As praias do litoral paulista, destino de lazer para milhões, estão sob análise rigorosa da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O boletim mais recente do órgão revela um cenário preocupante, especialmente nas cidades da Baixada Santista, que concentram a maioria dos trechos considerados impróprios para banho. Este problema, recorrente há décadas, reflete desafios crônicos de saneamento e infraestrutura, impactando diretamente a saúde pública e o ecoturismo regional.
Panorama da Balneabilidade no Litoral Paulista
De acordo com o levantamento semanal da Cetesb, que monitora a qualidade da água em diversas localidades, a Baixada Santista é a região mais afetada. Das 24 praias do estado classificadas como impróprias para banho de mar no período analisado, 15 estão situadas nesta área próxima à capital paulista. As demais nove praias com restrições são encontradas no Litoral Norte, indicando que a questão da balneabilidade é um desafio que se estende por diferentes pontos da costa paulista. O órgão disponibiliza a consulta detalhada das condições no seu site, permitindo que a população se informe antes de frequentar o mar.
Cenário Regional Detalhado por Município
A análise municipal revela a extensão do problema em algumas das cidades mais procuradas pelos turistas. Em São Vicente, três das seis praias monitoradas foram consideradas impróprias. Santos apresenta quatro de suas sete praias em condições desfavoráveis para o banho. Praia Grande, por sua vez, tem cinco das 12 praias impróprias. Guarujá registra duas de suas sete praias sob cuidado, enquanto Itanhaém se destaca com apenas uma de suas doze praias impróprias para banho, indicando um cenário ligeiramente melhor. No Litoral Norte, a situação se distribui com uma praia imprópria em São Sebastião, duas em Caraguatatuba, e três tanto em Ilhabela quanto em Ubatuba, entre as 105 praias monitoradas na região. Apesar dessas restrições pontuais, 151 praias em todo o estado foram classificadas como próprias para o banho no último boletim.
Raízes do Problema: Saneamento e Impacto do Turismo
A persistência das condições desfavoráveis de balneabilidade em muitas dessas praias não é um fenômeno novo, mas sim um reflexo de deficiências históricas em saneamento básico e da sobrecarga de infraestrutura, especialmente durante períodos de alta temporada. Com o influxo de centenas de milhares de turistas nas férias, a emissão de esgoto aumenta exponencialmente, e a capacidade de tratamento e descarte adequado muitas vezes se mostra insuficiente. Claudia Lamparelli, gerente do Setor de Águas Litorâneas da Cetesb, enfatiza a importância do monitoramento: “A água aparentemente limpa pode estar imprópria. Por isso, o monitoramento é essencial para orientar a população e apoiar a gestão pública”, destacando que a clareza visual não é indicativo de salubridade.
O Monitoramento da Cetesb: Enterococos como Indicador
Para determinar a qualidade da água, a Cetesb foca na detecção de Enterococos, um grupo de bactérias que serve como indicador microbiológico de contaminação fecal. Esses microrganismos são naturalmente encontrados no trato gastrointestinal de humanos e diversos animais. Sua presença em altas concentrações na água do mar sinaliza a contaminação por esgoto doméstico ou animal, elevando o risco de doenças para os banhistas. Os critérios para classificar uma praia como imprópria são claros: quando duas ou mais das últimas cinco amostras semanais excedem 100 colônias de Enterococos por 100 mililitros (ml) de água, ou se a coleta mais recente ultrapassa 400 colônias por 100 ml. A coleta das amostras é realizada semanalmente em pontos fixos e padronizados, a cerca de um metro de profundidade, garantindo a consistência dos dados.
Recomendações para a Saúde dos Banhistas
Considerando os riscos potenciais, a Cetesb emite orientações cruciais para a segurança dos banhistas. Mesmo em praias classificadas como próprias, é aconselhável evitar o banho de mar por pelo menos 24 horas após chuvas intensas, pois o escoamento superficial pode arrastar poluentes para a costa. O órgão também alerta para a necessidade de evitar o contato com a água de canais, rios e córregos que desaguam diretamente nas praias, já que esses cursos d'água podem receber descargas irregulares de esgoto. A secretaria de saúde reforça que o contato com águas contaminadas expõe os indivíduos a bactérias, vírus e protozoários causadores de diversas enfermidades. Crianças, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido são particularmente vulneráveis a desenvolver infecções ou doenças após a exposição a essas condições insalubres.
O cenário da balneabilidade nas praias paulistas, especialmente na Baixada Santista, sublinha a urgência de investimentos contínuos em saneamento e infraestrutura. Enquanto as autoridades trabalham para melhorar a qualidade das águas costeiras, a conscientização e a observância das recomendações da Cetesb são fundamentais para proteger a saúde de moradores e turistas. O acesso a informações atualizadas e a adoção de práticas preventivas garantem um lazer mais seguro e contribuem para a preservação de um dos maiores patrimônios naturais do estado de São Paulo.