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Polícia e bombeiros buscam jovem de 19 anos desaparecido no Pico Paraná

G1

Na noite de Ano Novo, um evento preocupante marcou a região do Pico Paraná, o ponto mais alto do Sul do Brasil. Roberto Farias Thomaz, um jovem de 19 anos, encontra-se desaparecido desde 1º de janeiro, após iniciar uma trilha na véspera. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) abriu uma investigação para apurar o caso, enquanto equipes do Corpo de Bombeiros e uma vasta rede de voluntários trabalham incessantemente nas buscas pelo jovem, que foi visto pela última vez durante a descida da montanha. O desaparecimento de Roberto no Pico Paraná mobiliza esforços complexos em uma área de difícil acesso, gerando grande apreensão em sua família e na comunidade de montanhistas.

A cronologia do desaparecimento

O percurso de Roberto Farias Thomaz e sua amiga começou no dia 31 de dezembro, quando os dois empreenderam a subida ao desafiador Pico Paraná. Durante o trajeto, Roberto teria relatado sentir-se mal, um fator que adiciona uma camada de preocupação à sua situação em um ambiente de alta exigência física. Apesar do mal-estar, a dupla conseguiu alcançar o cume da montanha na madrugada do dia 1º de janeiro, por volta das 4h, um feito que muitos montanhistas consideram uma vitória.

A jornada e o último contato

Após um breve período de descanso no cume e um encontro com outros dois grupos de montanhistas que também passavam a virada do ano no local, Roberto e sua amiga iniciaram a descida por volta das 6h30 da manhã, juntamente com um desses grupos. Contudo, em um ponto específico da trilha, anterior ao acampamento, o jovem se separou do grupo e ficou para trás. Pouco depois, o segundo grupo que estava no cume também iniciou a descida, passou pelo mesmo local onde Roberto havia sido visto pela última vez, mas não o encontrou. As condições climáticas e a dificuldade do terreno são fatores críticos que podem ter contribuído para a desorientação.

O alerta inicial sobre o desaparecimento foi dado por Fabio Sieg Martins, um analista jurídico que fazia parte de um dos grupos de montanhistas. Ao chegar ao acampamento-base, denominado A1, após vencer os trechos mais complexos da trilha, e perceber que Roberto não havia chegado, Martins foi informado pela amiga de Roberto que ela não sabia do paradeiro dele. Foi então que o desespero se instalou, e Martins, temendo que o jovem pudesse ter se desorientado em alguma área da montanha, possivelmente na região do acampamento A2 ou em trechos mais altos, decidiu agir. Ele retornou a um ponto da trilha onde havia sinal de celular e contatou o Corpo de Bombeiros, fornecendo as referências e a posição que tinham para iniciar a operação de resgate. A rapidez na comunicação foi crucial para a imediata mobilização das equipes de busca e salvamento.

A mobilização das buscas e a investigação policial

Diante da gravidade da situação e do terreno inóspito do Pico Paraná, uma complexa operação de busca e resgate foi rapidamente deflagrada. O esforço envolveu diversas instituições e um grande número de profissionais e voluntários, todos unidos na esperança de encontrar Roberto Farias Thomaz.

Esforços de resgate em terra e ar

A primeira equipe oficial, do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) do Corpo de Bombeiros, foi mobilizada no mesmo dia do desaparecimento, 1º de janeiro, por volta das 13h45. Horas depois, outras duas equipes de socorro se juntaram aos esforços, que se estenderam pela madrugada de sexta-feira. No sábado, as buscas foram intensificadas, sendo retomadas por volta das 6h30 com duas equipes do GOST. Uma delas iniciou a subida a pé em direção ao cume, cobrindo os trechos mais desafiadores da trilha, enquanto a outra foi transportada de helicóptero para o cume e de lá começou a descida, cobrindo diferentes rotas e áreas potenciais, incluindo vales e encostas íngremes.

A tecnologia também tem sido uma aliada fundamental na busca. Um helicóptero equipado com câmera térmica realizou sobrevoos exaustivos pela região, especialmente durante a noite, para tentar detectar qualquer sinal de calor humano que pudesse indicar a presença do jovem. Além disso, drones foram utilizados para mapear áreas de difícil acesso e visualizar trechos densos da vegetação onde o acesso humano é restrito ou perigoso. Equipes especializadas em resgate em montanha, como o Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo), e corredores de montanha do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM) se uniram aos bombeiros, trazendo sua expertise e conhecimento profundo do terreno para a operação, que exige alta resistência física e técnica.

Como medida de segurança e para facilitar as operações de busca, o Instituto Água e Terra (IAT), atendendo a uma recomendação do Corpo de Bombeiros do Paraná, restringiu temporariamente o acesso de visitantes ao Parque Estadual Pico Paraná. A partir do sábado, 3 de janeiro, a entrada para os morros Caratuva, Pico Paraná, Getúlio e Itapiroca foi fechada. Essa restrição visa garantir que as equipes de resgate possam atuar sem interferência e com maior segurança em uma Unidade de Conservação de grande porte, minimizando riscos de acidentes e a concentração de pessoas nas áreas de busca. Contudo, o acesso aos morros Camapuã e Tucum permaneceu aberto, pois a presença de visitantes nesses pontos não interfere nas áreas críticas de busca.

A apuração da Polícia Civil

Paralelamente aos esforços de resgate, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) iniciou uma investigação formal sobre o desaparecimento de Roberto Farias Thomaz. O delegado Glaison Lima Rodrigues, responsável pelo caso, confirmou que a investigação foi aberta após o registro de um Boletim de Ocorrência pela família do jovem no sábado, 3 de janeiro. A PCPR tem agido com cautela e rigor na coleta de informações, buscando esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

O delegado Rodrigues colheu depoimentos de várias pessoas que podem fornecer pistas sobre o paradeiro de Roberto. Entre os ouvidos, estão a amiga que o acompanhava na trilha, outros montanhistas que o encontraram no caminho e, evidentemente, os familiares do desaparecido, cujos relatos são cruciais para entender o histórico e as últimas interações de Roberto. Em declaração, o delegado afirmou que, até o momento, não há indícios de que o desaparecimento esteja ligado a qualquer crime. O caso é tratado, a princípio, como um desaparecimento em ambiente natural, o que é comum em áreas montanhosas e de difícil navegação. “Não há elementos iniciais de uma infração penal, mas caso fique caracterizado o mínimo indício dessa ocorrência de infração penal, haverá uma conversão desse boletim de ocorrência e análise em um inquérito policial ou um termo circunstanciado para que seja encaminhado ao poder judiciário”, esclareceu o delegado. Essa postura demonstra a seriedade com que a polícia está tratando todas as possibilidades, embora o foco principal seja o resgate.

Apelo por voluntários experientes e próximos passos

Diante da complexidade e da extensão da área de busca, a família de Roberto Farias Thomaz lançou um apelo comovente à comunidade de montanhistas. Eles pedem que pessoas com experiência em trilhas e que conheçam profundamente o Pico Paraná e seus arredores, especialmente o Vale do Cacatu e a trilha do Saci – trechos conhecidos por sua dificuldade e particularidades –, se unam aos esforços de busca. A expertise de montanhistas experientes pode ser crucial para explorar áreas de difícil acesso e identificar caminhos que as equipes oficiais talvez não conheçam com a mesma profundidade ou que exijam técnicas específicas de progressão.

Para garantir a organização e a segurança de todos os envolvidos, os trilheiros que desejam auxiliar nas buscas são orientados a realizar um cadastro oficial na base do Corpo de Bombeiros, que foi montada na sede do Parque Estadual Pico Paraná. Essa medida é fundamental para coordenar as equipes, distribuir as tarefas de forma eficaz, fornecer orientações sobre as áreas já vasculhadas e as prioridades, e evitar que novos incidentes ocorram em um ambiente tão desafiador. A colaboração entre as autoridades e a sociedade civil é vista como um pilar fundamental para o sucesso das operações de resgate. A comunidade segue atenta e solidária, esperando por notícias e pela localização de Roberto.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quando Roberto Farias Thomaz foi visto pela última vez?
Roberto foi visto pela última vez em 1º de janeiro de 2024, durante a descida do Pico Paraná, após se separar do grupo com o qual estava caminhando. Ele teria relatado mal-estar durante a subida.

Quais órgãos estão envolvidos nas buscas?
O Corpo de Bombeiros do Paraná, através do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), está liderando as buscas. Recebe apoio de montanhistas do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo), corredores de montanha do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM) e diversos voluntários. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga o caso.

Como a comunidade pode ajudar nas operações de resgate?
Montanhistas experientes, especialmente aqueles que conhecem o Vale do Cacatu e a trilha do Saci, são convidados a se juntar às buscas. É necessário realizar um cadastro na base do Corpo de Bombeiros montada na sede do Parque Estadual Pico Paraná para garantir a organização e segurança dos trabalhos.

A investigação policial considera a possibilidade de crime?
Até o momento, a Polícia Civil do Paraná trata o caso como desaparecimento em ambiente natural e não encontrou indícios de crime. No entanto, o delegado responsável afirmou que, caso surjam elementos de uma infração penal, a investigação poderá ser convertida em inquérito policial.

Acompanhe as atualizações sobre o desaparecimento de Roberto Farias Thomaz e os esforços de resgate nesta região desafiadora do Paraná.

Fonte: https://g1.globo.com

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