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PF Desmantela Fraude em Postos do PR: ‘Laranjas’ Recebiam Mesada e Grupo Lucrava Milhões com Adulteração

G1

Uma complexa operação da Polícia Federal (PF) em Curitiba e sua Região Metropolitana revelou um vasto esquema de adulteração em postos de combustíveis. A investigação desvendou como um grupo criminoso utilizava “laranjas” – pessoas de baixa renda ou trabalhadores informais – para abrir empresas de fachada. Esses indivíduos emprestavam seus nomes e dados para o registro dos negócios e, em troca, recebiam uma espécie de 'mesada' de cerca de R$ 1,5 mil, enquanto as empresas eram usadas para lavagem de dinheiro e para esconder as atividades ilícitas da organização.

A Estrutura Criminosa e o Papel Fundamental dos 'Laranjas'

O relatório final da PF, ao qual a RPC teve acesso, detalha a engrenagem por trás da fraude. Os 'laranjas' eram recrutados por seu perfil de vulnerabilidade econômica, tornando-se peças-chave na dissimulação do verdadeiro controle dos postos. Embora essas empresas estivessem formalmente em nome de terceiros, as apurações confirmaram que a operação era orquestrada por um grupo autodenominado 'diretoria', composto por Rafael Renard Gineste, Thiago Ramos, Gerson Lemes, Felipe Jacobs, Renato Gineste, Rodrigo Gineste e Italo Belon Neto. Esses líderes garantiam que, por trás da fachada legal, o esquema de fraude continuasse a operar sem levantar suspeitas diretas sobre os verdadeiros proprietários.

As Múltiplas Faces da Fraude nos Abastecimentos

A ação criminosa não se limitava à ocultação de patrimônio; ela lesava diretamente os consumidores. As investigações da PF apontaram que a fraude acontecia de duas maneiras distintas: a primeira, por meio da manipulação das bombas, que entregavam uma quantidade de combustível inferior à indicada, resultando em pagamento por um volume não recebido. A segunda, pela adulteração do produto em si, elevando a quantidade de etanol adicionado à gasolina além dos limites permitidos, comprometendo a qualidade e o desempenho dos veículos. A abrangência do esquema foi constatada após a análise de 50 postos de combustíveis, onde laudos da Polícia Federal indicaram que, em 44 deles, havia irregularidades no fornecimento, corroborando a extensão da prática fraudulenta.

Gerenciamento de Lucros e o Vultoso Esquema de Lavagem de Dinheiro

O controle da 'diretoria' sobre o esquema era minucioso. Os investigados gerenciavam todos os lucros, adulteração e fraudes por meio de um grupo de WhatsApp, utilizando planilhas detalhadas para registrar a contabilidade de cada posto e a distribuição dos valores entre os integrantes. A lucratividade era exorbitante, com um dos membros chegando a registrar um lucro de quase R$ 249 mil em apenas um mês. A lavagem de dinheiro era evidenciada por uma 'quantidade colossal' de depósitos fracionados em dinheiro nos postos após a aquisição pelo grupo, com um volume médio 187% maior. Enquanto postos não controlados pelo grupo tinham uma média mensal de depósitos de R$ 95,6 mil, aqueles sob o comando dos investigados alcançavam R$ 276,3 mil, demonstrando a injeção massiva de capital ilícito.

Desdobramentos Legais e o Andamento da Justiça

A Polícia Federal indiciou os sete homens apontados como chefes da 'diretoria', além de Gustavo Ardenghi, descrito como um 'recurso fundamental na estrutura de ocultação de patrimônio e suporte jurídico do esquema', embora sua investigação esteja restrita à fraude de combustíveis. Os crimes imputados incluem estelionato – por induzir o consumidor ao erro e obter vantagem ilícita – e crime contra a ordem econômica – pela aquisição e revenda de combustíveis em desacordo com as normas legais. As penas somadas para cada um dos envolvidos podem chegar a 40 anos de reclusão. É relevante mencionar que sete deles já são réus por lavagem de dinheiro e organização criminosa em uma ação penal anterior decorrente da mesma operação, e Rodrigo e Renato também respondem por obstrução da Justiça. Atualmente, Thiago, Gerson, Ítalo e Rafael encontram-se presos, enquanto Felipe, Renato e Rodrigo são considerados foragidos. O inquérito foi agora encaminhado ao Ministério Público Federal, que analisará o relatório e decidirá sobre a apresentação de denúncia à Justiça.

O Posicionamento das Defesas dos Envolvidos

Diante das acusações, os advogados dos citados apresentaram suas contestações. A defesa de Gerson Lemes e Thiago Augusto de Carvalho Ramos declarou que os fatos narrados no inquérito não configuram a prática de qualquer crime, expressando confiança em uma análise técnica que, segundo eles, afastará as acusações. Os advogados de Rafael Gineste negaram o envolvimento de seu cliente e afirmaram que a improcedência das acusações será demonstrada no decorrer do processo. Da mesma forma, a defesa de Renato Gineste, Rodrigo Gineste e Felipe Renan Jacobs informou que, ao longo do trâmite processual, seus clientes terão a oportunidade de comprovar a regularidade de suas operações. Por fim, a defesa de Gustavo Ardenghi reiterou que o empresário não possui qualquer envolvimento com os crimes e que está à disposição para colaborar integralmente com as investigações.

Este caso ressalta a complexidade e a sofisticação dos crimes econômicos no Brasil, onde a utilização de 'laranjas' e métodos intrincados de lavagem de dinheiro visam burlar a fiscalização e lesar a população. Com o inquérito nas mãos do Ministério Público, a expectativa é por desdobramentos que culminem na punição dos responsáveis e na proteção dos consumidores contra práticas tão danosas.

Fonte: https://g1.globo.com

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