Um incidente dramático marcou as últimas 12 horas de um idoso em Apucarana, no norte do Paraná, que sobreviveu após seu carro cair em uma ribanceira às margens da PR-170. Luiz Antonio Favaretto, de 64 anos, saiu para uma rápida ida ao mercado na tarde de sexta-feira, 9 de fevereiro, e acabou passando a noite dentro do veículo acidentado, sem conseguir pedir ajuda. Consciente durante todo o período, ele enfrentou a escuridão e a incerteza até ser descoberto por acaso na manhã seguinte, em um resgate que mobilizou equipes de socorro e aliviou a angústia de sua família. O acidente na PR-170 serve como um alerta para a importância da segurança nas estradas.
O dramático acidente na PR-170
A saída para o mercado e a tragédia imprevista
A rotina de uma tarde de sexta-feira tomou um rumo inesperado para Luiz Antonio Favaretto. Por volta das 16h, ele comunicou à esposa que faria uma rápida viagem ao supermercado. Aparentemente, a simplicidade da tarefa o fez decidir não levar seu telefone celular, uma escolha que se revelaria crucial nas horas seguintes. No trajeto pela PR-170, a jornada comum transformou-se em um cenário de alto risco. Luiz relatou que, em determinado ponto da rodovia, foi fechado bruscamente por um caminhão, perdendo imediatamente o controle de seu veículo.
O carro, fora de controle, colidiu contra uma pedra às margens da pista, o que provocou um giro desordenado antes de despencar. O impacto inicial foi forte, mas o pior estava por vir: o automóvel caiu em uma ribanceira, desaparecendo da vista dos motoristas que passavam pela rodovia. A violência da queda o deixou preso e isolado, inaugurando uma provação de mais de meia-noite. Sem o celular, a possibilidade de alertar a família ou as autoridades de trânsito era nula, condenando-o a uma espera solitária em um local de difícil acesso e visibilidade.
O cenário do resgate: preso entre as árvores
O local onde o veículo de Luiz Antonio Favaretto foi encontrado revelou-se um ponto estratégico que, paradoxalmente, foi tanto sua salvação quanto seu isolamento. Após a queda, o carro não despencou totalmente na profundidade da ribanceira. Conforme explicado pelo Corpo de Bombeiros, uma densa vegetação de árvores às margens da rodovia atuou como uma barreira natural, absorvendo o impacto e contendo o avanço do veículo para um precipício ainda maior. O tronco de uma dessas árvores, em particular, atingiu o carro, contribuindo para que Luiz ficasse imobilizado no interior da cabine.
Essa “contenção” pelas árvores, embora vital para a sua sobrevivência, também escondeu o carro de qualquer visibilidade da PR-170. Situado em uma curva e em meio à folhagem, o automóvel se tornou praticamente invisível para quem transitava pela rodovia, fosse de carro ou caminhão. A equipe de resgate destacou que o veículo parou próximo ao acostamento, mas sua localização exata, encoberta pela vegetação, impediu que qualquer motorista em trânsito percebesse a ocorrência. Essa característica do local prolongou a agonia de Luiz, que, mesmo consciente, estava à mercê do acaso e da perseverança de alguém que pudesse avistá-lo.
A longa espera e o resgate milagroso
Do anoitecer ao amanhecer: a luta pela sobrevivência
As horas que se seguiram à queda foram um teste de resistência física e mental para Luiz Antonio Favaretto. Preso dentro do carro acidentado na ribanceira, ele enfrentou a transição da tarde para a noite e a chegada da madrugada sozinho. Apesar de permanecer consciente, os ferimentos no quadril e no ombro causavam dor constante, e a impossibilidade de se mover ou comunicar-se amplificava a sensação de impotência. A escuridão da noite na rodovia, somada ao frio e à incerteza sobre o que o futuro lhe reservava, transformou cada minuto em uma eternidade.
A ausência de socorro imediato significava que ele precisava resistir aos elementos e à própria dor. A cada carro que passava pela PR-170, a esperança de ser visto se acendia brevemente, apenas para ser substituída pela desilusão ao perceber que a densa vegetação ocultava seu veículo. Essa longa espera, permeada pela consciência dos riscos e da vulnerabilidade, exigiu uma força interior notável para manter a calma e a lucidez, características essenciais para a sua eventual sobrevivência. O amanhecer de sábado, trazendo a luz do dia, seria o primeiro sinal de que seu martírio poderia estar chegando ao fim.
A descoberta e a mobilização do socorro
A provação de Luiz Antonio teve um desfecho graças à perspicácia e ao acaso. Na manhã de sábado, uma pessoa que caminhava pela PR-170 notou algo incomum entre a vegetação densa da ribanceira. Após uma inspeção mais atenta, o pedestre conseguiu identificar o carro acidentado e, para sua surpresa, avistou Luiz Antonio Favaretto no interior. Essa descoberta inicial foi o gatilho para a mobilização do socorro.
Quase simultaneamente, uma equipe da concessionária que administra a rodovia também passava pelo local. Alertados pela movimentação ou tendo percebido a situação, eles rapidamente acionaram os serviços de emergência. A resposta foi imediata, com o Corpo de Bombeiros de Apucarana sendo despachado para a área. Ao chegar, os socorristas confirmaram a gravidade da situação e iniciaram os procedimentos para remover Luiz Antonio do veículo e da ribanceira. A coordenação entre o pedestre, a concessionária e as equipes de emergência foi fundamental para resgatar o idoso após mais de 12 horas de confinamento e incerteza.
Reflexos e a recuperação
A reação da família e o reencontro
Enquanto Luiz Antonio Favaretto travava sua batalha pela sobrevivência na ribanceira, em casa, a preocupação da família crescia exponencialmente. Sua esposa, Joelma Fernandes Reis Favaretto, vivenciou horas de angústia desde a tarde de sexta-feira, quando ele não retornou do mercado. A ausência de notícias e o silêncio do telefone intensificaram a aflição, levando-a a rezar pela segurança do companheiro de mais de 40 anos. A incerteza sobre o paradeiro e a condição de Luiz gerou uma imensa aflição, característica de situações de desaparecimento repentino.
A notícia de que Luiz havia sido encontrado, e mais importante, estava vivo, trouxe um alívio avassalador para Joelma e toda a família. O reencontro, mesmo que ainda no hospital, representou a concretização das preces e a dissipação do medo mais profundo. A esposa expressou a profundidade de seu amor e a alegria de vê-lo bem, destacando a importância de seu companheiro em sua vida. A experiência, embora traumática, reforçou os laços familiares e a gratidão pela vida, marcando um capítulo de superação para todos os envolvidos.
Condição de saúde e os próximos passos
Apesar da intensidade do acidente e do longo período de exposição e confinamento, Luiz Antonio Favaretto demonstrou uma surpreendente capacidade de resistência. Os exames iniciais no Hospital da Providência, em Apucarana, revelaram que ele sofreu apenas ferimentos no quadril e no ombro. Tais lesões, embora dolorosas e necessitando de atenção médica, são consideradas leves dada a gravidade do cenário em que se encontrava. Sua condição geral é estável e ele permanece internado para a realização de exames complementares, garantindo que não haja outras complicações internas ou lesões que não foram detectadas inicialmente.
A equipe médica está acompanhando sua recuperação de perto, e a expectativa é de que Luiz Antonio se recupere plenamente dos ferimentos. Sua lucidez e capacidade de relatar os fatos foram cruciais para o diagnóstico e o planejamento do tratamento. A história de sua sobrevivência é um testemunho de sua resiliência e da sorte em ter sido encontrado antes que as consequências da exposição prolongada pudessem agravar seu estado de saúde. A família aguarda sua alta hospitalar para o reencontro definitivo e o início de sua recuperação em casa.
Perguntas frequentes sobre o ocorrido
Como Luiz Antonio Favaretto foi encontrado após o acidente?
Luiz Antonio Favaretto foi encontrado na manhã de sábado por uma pessoa que caminhava pela PR-170 e avistou o carro na ribanceira. Em seguida, uma equipe da concessionária da rodovia também percebeu a situação e acionou o socorro, mobilizando o Corpo de Bombeiros.
Quais foram as causas do acidente na PR-170?
De acordo com o próprio Luiz Antonio, o acidente ocorreu após ele ser fechado por um caminhão na rodovia. Ele perdeu o controle do veículo, que bateu em uma pedra, rodou na pista e caiu na ribanceira.
Quais são as condições de saúde atuais de Luiz Antonio?
Luiz Antonio Favaretto sofreu ferimentos no quadril e no ombro. Ele está consciente e internado no Hospital da Providência, em Apucarana, para a realização de exames e passa bem, com sua condição de saúde considerada estável.
Por que o carro não foi visto antes por outros motoristas?
O veículo caiu em uma ribanceira e ficou escondido entre a densa vegetação e árvores às margens da PR-170, em uma curva. Essa localização dificultou a visibilidade para os motoristas que passavam pela rodovia, o que prolongou o tempo de resgate.
Priorize a segurança nas estradas: dirija com atenção, respeite os limites de velocidade e sempre tenha um meio de comunicação acessível em suas viagens.
Fonte: https://g1.globo.com