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Fundações sem fins lucrativos remuneram mais que empresas privadas

© Marcello Casal JrAgência Brasil

No cenário econômico brasileiro de 2023, um estudo abrangente revelou uma tendência surpreendente: as fundações privadas e associações sem fins lucrativos, frequentemente denominadas terceiro setor, pagaram salários maiores aos seus colaboradores do que as empresas do setor privado. Essa descoberta lança luz sobre a significativa contribuição socioeconômica dessas organizações, que, embora não busquem o lucro como objetivo principal, oferecem uma remuneração média superior. Os trabalhadores dessas entidades receberam, em média, R$ 3.630,71, o equivalente a 2,8 salários mínimos, enquanto os funcionários de empresas privadas obtiveram 2,5 salários mínimos. Este dado, que posiciona o setor acima da média empresarial em termos de compensação, destaca a importância crescente e a capacidade de atração de talentos por parte dessas instituições, que complementam serviços essenciais e fortalecem a estrutura social do país.

A dinâmica salarial do terceiro setor

O panorama salarial no Brasil em 2023 apresentou nuances importantes, especialmente ao comparar diferentes tipos de empregadores. Embora a administração pública tenha se mantido no topo, oferecendo uma média de quatro salários mínimos, as fundações privadas e associações sem fins lucrativos (Fasfil) emergiram com uma remuneração média de 2,8 salários mínimos. Este patamar é notavelmente superior aos 2,5 salários mínimos pagos pelas entidades empresariais, e até mesmo um pouco acima das demais entidades sem fins lucrativos, que registraram 2,6 salários mínimos. Para contextualizar, em 2023, o valor médio do salário mínimo utilizado como base para esta análise foi de R$ 1.314,46. Essa diferença, embora pareça pequena, representa um impacto considerável na qualidade de vida dos trabalhadores e na capacidade de atração de profissionais para o terceiro setor. O estudo, que capturou uma radiografia detalhada dessas organizações, reforça a relevância econômica e social do segmento.

Comparativo de rendimentos

A análise dos rendimentos médios por tipo de instituição revela uma hierarquia clara. A administração pública lidera, pagando quatro salários mínimos em média, sublinhando sua posição como um dos maiores e mais bem remuneradores empregadores do país. As fundações privadas e associações seguem em segundo lugar, com 2,8 salários mínimos, consolidando sua vantagem sobre o setor empresarial. Uma categoria distinta, as “entidades sem fins lucrativos” — que inclui sindicatos, partidos políticos e condomínios, e que não são classificadas como Fasfil — registraram um pagamento médio de 2,6 salários mínimos. Por fim, as entidades empresariais ficaram na quarta posição, com 2,5 salários mínimos. Esses números evidenciam que o compromisso social e a natureza não-lucrativa das Fasfil não implicam necessariamente em remunerações inferiores; pelo contrário, podem até superá-las em relação ao mercado tradicional de empresas.

Crescimento e abrangência do setor

O estudo também revelou um crescimento robusto no número de fundações privadas e associações sem fins lucrativos. Entre 2022 e 2023, o contingente dessas organizações aumentou 4%, passando de 573,3 mil para 596,3 mil unidades em todo o território nacional. Esse número representa 5% do total de 11,3 milhões de organizações existentes no país, um universo amplo que abrange desde empresas até órgãos da administração pública. Em termos de emprego, as fundações e associações contrataram cerca de 2,7 milhões de pessoas, o que corresponde a 5,1% da força de trabalho total do Brasil. Adicionalmente, elas foram responsáveis pelo pagamento de 5% do total dos salários do país, demonstrando sua contribuição significativa não apenas na oferta de serviços, mas também na geração de renda e na dinamização da economia.

O perfil das organizações e seus trabalhadores

A diversidade do setor de fundações e associações é notável, englobando uma vasta gama de atividades que impactam diretamente a sociedade. A pesquisa detalhou as principais áreas de atuação dessas entidades e o perfil dos profissionais que nelas trabalham, revelando importantes aspectos sobre a composição da força de trabalho e a persistência de desigualdades.

Setores de atuação e impacto

A análise das atividades mais prevalentes entre as fundações privadas e associações sem fins lucrativos mostra que pouco mais de um terço (35,3%) são classificadas como entidades religiosas, totalizando 210,7 mil organizações. Outras áreas significativas incluem cultura e recreação (89,5 mil), desenvolvimento e defesa de direitos (80,3 mil), associações patronais e profissionais (69,5 mil), e assistência social (54 mil). A educação e pesquisa, embora em menor número de entidades (28,9 mil), desempenham um papel crucial.

Em relação ao emprego, a área da saúde se destaca como a maior empregadora dentro das Fasfil, sendo responsável por 41,2% dos postos de trabalho, o que equivale a 1,1 milhão de pessoas. Em seguida, vêm a educação e pesquisa, com 27,7% dos empregados, e a assistência social, que emprega 12,7% dos trabalhadores. Essa concentração em setores como saúde e educação sublinha o papel complementar dessas instituições às ações governamentais, preenchendo lacunas e oferecendo serviços essenciais à população.

Desigualdade de gênero persistente

Um aspecto marcante revelado pelo levantamento é a forte presença feminina no universo das Fasfil. Enquanto as mulheres representam 45,5% do total de empregados em todas as organizações do país, sua participação nas fundações e associações sem fins lucrativos atinge 68,9% dos assalariados. Em algumas atividades específicas, como a educação infantil, a predominância feminina é ainda mais acentuada, com nove em cada dez trabalhadores (91,7%) sendo mulheres.

Contudo, apesar da alta representatividade, a desigualdade salarial de gênero persiste. Assim como no mercado de trabalho brasileiro de forma geral, as mulheres no setor de Fasfil recebem, em média, 19% menos que os homens. Este dado aponta para um desafio contínuo na busca por equidade, mesmo em um setor que frequentemente tem um forte viés social e de promoção de direitos.

Estrutura e porte das entidades

Apesar de seu crescimento e impacto significativo, a maioria das fundações privadas e associações sem fins lucrativos possui uma estrutura de pequeno porte. Em média, essas entidades empregam 4,5 pessoas. Notavelmente, uma parcela expressiva de 85,6% delas não tinha nenhum empregado formal. Apenas uma pequena fração, 0,7%, contava com 100 ou mais funcionários.

As atividades com maior porte médio de assalariados são os hospitais, com uma média de 269,7 empregados, seguidos por outras instituições de saúde (132,5), ensino superior (73,9) e ensino médio (73,8). Em contraste, as entidades religiosas apresentaram o menor porte médio, com apenas 0,6 assalariados, refletindo a natureza frequentemente voluntária ou de pequena escala de muitas de suas operações.

Perspectivas e o papel social

O estudo ressalta a importância econômica e social fundamental das fundações privadas e associações sem fins lucrativos para o Brasil. Essas entidades desempenham um papel crucial ao complementar as ações governamentais em diversas áreas vitais, como saúde, educação, assistência social, defesa de direitos e meio ambiente. Sua atuação não apenas preenche lacunas na oferta de serviços públicos, mas também contribui de forma expressiva para a riqueza do país, gerando empregos e renda. A capacidade dessas organizações de oferecer salários competitivos, e em alguns casos superiores aos do setor empresarial, é um indicativo de sua maturidade e do reconhecimento do valor do trabalho realizado em prol da coletividade. O crescimento contínuo do setor e sua capacidade de mobilizar recursos humanos e financeiros demonstram seu potencial para continuar sendo um pilar fundamental no desenvolvimento social e econômico do Brasil.

Perguntas frequentes

Qual a principal conclusão sobre os salários no terceiro setor em 2023?
A principal conclusão é que as fundações privadas e associações sem fins lucrativos pagaram salários médios superiores (2,8 salários mínimos) em comparação com as empresas do setor privado (2,5 salários mínimos) no ano de 2023.

Como o setor de fundações e associações se compara à administração pública em termos salariais?
A administração pública continua sendo o setor que paga os maiores salários em média (quatro salários mínimos), superando tanto as fundações e associações quanto as empresas privadas.

Qual a relevância do crescimento do setor de fundações e associações para a economia brasileira?
O setor cresceu 4% entre 2022 e 2023, empregando 2,7 milhões de pessoas e sendo responsável pelo pagamento de 5% do total dos salários do país. Isso demonstra sua significativa contribuição para a geração de empregos, renda e para o Produto Interno Bruto (PIB).

Descubra mais sobre o impacto socioeconômico das fundações e associações e como sua atuação fortalece a sociedade brasileira.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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