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Khamenei publica charge de Trump retratando-o como faraó em ruínas

Ali Khamenei em Teerã 21/03/2025  • Divulgação via REUTERS

A conta oficial do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, divulgou uma charge de Trump que rapidamente repercutiu internacionalmente, ilustrando o ex-presidente dos Estados Unidos como um sarcófago em processo de desintegração. A imagem, acompanhada da incisiva mensagem “este também será derrubado”, serve como uma poderosa declaração retórica em meio às tensões persistentes entre Teerã e Washington. Este ato simbólico sublinha a profunda animosidade e a visão iraniana sobre o destino de seus adversários políticos, utilizando uma iconografia carregada de referências históricas e culturais para transmitir uma advertência clara sobre a efemeridade do poder e o ciclo de queda dos opressores. A publicação, veiculada em plataformas de mídias sociais, reforça a narrativa de resistência do Irã contra o que considera a arrogância de potências ocidentais.

A controvérsia da imagem digital

A publicação da charge não foi um mero desenho; tratou-se de uma peça de propaganda cuidadosamente elaborada, projetada para provocar e transmitir uma mensagem específica. A escolha do presidente Donald Trump como alvo e a simbologia empregada são cruciais para entender a profundidade da comunicação iraniana.

A iconografia do sarcófago

A charge apresenta Donald Trump como um sarcófago de pedra, reminiscente do estilo do antigo Egito, posicionado no interior de uma tumba ricamente adornada com hieróglifos. Esta representação é carregada de simbolismo. Sarcófagos são invólucros funerários, associados à morte e ao fim. O fato de o sarcófago estar rachando e se desfazendo sugere um estado de decadência e iminente colapso.

Detalhamento visual mostra a bandeira dos EUA e o selo dos Estados Unidos entalhados no sarcófago, indicando explicitamente a nação e a figura política que estão sendo retratadas como em ruínas. A ambientação em uma tumba egípcia não é aleatória; ela invoca a imagem dos faraós, líderes absolutos da antiguidade, que, apesar de seu poder imenso, tiveram seus impérios desmoronados e seus legados transformados em ruínas. Essa iconografia poderosa visa associar a figura de Trump e, por extensão, o poder americano, a um passado de impérios caídos e figuras despóticas.

A mensagem “Este também será derrubado”

A frase que acompanha a charge, “este também será derrubado”, é uma declaração direta e inequívoca de Teerã. Ela não apenas expressa um desejo, mas uma profecia sobre o destino que os líderes iranianos preveem para seus adversários. Esta mensagem é uma continuação da retórica iraniana de longa data, que frequentemente promete o fim de regimes considerados opressores ou hostis ao seu projeto ideológico. A expressão “Como o Faraó”, também presente na publicação, estabelece um paralelo explícito, ligando Trump diretamente aos antigos tiranos que, segundo a narrativa iraniana, encontraram seu fim devido à sua arrogância e tirania. O uso do futuro do indicativo sugere uma certeza na queda, uma inevitabilidade que transcende o tempo, aplicando-se a todos os que se encaixam no perfil de “arrogantes e opressores”.

Contexto histórico e retórico iraniano

A publicação da charge não pode ser entendida sem considerar o vasto pano de fundo histórico e a retórica característica do Irã pós-revolucionário. A mensagem se alinha a uma série de referências culturais e religiosas que permeiam o discurso político iraniano.

Referências a figuras históricas e lendárias

Acompanhando a charge, uma mensagem detalhada evocou figuras históricas e lendárias de tirania e queda. Entre elas, os Faraós do antigo Egito e Ninrode, uma figura bíblica do Livro de Gênesis. Os Faraós são frequentemente representados no Islã e em outras tradições abraâmicas como governantes soberbos e despóticos, cuja arrogância levou à sua ruína. Ninrode, por sua vez, é retratado como um rei tirano que desafiou o próprio Deus, associado à construção da Torre de Babel e à opressão de seu povo, acabando por ser derrubado.

Além dessas figuras antigas, a publicação fez menção a Reza Khan e Mohammad Reza, os dois xás iranianos da dinastia Pahlavi. Ambos foram monarcas que, do ponto de vista da Revolução Islâmica de 1979, eram governantes despóticos e subservientes a potências estrangeiras, especialmente os Estados Unidos e o Reino Unido. O golpe de 1953, que restaurou Mohammad Reza Pahlavi ao poder com apoio ocidental, é um ponto sensível na memória coletiva iraniana. A Revolução Islâmica, que depôs Mohammad Reza em 1979, é vista como o triunfo da vontade popular sobre a tirania e a influência estrangeira. A mensagem sublinha que “esses tiranos e arrogantes do mundo, como o Faraó, Nimrod, Reza Khan, Mohammad Reza e outros, foram depostos no auge do seu orgulho; este também será deposto”. Ao colocar Trump nessa galeria de tiranos históricos e lendários, a liderança iraniana busca posicionar a si mesma como a força justiceira que eventualmente derruba os opressores.

A postura desafiadora do Irã

Esta publicação é um reflexo da postura desafiadora e intransigente que o Irã adota em relação aos Estados Unidos, especialmente após a retirada unilateral dos EUA do acordo nuclear de 2015 e a reimposição de sanções sob a administração Trump. A retórica de Khamenei e de outros líderes iranianos é consistentemente anti-ocidental e anti-americana, utilizando uma linguagem que apela à resistência e à autoafirmação. A publicação da charge é um ato deliberado de comunicação política que visa não só enviar uma mensagem aos Estados Unidos, mas também fortalecer o moral interno e a unidade nacional, reforçando a narrativa de que o Irã é uma nação resiliente que resistirá e superará seus adversários externos. A utilização de mídias sociais para disseminar essa mensagem permite que ela alcance uma audiência global de forma rápida e direta, contornando os canais diplomáticos tradicionais.

Implicações políticas e diplomáticas

A divulgação de uma charge tão provocativa pelo líder supremo de um país tem implicações significativas no cenário político e diplomático global.

A escalada da retórica anti-EUA

Este tipo de comunicação, vindo de uma figura tão central na hierarquia iraniana, intensifica a retórica hostil entre os dois países. Embora não seja um ato de agressão militar, é uma clara declaração de intenções e um reforço da demonização do adversário. Tal escalada verbal pode limitar as possibilidades de diálogo e desanuviamento das tensões, solidificando posições e dificultando qualquer tentativa futura de aproximação diplomática. A mensagem serve como um lembrete constante da profunda animosidade ideológica que separa as duas nações e da visão iraniana de que a política americana é uma continuação da tirania histórica.

O papel da mídia social na diplomacia

A utilização da conta oficial de Khamenei nas redes sociais para veicular tal mensagem demonstra a crescente importância das plataformas digitais como ferramentas de diplomacia e propaganda estatal. Os líderes mundiais, incluindo Donald Trump em seu mandato, têm usado essas plataformas para se comunicar diretamente com suas bases de apoio, seus oponentes e a comunidade internacional, muitas vezes contornando a imprensa e os canais diplomáticos tradicionais. No caso iraniano, a rede social atua como um megafone global, permitindo que a mensagem chegue a milhões de pessoas instantaneamente, com a autoridade máxima do Estado, sem filtros ou interpretações intermediárias, garantindo o impacto desejado.

A retórica da resiliência iraniana

A charge de Donald Trump como um sarcófago em ruínas, divulgada pelo aiatolá Ali Khamenei, transcende a simples crítica política. Ela encarna uma mensagem profunda e multifacetada da liderança iraniana: a crença na inevitabilidade da queda de regimes considerados arrogantes e opressores. Ao conectar Trump a figuras históricas de tiranos como Faraós e Ninrode, e aos depostos xás Pahlavi, o Irã não apenas projeta uma ameaça simbólica, mas também reafirma sua própria narrativa de resiliência e a legitimidade de sua luta contra a hegemonia ocidental. Essa comunicação visual e textual é um componente crucial da estratégia iraniana para manter a coesão interna e projetar força em um cenário geopolítico complexo, onde a retórica assume um peso quase tão grande quanto as ações concretas.

Perguntas frequentes

Quem publicou a charge e quem ela retrata?
A charge foi publicada pela conta oficial do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e retrata o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Qual o simbolismo por trás da imagem de Trump como sarcófago em ruínas?
O sarcófago em ruínas simboliza decadência, colapso e o fim de um poder que é visto como arrogante e tirânico, fazendo uma clara alusão à efemeridade do poder e à queda inevitável dos opressores.

Quais figuras históricas foram mencionadas na mensagem original e por quê?
Foram mencionados os Faraós do antigo Egito, Ninrode (figura bíblica), Reza Khan e Mohammad Reza (xás iranianos da dinastia Pahlavi). Todas essas figuras são associadas à tirania e à queda no auge de seu orgulho, sendo usadas para traçar um paralelo com o destino que o Irã projeta para Trump.

Qual o contexto das relações entre EUA e Irã para essa publicação?
A publicação ocorre em um contexto de tensões elevadas entre os dois países, marcadas por sanções econômicas dos EUA, disputas sobre o programa nuclear iraniano e conflitos regionais por procuração. A charge é parte da retórica desafiadora do Irã em resposta a essas pressões.

Para mais análises sobre as dinâmicas geopolíticas do Oriente Médio, continue acompanhando nossas publicações.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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