relação cultural com a bebida.

A Escalada dos Preços e Suas Razões

A principal força motriz por trás da diminuição do consumo reside na valorização acentuada do produto. Os preços para o consumidor final subiram 5,8% em 2025, impulsionados pela volatilidade observada nos anos anteriores. A matéria-prima, nos últimos cinco anos, experimentou aumentos ainda mais dramáticos: o café conilon registrou alta de 201%, enquanto o arábica disparou 212%. No varejo, o impacto acumulado foi um aumento de 116%. Pavel Cardoso, presidente da Abic, atribui essa escalada a uma série de fatores interligados, como safras ruins e consecutivas desde 2021, causadas por problemas climáticos, e a consequente redução dos estoques globais, gerando um desequilíbrio na cadeia de oferta e demanda.

A Indústria em Meio à Crise: Faturamento e Perspectivas de Estabilidade

Paradoxalmente à queda no consumo, a indústria cafeeira brasileira registrou um crescimento robusto no faturamento em 2025, atingindo R$ 46,24 bilhões, um aumento de 25,6%. Esse resultado foi impulsionado majoritariamente pelo repasse dos preços mais altos ao consumidor. Para o ano de 2026, a Abic não prevê uma queda significativa nos preços, mas sim um ambiente mais estável, alavancado pela expectativa de uma safra muito boa. Contudo, a redução dos preços ao consumidor só deverá se concretizar daqui a, no mínimo, duas safras, dada a persistência de baixos estoques mundiais. Diante desse cenário, a estratégia da Abic foca em promoções para manter o interesse do consumidor e impulsionar as vendas.

Desafios e Oportunidades no Comércio Internacional

Além do cenário interno, a cadeia do café brasileiro continua engajada na redução de tarifas externas. Apesar da suspensão da tarifa de 40% sobre o café em grão pelo governo dos Estados Unidos em novembro passado, o café solúvel ainda permanece taxado. A Abic expressa otimismo quanto à reversão dessa medida nos próximos meses, que tem sido alvo de intensas discussões. Em contrapartida, a recente assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia é vista como uma fonte de perspectivas positivas para o setor, fortalecendo a posição do Brasil, o maior produtor global de café, com cerca de 40% da produção mundial.

Em síntese, o mercado de café no Brasil atravessa um período de desafios marcados pela valorização do produto e a consequente retração do consumo. Contudo, a resiliência do consumidor brasileiro, a capacidade de adaptação da indústria e as perspectivas de uma safra promissora, somadas a acordos comerciais estratégicos, apontam para um horizonte de estabilidade e a busca contínua por um equilíbrio que garanta a permanência da bebida na mesa dos brasileiros e a solidez do setor no cenário global.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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