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Enel revela que apagão em São Paulo afetou mais de 4,4 milhões

© Rovena Rosa/Agência Brasil

O recente apagão em São Paulo, provocado pela chegada de um ciclone extratropical em dezembro, revelou uma dimensão muito maior do que inicialmente reportado pela Enel, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica na região. A empresa agora informa que o número total de clientes impactados ultrapassou a marca de 4,4 milhões, uma revisão significativa em relação aos 2 milhões divulgados anteriormente. Este incidente não apenas expôs fragilidades na infraestrutura energética da capital paulista e da região metropolitana, mas também deflagrou uma profunda crise institucional, levando a pedidos de rompimento do contrato da Enel e a uma determinação presidencial para investigar as falhas. A discrepância nos números e a extensão dos danos acenderam um debate urgente sobre a qualidade dos serviços e a preparação para eventos climáticos extremos.

A magnitude do apagão e a revisão dos números

A crise energética que assolou São Paulo em dezembro de 2023, desencadeada por um ciclone extratropical, alcançou proporções alarmantes. Inicialmente, a Enel havia comunicado que aproximadamente 2 milhões de clientes haviam sido atingidos na capital e em sua região metropolitana. Contudo, em uma revisão posterior, a concessionária informou que o número real de impactados foi de 4,4 milhões de unidades consumidoras, revelando a verdadeira escala do desastre. Essa atualização gerou questionamentos e intensificou a insatisfação pública e política com os serviços prestados pela empresa.

Do pico simultâneo ao total acumulado

A Enel justificou a diferença entre os números iniciais e os revisados explicando a metodologia de apuração. Segundo a empresa, os 2 milhões de clientes impactados, que foram o dado primeiramente divulgado, correspondiam ao “pico de clientes registrados, em tempo real, simultaneamente” sem energia elétrica nos dias 10 e 11 de dezembro. Contudo, a situação foi dinâmica e complexa. Em seu comunicado, a concessionária detalhou que houve “12 horas seguidas de fortes ventos”, durante as quais a equipe trabalhava para restabelecer a energia de clientes desligados, mas, simultaneamente, outros eram impactados sucessivamente pela força do vendaval.

Essa dinâmica resultou em um “número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10”, que foi significativamente maior do que o pico simultâneo. A apuração desse dado acumulado só foi possível em uma análise posterior ao evento climático. Tal esclarecimento, embora técnico, sublinhou a dificuldade de mensurar o impacto em tempo real durante uma catástrofe natural de grande escala e a necessidade de comunicar com clareza a distinção entre esses diferentes tipos de métricas de interrupção do serviço.

A auditoria interna e a comunicação à Aneel

A Enel afirmou que todos esses dados, tanto o pico simultâneo quanto o número acumulado de 4,4 milhões de clientes impactados, foram submetidos a uma auditoria interna da própria empresa. Após essa verificação, as informações detalhadas sobre a extensão dos desligamentos e a dinâmica do restabelecimento foram encaminhadas à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no dia 19 de dezembro. A Aneel, por sua vez, é o órgão regulador responsável por fiscalizar as concessionárias de energia e avaliar a conformidade dos serviços prestados, inclusive em situações de emergência. A entrega desses relatórios auditados à Aneel representa um passo formal no processo de prestação de contas da Enel às autoridades reguladoras.

As causas do incidente e os impactos na infraestrutura

O cenário caótico vivenciado em São Paulo em dezembro não foi um evento isolado, mas sim a consequência direta de um fenômeno climático atípico e severo. A infraestrutura de distribuição de energia da capital e da região metropolitana foi posta à prova de maneira sem precedentes, evidenciando a vulnerabilidade do sistema diante de forças naturais extremas. A rápida deterioração das condições climáticas transformou o ambiente urbano, com consequências devastadoras para o fornecimento de energia.

A fúria do ciclone extratropical

Nos dias 10 e 11 de dezembro, um ciclone extratropical atingiu a região de São Paulo com intensidade notável. Os ventos gerados por esse sistema climático chegaram a impressionantes 98 km/h em algumas áreas da metrópole. Tal velocidade de vento é considerável e tem a capacidade de causar grandes danos à infraestrutura urbana. Diferentemente de tempestades comuns, um ciclone extratropical pode abranger uma área extensa e manter sua força por um período prolongado, como as 12 horas de ventos fortes mencionadas pela Enel. A natureza do evento climático foi um fator determinante para a extensão e a gravidade do apagão, superando as expectativas de resistência da rede elétrica.

O cenário caótico e a extensão dos danos

A principal consequência direta dos ventos intensos foi a queda de um número massivo de árvores. Mais de 330 árvores foram derrubadas em São Paulo e região metropolitana, muitas delas diretamente sobre a fiação elétrica. Este foi o gatilho para as interrupções de energia. A queda de árvores sobre a rede não apenas rompe cabos e danifica postes, mas também pode iniciar curtos-circuitos e exigir um trabalho complexo e demorado para o restabelecimento seguro da energia. Milhares de residências, comércios e serviços públicos ficaram sem luz durante vários dias, em alguns casos, por mais de uma semana, gerando transtornos imensos para a população, que ficou sem comunicação, refrigeração de alimentos, acesso à água (em prédios com bombas elétricas) e segurança. O volume de ocorrências sobrecarregou as equipes de emergência da concessionária, que tiveram dificuldade em atender a todas as chamadas simultaneamente, prolongando ainda mais o período de escuridão para muitos cidadãos.

A crise da Enel e as reações institucionais

A gestão do apagão pela Enel em São Paulo deflagrou uma das maiores crises enfrentadas pela concessionária nos últimos anos, gerando uma onda de reações por parte das esferas governamentais. A insatisfação com a demora no restabelecimento da energia e a percepção de falta de preparo para eventos climáticos severos resultaram em ações coordenadas de fiscalização e cobrança, elevando o debate sobre a continuidade do contrato de concessão da empresa na região. O episódio de dezembro não se limitou a um problema técnico, transformando-se rapidamente em um ponto central da agenda política.

Pedidos de caducidade do contrato

A gravidade do apagão e a sua prolongada duração levaram o governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura da capital a endurecerem sua postura em relação à Enel. Ainda em dezembro, o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, em conjunto com o Ministério de Minas e Energia (MME), anunciaram que formalizariam um pedido à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a caducidade do contrato de concessão de distribuição de energia que a Enel detém com a capital paulista. A caducidade de um contrato de concessão é a sanção mais severa que pode ser aplicada a uma concessionária, implicando no fim do acordo e na busca por uma nova empresa para operar o serviço. Este movimento político demonstrou a exaustão das autoridades com as sucessivas falhas na prestação do serviço e a urgência em garantir um fornecimento de energia mais resiliente e confiável para a população paulista.

Investigação presidencial e futuros investimentos

A repercussão do apagão atingiu o mais alto escalão do governo federal. Na segunda-feira seguinte ao evento, o presidente da República determinou a abertura de uma investigação aprofundada sobre as falhas da concessionária em São Paulo. Essa medida sublinha a seriedade com que o incidente foi encarado e a necessidade de responsabilização e de garantia de que tais eventos não se repitam com a mesma intensidade e impacto. A Enel, por sua vez, em meio à crescente pressão, já havia anunciado um plano de investimentos de R$ 10 bilhões no país, com foco em melhorias da rede e, notavelmente, na expansão da rede subterrânea, que é menos vulnerável a intempéries como quedas de árvores e fortes ventos. Embora esses investimentos sejam estratégicos para o futuro, a crise atual reforça a necessidade de ações imediatas e eficazes para restaurar a confiança dos consumidores e das autoridades na capacidade da empresa de gerir a infraestrutura energética de uma das maiores metrópoles do mundo.

Conclusão

O apagão de dezembro de 2023 em São Paulo, que impactou mais de 4,4 milhões de clientes, não foi apenas um evento climático extremo, mas um revelador de profundas vulnerabilidades na infraestrutura e na gestão da Enel. A revisão dos números e a explicação sobre a complexidade da contagem reforçam a dimensão da crise. As consequências se estenderam desde transtornos diários para milhões de paulistanos até uma intensa pressão política, com o governo estadual e municipal, além do Ministério de Minas e Energia, solicitando a caducidade do contrato da concessionária. A determinação do presidente da República em investigar as falhas da Enel apenas intensifica a necessidade de respostas claras e de investimentos urgentes na resiliência da rede elétrica. A demanda por um serviço de energia mais robusto e transparente em uma metrópole como São Paulo é premente, e os desdobramentos dessa crise continuarão a ser acompanhados de perto pelas autoridades e pela população.

FAQ

Qual o número total de clientes impactados pelo apagão em São Paulo em dezembro de 2023?
A Enel revisou o número para 4,4 milhões de clientes impactados, após uma análise que considerou o total acumulado de desligamentos ao longo dos dias do evento, e não apenas o pico simultâneo.

Qual foi a causa principal do apagão em dezembro de 2023 na capital paulista?
A causa principal foi a passagem de um ciclone extratropical, que gerou ventos de até 98 km/h. Esses ventos causaram a queda de mais de 330 árvores, que danificaram a fiação elétrica e provocaram as interrupções no fornecimento de energia.

Que medidas as autoridades estão tomando em relação à Enel após o apagão?
O governo do Estado de São Paulo, a Prefeitura da capital e o Ministério de Minas e Energia solicitaram à Aneel a caducidade do contrato de concessão da Enel. Além disso, o presidente da República determinou uma investigação sobre as falhas da concessionária.

Como a Enel justificou a diferença nos números de clientes afetados?
A Enel explicou que a diferença se deu entre o “pico de clientes registrados, em tempo real, simultaneamente” (cerca de 2 milhões) e o “número acumulado de clientes desligados ao longo do dia” (4,4 milhões), apurado em análise posterior devido à dinâmica dos ventos que causavam novos desligamentos à medida que outros eram restabelecidos.

Acompanhe de perto os desdobramentos dessa crise e saiba mais sobre seus direitos como consumidor de energia elétrica. Visite nosso portal para informações atualizadas e dicas sobre como se preparar para eventos climáticos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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