Registros de câmeras de segurança revelaram os últimos momentos de Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em sua residência em Santa Catarina, na véspera de Natal. As imagens, obtidas pelo sistema de circuito fechado de televisão, mostram Silvinei Vasques carregando um veículo VW Polo prata, que a Polícia Federal (PF) apurou ser provavelmente alugado. O flagrante antecedeu seu desaparecimento e a subsequente tentativa de fuga para fora do país, enquanto aguardava o processo em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica. Essa sequência de eventos foi crucial para a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que decretou a prisão preventiva do ex-diretor, culminando em sua captura no Paraguai.
A tentativa de fuga: imagens e os primeiros passos
A movimentação suspeita de Silvinei Vasques na noite de 24 de dezembro foi minuciosamente documentada por câmeras de segurança, fornecendo indícios importantes sobre seu plano de evasão. As imagens, cruciais para a investigação, capturaram o ex-diretor em atitude incomum, que logo foi interpretada pelas autoridades como preparativos para uma fuga iminente.
Os flagrantes da noite anterior
Por volta das 19h06, as câmeras registraram Silvinei Vasques realizando diversas viagens entre sua casa e um VW Polo prata. Inicialmente, ele foi visto colocando bolsas de viagem no porta-malas do veículo. Minutos depois, retornou com mais pertences, acomodando-os no banco traseiro. Entre os itens, a Polícia Federal destacou a presença de ração e diversos pacotes de tapetes higiênicos para cães, sugerindo uma viagem mais longa e a companhia de seu animal de estimação. Pouco tempo depois, Silvinei foi flagrado novamente, desta vez carregando potes de ração e conduzindo um cachorro. Em seguida, ele deixou o local, desaparecendo da vigilância da tornozeleira eletrônica, que, à época, monitorava seus passos enquanto respondia a graves acusações em liberdade. A descoberta de que o veículo era alugado adicionou uma camada de premeditação à sua ação, indicando um esforço para não deixar rastros diretos.
O descumprimento das medidas e a decisão judicial
Naquele período, Silvinei Vasques aguardava o andamento de seu processo judicial em liberdade condicional, com a obrigação de usar uma tornozeleira eletrônica. No entanto, as ações capturadas pelas câmeras de segurança e a subsequente interrupção do sinal de seu monitoramento eletrônico foram interpretadas como um claro descumprimento das medidas cautelares impostas pela Justiça. Essa violação foi um fator determinante para o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em sua decisão, o ministro ressaltou que a conduta de Silvinei indicava uma intenção inequívoca de frustrar a aplicação da lei e de se subtrair à Justiça. Diante das evidências de que o ex-diretor estava ativamente planejando sua fuga, Moraes decretou a prisão preventiva, intensificando a busca pelas autoridades brasileiras e iniciando uma operação que se estenderia além das fronteiras nacionais.
A rota de escape e a captura internacional
A tentativa de Silvinei Vasques de evadir-se do Brasil para evitar a condenação culminou em uma perseguição internacional, que demonstrou a capacidade das forças de segurança em atuar de forma coordenada para garantir a aplicação da Justiça. A rota escolhida, a utilização de documentos falsos e a rapidez da captura revelam a complexidade e a urgência do caso.
De Santa Catarina ao Paraguai
Após deixar sua residência em Santa Catarina, Silvinei Vasques iniciou uma jornada terrestre com o objetivo de alcançar um país vizinho e, de lá, prosseguir para um destino mais distante. A investigação da Polícia Federal apontou que ele dirigiu até o Paraguai, um trajeto que, embora desafiador, foi percorrido na tentativa de despistar as autoridades. Sua escolha por um carro alugado e a interrupção do sinal da tornozeleira eletrônica foram movimentos calculados para dificultar seu rastreamento imediato. A ideia era cruzar a fronteira por via terrestre, onde a fiscalização pode ser mais difusa em comparação com aeroportos internacionais no Brasil. A chegada ao Paraguai era apenas uma etapa intermediária em seu plano ambicioso de fugir para El Salvador, um destino na América Central que, aparentemente, ele considerava um refúgio seguro após sua condenação no Brasil.
A prisão e a documentação falsa
A tentativa de fuga de Silvinei Vasques foi frustrada na madrugada do dia 26 de dezembro, quando ele foi detido no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, capital do Paraguai. A Polícia Federal brasileira, em colaboração com autoridades paraguaias, conseguiu interceptá-lo antes que embarcasse em um voo com destino à América Central. No momento da prisão, uma das descobertas mais alarmantes foi que o ex-diretor da PRF estava utilizando um passaporte paraguaio falso em sua tentativa de se passar por outra pessoa e, assim, evadir-se do radar internacional. A apreensão do documento forjado reforçou a gravidade de suas ações e a determinação em escapar da Justiça. Preso no Paraguai, Silvinei foi imediatamente colocado sob custódia e, posteriormente, transferido pela Polícia Federal para Brasília, onde enfrentaria as consequências de seus atos perante o sistema judicial brasileiro.
O histórico judicial e a condenação
A prisão de Silvinei Vasques no Paraguai está intrinsecamente ligada à sua condenação por crimes graves, que remontam à sua atuação como diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal. As acusações e a subsequente sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) destacam a seriedade das infrações e o impacto de suas ações na democracia brasileira.
As acusações de golpe de estado
Em dezembro, antes de sua tentativa de fuga, Silvinei Vasques havia sido condenado a 24 anos e seis meses de reclusão pela Primeira Turma do STF. A acusação central girava em torno de seu envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado, um crime de extrema gravidade em qualquer regime democrático. A Suprema Corte concluiu que o então diretor-geral da PRF articulou o uso da corporação para criar obstáculos ao deslocamento de eleitores considerados contrários ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) até os locais de votação durante o segundo turno das eleições de 2022. Essa estratégia visava impactar diretamente o resultado do pleito, manipulando o acesso dos cidadãos ao voto. A condenação, apesar de passível de recurso, já estabelecia um veredito severo sobre suas condutas e a instrumentalização de uma instituição de Estado para fins políticos ilegítimos.
A “inércia criminosa” e o papel nas eleições de 2022
Além da articulação para dificultar o acesso de eleitores, os ministros do STF também destacaram a chamada “inércia criminosa” de Silvinei Vasques diante dos bloqueios promovidos por caminhoneiros em rodovias federais após o pleito eleitoral de 2022. Essas manifestações, que ocorreram em diversas partes do país, causaram transtornos significativos ao transporte de alimentos, medicamentos e outras cargas essenciais, paralisando importantes vias de comunicação. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, enfatizou em seu voto que a PRF, sob a liderança de Silvinei, “cruzou os braços” diante da paralisação de inúmeras rodovias federais. Foi necessária uma determinação judicial direta para que a corporação agisse na desobstrução das vias. Essa omissão deliberada, segundo o STF, configurou-se como um elemento-chave na avaliação de sua conduta, demonstrando uma falha grave no cumprimento de seu dever funcional e uma conivência com atos antidemocráticos.
Conclusão
A sequência de eventos envolvendo Silvinei Vasques, desde o flagrante por câmeras de segurança carregando um carro alugado até sua prisão no Paraguai, sublinha a gravidade das acusações e a determinação das autoridades em garantir a aplicação da lei. Sua tentativa de fuga, marcada pelo descumprimento de medidas cautelares e o uso de documentos falsos, apenas reforçou a necessidade de uma ação judicial firme. A condenação por seu papel na tentativa de golpe de Estado e a “inércia criminosa” durante os bloqueios de 2022 demonstram como ações de um agente público podem ter consequências profundas na integridade do processo democrático e na confiança das instituições. Este caso serve como um lembrete contundente da vigilância constante necessária para preservar o Estado de Direito e assegurar que a Justiça seja cumprida, independentemente do cargo ou influência do indivíduo.
FAQ
Quem é Silvinei Vasques?
Silvinei Vasques é o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que foi condenado por seu envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado e por obstruir o processo eleitoral de 2022.
Por que Silvinei Vasques tentou fugir?
Ele tentou fugir para evitar cumprir uma condenação de 24 anos e seis meses de reclusão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes relacionados à instrumentalização da PRF durante as eleições de 2022 e a “inércia criminosa” em bloqueios pós-eleitorais.
Onde Silvinei Vasques foi preso?
Silvinei Vasques foi preso no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, enquanto tentava embarcar em um voo para El Salvador usando um passaporte paraguaio falso.
Quais foram as principais acusações contra Silvinei Vasques?
As principais acusações incluem a articulação para dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno das eleições de 2022 e a “inércia criminosa” da PRF diante dos bloqueios de rodovias por caminhoneiros após o pleito, caracterizando envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
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Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br