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Especialista alerta: o Calor eleva o risco de AVC

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O verão, período de altas temperaturas e lazer, traz consigo um alerta de saúde importante: o aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC). Especialistas indicam que uma combinação de fatores climáticos e comportamentais contribui para essa elevação preocupante dos casos. A desidratação, frequentemente intensificada pelo calor, desempenha um papel crucial, tornando o sangue mais espesso e propenso à formação de coágulos, o principal gatilho para o tipo isquêmico de AVC. Além disso, as mudanças na pressão arterial e o estilo de vida das férias podem agravar a situação. Conhecer esses perigos e adotar medidas preventivas é fundamental para proteger a saúde cerebral e evitar sequelas devastadoras.

Os perigos silenciosos do verão: como o calor afeta o corpo

Desidratação e o engrossamento do sangue

As altas temperaturas do verão desencadeiam uma série de reações fisiológicas que podem aumentar a vulnerabilidade a eventos cardiovasculares graves, como o acidente vascular cerebral. De acordo com neurocirurgiões e neurorradiologistas intervencionistas, um dos mecanismos mais significativos é a desidratação natural das células, um processo intensificado pelo calor. Essa perda de líquidos faz com que o sangue se torne mais espesso e concentrado, elevando a probabilidade de coagulação.

O AVC, condição que ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro é interrompido ou reduzido, privando-o de oxigênio e nutrientes, pode ser de dois tipos principais. O AVC hemorrágico, que corresponde a uma minoria dos casos (cerca de 20%), é causado pelo rompimento de um vaso cerebral. O tipo mais comum, o AVC isquêmico, domina os números, sendo provocado pela formação de um coágulo que entope um vaso sanguíneo e impede a passagem de sangue. O engrossamento do sangue, resultado direto da desidratação, favorece a trombose, a formação desses coágulos, predispondo ao AVC isquêmico.

Impacto na pressão arterial e arritmias

Além da desidratação, o calor interfere diretamente na regulação da pressão arterial do corpo. Para compensar as altas temperaturas e tentar dissipar o calor, os vasos sanguíneos tendem a se dilatar – um processo conhecido como vasodilatação. Essa dilatação, por sua vez, provoca uma diminuição da pressão arterial. Embora possa parecer um alívio em alguns casos, essa queda na pressão favorece tanto a formação de coágulos quanto o surgimento de arritmias cardíacas, que são batimentos cardíacos fora do ritmo normal.

Quando o coração bate de forma irregular, ele pode não bombear o sangue de maneira eficiente, aumentando a chance de formação de coágulos dentro das câmaras cardíacas. Se um desses coágulos se desprende e entra na circulação sanguínea, ele tem uma grande probabilidade de ser transportado para o cérebro, dado que aproximadamente 30% de todo o sangue bombeado pelo coração segue para esse órgão vital. A obstrução de um vaso cerebral por um coágulo originado no coração é uma das causas importantes de AVC isquêmico, e a predisposição a arritmias no verão intensifica esse risco.

Fatores agravantes e a crescente vulnerabilidade

Estilo de vida, tabagismo e doenças crônicas

O período de férias e o espírito de relaxamento do verão, embora benéficos para a mente, podem, paradoxalmente, levar a comportamentos que elevam o risco de AVC. Muitas pessoas tendem a se cuidar menos durante as férias, o que pode resultar em um aumento do consumo de bebidas alcoólicas. O álcool, por sua vez, intensifica a desidratação e amplia a possibilidade de arritmias cardíacas. A negligência pode ir além, levando ao esquecimento de tomar medicamentos essenciais para o controle de condições crônicas, fator que contribui significativamente para o risco de um AVC.

A esses fatores comportamentais, somam-se as doenças típicas do verão, como gastroenterites que causam diarreia, insolação e o esforço físico excessivo sob o sol. Todos esses elementos associados aumentam a tendência de uma pessoa desenvolver um AVC na estação quente. O tabagismo, por sua vez, emerge como uma das maiores causas externas de AVC. O fumo contribui para a formação de aneurismas, dilatações anormais nos vasos cerebrais que podem se romper e causar AVC hemorrágico. A nicotina bloqueia uma proteína fundamental chamada elastina, diminuindo a elasticidade dos vasos e favorecendo a formação de aneurismas. Adicionalmente, o tabaco desencadeia um processo inflamatório nos vasos, facilitando a adesão de placas de colesterol a longo prazo e o entupimento dos vasos, o que culmina no AVC isquêmico. Assim, o consumo de tabaco é diretamente proporcional ao risco de ambos os tipos de AVC.

O perfil dos afetados e a urgência da prevenção

Um aspecto preocupante, segundo especialistas, é que o estilo de vida moderno, combinado ao tabagismo e a doenças crônicas não controladas, tem levado cada vez mais pessoas com menos de 45 anos a desenvolverem AVC. Essa tendência desafia a percepção de que o AVC é uma doença exclusiva da terceira idade. Em centros médicos especializados, como um hospital de referência no Rio de Janeiro, o número de atendimentos a pacientes com AVC pode dobrar durante o verão, chegando a cerca de 30 casos por mês, em comparação com outras épocas do ano.

O AVC é uma condição extremamente prevalente. Se considerada como uma doença isolada, desconsiderando a multiplicidade de tipos de câncer, ela é a mais frequente na humanidade, com a estimativa de que uma em cada seis pessoas terá um AVC ao longo da vida. Além de ser uma das principais causas de morte no mundo, o AVC é uma doença altamente incapacitante. Quando não é fatal, deixa sequelas devastadoras, impactando não apenas o paciente, mas toda a sua família, que muitas vezes precisa se dedicar integralmente aos cuidados. Dificuldades para andar, falar, se alimentar sozinho, ou perdas de visão, são algumas das consequências. A gravidade da sequela depende da área do cérebro afetada, evidenciando a complexidade desse “grande computador” que é o cérebro.

Prevenção, tratamento e a importância da ação rápida

A boa notícia é que o AVC, apesar de sua gravidade, é uma doença que pode ser prevenida e tratada. A prevenção envolve a adoção de um estilo de vida saudável: a prática regular de exercícios físicos (pelo menos três vezes por semana), uma alimentação equilibrada, o controle rigoroso da pressão arterial, a adesão correta à medicação prescrita e, fundamentalmente, o abandono do tabagismo.

No passado, as opções de tratamento para o AVC eram limitadas, restringindo-se ao controle da pressão arterial. Atualmente, existem duas formas eficazes de tratamento, e a rapidez com que o paciente chega ao hospital é determinante para o sucesso. O primeiro método consiste na infusão intravenosa de um medicamento que dissolve o coágulo, sendo eficaz na maioria dos casos quando administrado até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Quando essa abordagem não é suficiente, ou em casos mais específicos, os médicos podem realizar um procedimento por cateter. Nele, um cateter é inserido na virilha do paciente e guiado até o vaso cerebral obstruído para aspirar e remover o coágulo, restabelecendo a circulação. Este método pode ser empregado em casos selecionados por até 24 horas após o início dos sintomas. Quanto antes a pessoa buscar ajuda médica, melhor será o prognóstico.

É crucial reconhecer os sinais de um AVC: paralisia súbita de um lado do corpo (um ou ambos os membros), fala enrolada ou dificuldade para se expressar, perda súbita da visão em um dos olhos ou tontura extrema. A perda súbita de consciência também é um indicativo. Geralmente, esses sintomas surgem de forma abrupta. Em qualquer dessas situações, não há tempo a perder: a pessoa deve ser levada imediatamente a um hospital, pois o AVC é uma emergência médica que exige intervenção imediata para minimizar danos e salvar vidas.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quais são os principais tipos de AVC e suas causas?
Existem dois tipos principais de AVC: o AVC isquêmico, responsável pela maioria dos casos, causado por um coágulo que bloqueia um vaso cerebral; e o AVC hemorrágico, menos comum, provocado pelo rompimento de um vaso cerebral.

Quais são os sintomas de um AVC e o que fazer ao identificá-los?
Os sintomas incluem paralisia súbita de um lado do corpo, fala enrolada, perda de visão em um olho, tontura extrema ou perda súbita de consciência. Ao identificar qualquer um desses sinais, a pessoa deve ser levada imediatamente a um hospital, pois é uma emergência médica.

Como posso prevenir um AVC, especialmente durante o verão?
A prevenção envolve um estilo de vida saudável: exercícios regulares, alimentação balanceada, controle da pressão arterial, tomar medicamentos corretamente, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. No verão, é vital manter-se hidratado e atento aos sinais do corpo.

Mantenha-se informado e cuide da sua saúde. Em caso de qualquer sintoma suspeito, procure ajuda médica imediatamente.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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