O estado do Rio de Janeiro tem enfrentado um início de ano marcado por temperaturas excepcionalmente elevadas, um fenômeno que está se refletindo diretamente na saúde pública fluminense. Dados recentes, divulgados pelas secretarias de Saúde do estado e do município, revelam um aumento significativo nos atendimentos ligados ao calor nas primeiras semanas de 2026. Este cenário levanta um alerta urgente sobre a capacidade dos serviços de emergência e a necessidade de medidas preventivas eficazes. Milhares de pessoas buscaram as unidades de saúde, apresentando uma gama de sintomas que vão desde dores de cabeça e tonturas até quadros mais graves de insolação e desequilíbrio hidroeletrolítico. A situação é mais crítica na capital, onde a procura por auxílio médico superou as expectativas, indicando a urgência de conscientizar a população sobre os riscos e as formas de proteção contra os efeitos adversos das ondas de calor que se tornam cada vez mais frequentes.
O impacto alarmante nas unidades de saúde do Rio
As primeiras semanas de 2026 trouxeram um desafio sem precedentes para a rede de saúde do Rio de Janeiro, com um número expressivo de cidadãos buscando atendimento devido a complicações relacionadas ao calor extremo. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES-RJ) registrou, entre 1º e 13 de janeiro, um total de 2.072 atendimentos em suas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) estaduais por sintomas associados às altas temperaturas. Este número representa um aumento de 7,3% em comparação com o mesmo período de 2025, quando 1.931 pacientes procuraram as UPAs com sintomatologia semelhante. O crescimento anual dos casos evidencia uma tendência preocupante e a crescente vulnerabilidade da população às condições climáticas severas.
A situação na capital fluminense é ainda mais grave, com dados da Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS-Rio) chamando a atenção para a intensidade do problema. O Centro de Inteligência Epidemiológica da SMS-Rio monitorou a rede de urgência e emergência e identificou 3.119 atendimentos possivelmente ligados ao calor em apenas cinco dias, entre 9 e 13 de janeiro. Este volume é alarmante e representa um aumento de 26,84% em relação à mediana esperada para o mesmo período em anos anteriores. Esses números sublinham a sobrecarga dos hospitais e clínicas da cidade e a urgência de estratégias de saúde pública para mitigar os efeitos das ondas de calor. O aumento expressivo dos atendimentos não apenas demanda recursos adicionais, mas também afeta a rotina e a eficiência dos serviços de saúde que já operam sob pressão.
Sintomas e condições agravadas pelo calor extremo
Os pacientes que buscaram as unidades de saúde apresentavam, em sua maioria, pelo menos três sintomas simultâneos diretamente relacionados ao calor intenso. A lista de manifestações clínicas inclui dor de cabeça, tontura, náuseas, pele quente e seca, pulso rápido, temperatura corporal elevada, distúrbios visuais, confusão mental, respiração rápida, taquicardia, desidratação, insolação e desequilíbrio hidroeletrolítico. Cada um desses sintomas é um indicativo de que o corpo está lutando para regular sua temperatura interna, podendo levar a condições graves se não houver intervenção médica.
A desidratação, por exemplo, é uma das consequências mais comuns e perigosas, podendo afetar o funcionamento de diversos órgãos e sistemas. A insolação, por sua vez, é uma emergência médica que ocorre quando o corpo superaquece devido à exposição prolongada ou esforço físico em altas temperaturas, podendo causar danos cerebrais, renais ou cardíacos. O desequilíbrio hidroeletrolítico, que envolve a alteração dos níveis de água e sais minerais essenciais no organismo, também é uma condição grave que pode levar a convulsões, arritmias cardíacas e falência de órgãos. A presença conjunta de múltiplos sintomas acende um alerta para a gravidade da exposição ao calor e a necessidade de atenção médica especializada.
Medidas preventivas e grupos de risco
Diante do cenário crítico, as autoridades de saúde enfatizam a importância da prevenção. A SES-RJ e a SMS-Rio reiteram uma série de recomendações cruciais para proteger a população dos efeitos nocivos do calor. Evitar a exposição direta ao sol e ao calor em horários de maior intensidade, geralmente entre 10h e 16h, é fundamental. Nesses períodos, o risco de desidratação e insolação é significativamente maior. Manter-se hidratado é outra medida essencial, ingerindo bastante líquido mesmo sem sentir sede, pois a sensação de sede já é um sinal de desidratação inicial. Água, sucos naturais e chás gelados são ótimas opções, enquanto bebidas açucaradas ou alcoólicas devem ser evitadas.
A alimentação também desempenha um papel vital. É aconselhável optar por refeições leves, ricas em água, como frutas e verduras, e evitar pratos pesados e gordurosos que demandam maior energia para digestão e podem aumentar a sensação de calor. Além disso, recomenda-se evitar o consumo elevado de cafeína e álcool, pois ambas as substâncias têm efeito diurético e podem contribuir para a desidratação. O vestuário adequado é outro aliado: roupas leves e claras ajudam a refletir o calor e permitem a transpiração, facilitando a regulação da temperatura corporal. O uso de bonés, chapéus, óculos de sol e filtro solar é indispensável para proteger a pele e a cabeça da radiação solar direta.
As secretarias de saúde também chamam a atenção para os grupos de maior risco, que são mais vulneráveis aos efeitos do calor extremo. Idosos, crianças, gestantes, cardiopatas, diabéticos, pessoas em situação de rua e trabalhadores expostos ao sol necessitam de atenção redobrada. Idosos e crianças têm mecanismos de regulação térmica menos eficientes. Gestantes estão sujeitas a alterações fisiológicas que podem ser agravadas pelo calor. Pacientes com doenças crônicas como diabetes e cardiopatias podem ter suas condições descompensadas, enquanto pessoas em situação de rua e trabalhadores expostos ao sol têm poucas opções de proteção e hidratação. A vigilância e o cuidado com esses grupos são cruciais para evitar complicações graves.
Quando buscar ajuda médica imediata
É vital que a população esteja ciente dos sinais de alerta que indicam a necessidade de procurar atendimento médico imediato. Não se deve hesitar em buscar ajuda se houver alteração do nível de consciência, convulsão, temperatura corporal persistentemente elevada, hipotensão persistente (pressão arterial baixa), sinais de desidratação grave (como boca seca extrema, olhos fundos e pouca ou nenhuma urina), falta de ar, dor torácica e ausência ou produção extremamente baixa de urina. Estes são indicativos de que o corpo está em sofrimento severo e que a condição pode rapidamente evoluir para um quadro de emergência. A agilidade no atendimento pode ser decisiva para o prognóstico do paciente e a recuperação da saúde.
Alerta contínuo na saúde pública do Rio
O cenário atual de aumento nos atendimentos médicos devido ao calor extremo no Rio de Janeiro serve como um alerta contínuo para a saúde pública. A crescente frequência e intensidade das ondas de calor exigem uma resposta robusta e multifacetada, combinando vigilância epidemiológica com campanhas de conscientização e aprimoramento da capacidade de resposta dos serviços de emergência. A colaboração entre órgãos estaduais e municipais é fundamental para mitigar os impactos, garantindo que a população esteja informada sobre os riscos e as medidas preventivas. A adaptação a essas novas realidades climáticas é um desafio que exige não apenas ações governamentais, mas também a participação ativa e consciente de cada cidadão na proteção da sua própria saúde e da comunidade.
FAQ
Qual o principal impacto das altas temperaturas na saúde pública do Rio?
O principal impacto é o aumento significativo na procura por atendimentos em unidades de saúde, com milhares de pessoas apresentando sintomas relacionados ao calor extremo, sobrecarregando a rede de urgência e emergência.
Quais são os sintomas mais comuns de doenças relacionadas ao calor?
Os sintomas mais comuns incluem dor de cabeça, tontura, náuseas, pele quente e seca, pulso rápido, temperatura corporal elevada, confusão mental, desidratação, insolação e desequilíbrio hidroeletrolítico.
Quem são os grupos de risco mais vulneráveis ao calor extremo?
Os grupos de risco incluem idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas como cardiopatias e diabetes, indivíduos em situação de rua e trabalhadores expostos ao sol.
Quando devo procurar atendimento médico urgente devido ao calor?
Você deve procurar atendimento imediato se apresentar alteração do nível de consciência, convulsão, temperatura elevada persistente, hipotensão, sinais de desidratação grave, falta de ar, dor torácica ou ausência/pouca produção de urina.
Para mais informações sobre como se proteger e manter a saúde em dias de calor intenso, consulte as orientações das secretarias de saúde e esteja atento aos sinais do seu corpo e dos que estão ao seu redor.