O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), utilizou as redes sociais na última sexta-feira (2 de fevereiro) para responder a acusações de intolerância religiosa. Em sua manifestação, o chefe do executivo municipal buscou reafirmar o histórico compromisso com religiões africanas e a postura de sua gestão contra a discriminação de fé. A polêmica teve início após a decisão da prefeitura de incluir um palco exclusivo para a música gospel na programação do Réveillon, o que gerou repercussão e levou o caso a ser analisado pelo Ministério Público Federal (MPF). Paes enfatizou seu histórico de defesa do respeito à fé, do combate à intolerância religiosa e do diálogo com o que ele denomina “povo de axé”, buscando dissipar as controvérsias e reiterar a diversidade religiosa da cidade.
A controvérsia do réveillon e a liberdade de culto
A decisão de destinar um dos 13 palcos do Réveillon da cidade para apresentações de música gospel, notadamente no Leme, gerou um intenso debate público e questionamentos sobre a equidade no tratamento das diversas manifestações religiosas no Rio de Janeiro. Embora o evento de virada de ano seja reconhecido por sua pluralidade cultural e musical, a exclusividade de um palco para um gênero de música religiosa específico levantou preocupações.
O prefeito Eduardo Paes havia inicialmente negado que a iniciativa configurasse privilégio ou intolerância religiosa, defendendo a inclusão da música gospel como parte da vasta programação cultural do evento. No entanto, a repercussão da medida levou o Ministério Público Federal a abrir uma apuração formal para avaliar se houve favorecimento a uma crença específica na organização do Réveillon, evento que se propõe a ser universal e democrático.
A apuração do Ministério Público Federal
A investigação do MPF foca na análise da estrutura do evento e na distribuição de espaços para as diferentes expressões culturais e religiosas. A questão central levantada por especialistas, como o professor e babalawô Ivanir dos Santos, é a ausência de tratamento equivalente para as múltiplas religiões presentes na sociedade carioca. A crítica não se dirige à presença da música gospel em si, mas à falta de um espaço similarmente dedicado a outras manifestações religiosas, especialmente as de matriz africana, que possuem profunda ligação histórica e cultural com o Rio de Janeiro e com a própria celebração da virada de ano à beira-mar. A apuração busca garantir a isonomia e a laicidade do espaço público, assegurando que nenhum credo seja indevidamente privilegiado em detrimento de outros.
Resposta do prefeito: pluralidade e equidade
Em suas manifestações nas redes sociais, o prefeito Eduardo Paes reiterou a natureza plural do Réveillon de Copacabana, defendendo que o evento é de “todos” e que a música gospel merece seu espaço, assim como outros gêneros musicais como samba, rock, piseiro, frevo, música baiana, MPB e bossa nova. Ele afirmou que “o povo Cristão também tem direito a celebrar”, finalizando com uma saudação abrangente que incluía “Amém! Axé! Shalom! Namaste!”, buscando abranger diferentes crenças e expressar uma visão de inclusão.
Paes manifestou surpresa com o que classificou como “nível de preconceito” de alguns críticos, reafirmando que sua intenção nunca foi desrespeitar ou excluir qualquer grupo religioso. Ele destacou que a programação do Réveillon reflete a diversidade que, segundo ele, é uma marca registrada da cidade do Rio de Janeiro. A música gospel, conforme o prefeito, teve mais um ano de sucesso nas areias do Leme, inserida em uma programação que ele descreve como plural, diversa e democrática.
O legado de Tata Tancredo e a homenagem proposta
Além de defender a inclusão da música gospel, Eduardo Paes aproveitou a oportunidade para reforçar seu compromisso com as religiões de matriz africana, anunciando uma iniciativa significativa: a criação de uma estátua em homenagem a Tata Tancredo. O prefeito prometeu dialogar com lideranças religiosas para construir, de forma conjunta, a melhor maneira de realizar essa homenagem, considerada “tão importante para a cidade”.
Tancredo da Silva Pinto, conhecido como Tata Tancredo, foi um proeminente líder religioso de matriz africana, reconhecido por seu papel fundamental no incentivo às práticas que deram origem à tradição da virada do ano à beira-mar no Rio de Janeiro. Com o tempo, essa celebração se transformou no grandioso evento turístico de hoje, enquanto os ritos tradicionais foram realocados para outras datas e espaços. A memória de Tata Tancredo, portanto, está intrinsecamente ligada à história do Réveillon carioca e à herança das religiões afro-brasileiras na cidade. A homenagem proposta pelo prefeito é vista como um reconhecimento simbólico da importância dessas tradições e de seus líderes. Adicionalmente, Tata Tancredo será tema do enredo da escola de samba Estácio de Sá no Carnaval de 2026, consolidando seu reconhecimento cultural.
Reafirmação de princípios e diálogo constante
Em sua última manifestação sobre o tema, Eduardo Paes reiterou, de forma clara, seu compromisso inabalável com o “povo de axé” e com as religiões de matriz africana. O prefeito destacou que, em diversas ocasiões, atuou em defesa dessas tradições, do respeito à fé e do combate à intolerância religiosa, prometendo manter essa postura. Ele finalizou sua comunicação pública reforçando valores fundamentais para a convivência social e religiosa na cidade: respeito, diálogo e diversidade. A gestão municipal busca, com essas ações e declarações, reafirmar seu papel na promoção da liberdade religiosa e na valorização de todas as expressões de fé que compõem o mosaico cultural do Rio de Janeiro.
Perguntas frequentes
Qual foi a origem da controvérsia envolvendo o prefeito Eduardo Paes?
A controvérsia surgiu após a prefeitura do Rio de Janeiro decidir incluir um palco exclusivo para música gospel na programação do Réveillon, o que gerou acusações de favorecimento a uma religião específica e levou à abertura de uma apuração pelo Ministério Público Federal.
Como o prefeito Eduardo Paes defendeu a inclusão da música gospel no Réveillon?
Paes defendeu a inclusão da música gospel como parte da pluralidade do Réveillon de Copacabana, argumentando que o evento é “de todos” e que os cristãos também têm direito a celebrar, assim como outras expressões musicais e culturais. Ele descreveu a programação como diversa e democrática.
Quem foi Tata Tancredo e qual a homenagem proposta pelo prefeito?
Tata Tancredo, cujo nome completo era Tancredo da Silva Pinto, foi um importante líder religioso de matriz africana, reconhecido por incentivar as práticas que originaram a celebração da virada de ano à beira-mar no Rio. O prefeito Eduardo Paes anunciou a intenção de criar uma estátua em sua homenagem, em diálogo com lideranças religiosas, e ele também será enredo da Estácio de Sá em 2026.
Qual a postura histórica de Eduardo Paes em relação às religiões de matriz africana?
O prefeito Eduardo Paes afirma manter uma postura histórica de defesa do respeito à fé, do combate à intolerância religiosa e do diálogo com as religiões de matriz africana, enfatizando seu compromisso com o “povo de axé” e a diversidade religiosa na cidade.
Para mais informações sobre a diversidade cultural e religiosa do Rio de Janeiro e os desdobramentos desta discussão, acompanhe os canais oficiais da prefeitura e as notícias locais.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br